Marcelo Coelho - Cultura e Crítica
Marcelo Coelho - Cultura e Crítica
 

música clássica on line

Para os descontentes com a Cultura FM, o site a procurar é http://classicalwebcast.com/index.html

Escrito por Marcelo Coelho às 22h54

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Um navio nacional

Um navio nacional

No dia 26 de março de 1843, a nau de guerra britânica H.M.S. Cleópatra, de 26 canhões, capturou um barco brasileiro nas costas de Moçambique. O reverendo Pascoe Hill conta o que havia em nosso bergantim.

 

Figuras negras e nuas passavam pelo convés removendo qualquer sombra de dúvida que pudéssemos ter quanto ao gênero da embarcação e mostrava que ela estava com sua carga humana a bordo. O escaler tendo sido içado, um oficial foi enviado para tomar posse enquanto a bandeira britânica substituía a brasileira... Foi uma cena estranha a que se apresentou aos nossos olhos quando subimos. O tombadilho estava apinhado com o máximo de negros nus, que, segundo rezavam seus papéis, eram 450, na maior confusão, tendo se revoltado antes de nossa chegada contra seus últimos proprietários, que, por sua parte, também mostravam um grande nervosismo... A multidão de negros, com um aspecto de esfomeados, tendo ficado descontrolada, havia se apoderado de tudo o que lhes interessava na embarcação; alguns com as mãos cheias de “farinha”, a raiz da mandioca em pó; outros tendo quebrado os caixotes seguravam grandes pedaços de carne de porco e de boi; e alguns pegaram aves das gaiolas e as devoravam cruas. Muitos estavam ocupadas enfiando nos barris de água as pontas de panos que eles rasgaram e amarraram fazendo um fio.

E, infelizmente, havia outros que pelo mesmo método enfiavam s fios de pano na “aguardente”, um forte rum brasileiro, do qual eles beberam em excesso... A estridente zoeira do barulho, que não consigo nem descrever, era no entanto expressão de selvagem alegria vibrando nos ouvidos, misturada ao retintim das correntes de ferro, pois, por todos os lados, eles estavam arrebentando seus grilhões. Parece que desde o momento em que o primeiro tiro foi dado, eles começaram a trabalhar ativamente para se libertarem, no que os nossos homens não demoraram em ajudar. Eu contei uns trinta acorrentados aos pares; mas depois encontramos embaixo mais pares também acorrentados. Nem por um momento duvidamos de que modo eles nos viam. Eles se arrastavam em grupos e esfregavam carinhosamente nossos pés e passavam a mão nas nossas roupas, até rolavam pelo chão diante de nós, quando havia espaço no convés à nossa frente. E quando ele viram a tripulação do barco empurrando sem cerimônia os prisioneiros para o bote ao lado que ia levá-los para a fragata, eles soltaram um grito longo e universal de triunfo e alegria.

Agora fizeram um registro do número de negros, que somou 447. Destes 189 eram homens, poucos, no entanto, passando dos vinte anos; 45 mulheres; 213 meninos.

 

No livro Cinqüenta Dias a Bordo de Um Navio Negreiro, só agora editado no Brasil pela José Olympio, Pascoe Hill também informa que o nome da embarcação brasileira, vinda do porto de Paranaguá, era “Progresso”.

Escrito por Marcelo Coelho às 22h33

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descaminhos da Cultura FM

Bem que eu tento me manter fiel à Rádio Cultura FM de São Paulo, que sempre teve o inestimável serviço de transmitir música clássica o dia inteiro. Mas de uns tempos para cá, toda hora que eu ligo o rádio encontro pessoas falando, e muito menos música do que seria de esperar. Acho bons os comentários de Luciano Ramos sobre os filmes em cartaz, mas não digo o mesmo de "O Sabor da Crônica", intervenção diária de Rodolfo Konder na programação. Multiplicam-se os programas de entrevistas, fugindo da função básica da rádio, que é divulgar música clássica. Há, naturalmente, a tentativa de abrir o espectro da programação para um público mais amplo; só que este já é atendido por outras emissoras.

À tarde, começou a triste prática de apresentar apenas movimentos de determinadas obras, numa salada nem sempre bem escolhida. Sempre se pode dizer que é questão de gosto. Mas não sei porque escolhem invariavelmente os clássicos mais apelativos em detrimento de obras mais profundas e exigentes. Sem contar com os casos de populismo desbragado. Entendo que haja horários destinados ao jazz, outro estilo musical a que as emissoras comerciais não dão espaço. Mas cançonetas italianas --já ouvi até Rita Pavone--, MPB em arranjo orquestral, "world music" e tudo o mais acabam tomando tamanho espaço na programação, que são poucos os programas, como o de GIlberto Tinetti, que ainda atendem ao antigo público da emissora. Acabo sintonizando, pelo computador, as rádios de música clássica de outros países, como uma rádio tcheca, uma rádio dinamarquesa... é só abrir o ícone do windows media player e clicar no "sintonizador de rádio". Bom programa.

Escrito por Marcelo Coelho às 14h37

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a política e os tribunais

Uma das características desta eleição tem sido a presença extremamente forte, para não dizer intrusiva, do Tribunal Superior Eleitoral no processo político. Sempre foi necessária sua participação para reprimir abusos no horário gratuito, por exemplo, mas leio na “Folha” de hoje a notícia de uma decisão que me parece exagerada. Aqui vai um trecho da reportagem:

 

 

O Tribunal Superior Eleitoral concedeu ao presidente Lula dois minutos de direito de resposta contra o candidato do PSDB Geraldo Alckmin, na televisão. O TSE entendeu que a propaganda tucana não poderia ter responsabilizado Lula pessoalmente pela ausência de explicações sobre a origem do dinheiro apreendido com petistas. A data não foi marcada, mas não dever ocorrer hoje.


Os ministros consideraram ofensivo o seguinte trecho: "Lula manda na Polícia Federal, Lula manda nos ministros, Lula manda no PT. E por que será que até agora nem o Lula nem ninguém revela de onde vem o dinheiro preso com petistas para prejudicar Geraldo Alckmin? Hoje faz um mês e Lula diz que não sabe de nada".

 

A meu ver, esse tipo de insinuação da propaganda do PSDB está dentro dos limites da polêmica política. Se o programa de Alckmin dissesse claramente que “Lula sabia de tudo”, certamente a concessão de um direito de resposta seria admissível. Em casos menos evidentes, deveria prevalecer o princípio da “não-intervenção”.

 

O campo da disputa política estrito senso deveria ser suficiente para que respostas, ataques, contra-ataques, argumentos e contra-argumentos viessem a ser trocados pelos candidatos, sem o recurso a uma entidade judicial externa. Se um ou mais candidatos recorrem o tempo todo aos tribunais, isso talvez seja sintoma de uma fraqueza mais profunda no campo político –de sua incapacidade, talvez, de funcionar plenamente como arena para a disputa e a resolução dos conflitos.

 

O cientista político Renato Lessa, numa entrevista ao jornal “Valor Econômico” de quinta-feira passada, mencionou o risco de uma “tribunalização”, ou “judicialização” do conflito político. Fez um paralelo, que espero não se confirme pelos fatos, entre o processo atual de “bater à porta dos tribunais” com o antigo hábito, no período de 1945-1964, de “bater à porta dos quartéis”. Havia, conforme a expressão então em voga, as “vivandeiras dos quartéis”. Será que estamos diante das “vivandeiras dos tribunais”? O rótulo não cabe apenas à oposição, que já se articulou para impugnar a candidatura Lula, mas também ao PT quando solicita direito de resposta no caso mencionado acima.

 

Tendo a achar que todo esse movimento se esvaziará assim que for proclamado o resultado do segundo turno. Mas o grau de radicalização destas eleições talvez seja inédito desde a redemocratização. Pelo menos, nunca tinha ouvido falar de agressões a dentadas em bares do Leblon, aparentemente por razões políticas. 

 

Ainda no assunto eleições, especulo sobre as razões da queda de Alckmin nas pesquisas no artigo de hoje da "Folha": http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2110200603.htm

Escrito por Marcelo Coelho às 14h20

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Na Bienal (10)

Ainda em relação ao mundo dos cartazes de rua, “Ridin’ Dirty”, obra de Mark Bradford, merece atenção na 27a

Bienal. O artista, nascido em Los Angeles, trabalha com os papeizinhos e cartazes “do comércio local, que existe nas áreas cinzentas da informalidade, no que diz respeito a licenças e imigração”, como ele explica em entrevista publicada no catálogo da Bienal. Camadas de fuligem e cal parecem tentar acentuar a invisibilidade dos trabalhadores clandestinos, ao mesmo tempo em que a obra grita em suas dimensões dramáticas.

Escrito por Marcelo Coelho às 16h14

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a arte do telemarketing

Fiz uma assinatura de “Època”, há uns dois ou três anos, porque de longe era a revista semanal com melhor seção de cultura –umas quinze páginas ou mais, dando atenção a exposições de arte e a lançamentos de livros que não se resumiam ao ramerrão dos best-sellers. Há alguns meses isso acabou, em benefício de uma abordagem “pop”, com destaque a videogames e bandas adolescentes, além do absurdo de noticiar livros e DVDs em quadradinhos com menos de dez linhas de texto.

 

Mas já estou resignado quanto a isso, e se é para ler alguma coisa de jornalismo cultural o melhor é reservar tempo para o “Times Literary Supplement”. Queria é falar do telemarketing. Não deve ser exclusivo da editora Globo, mas eles desenvolveram uma técnica terrível para fazer você renovar as assinaturas.

 

O telefone toca, pedem seu nome, e dizem que estão confirmando alguns dados. A revista tem chegado direito? Sim. O senhor tem alguma reclamação? De jeito nenhum. A essa altura você já está querendo desligar. Mas tem de repetir seu rg, endereço, cpf... e no meio da conversa, sem que você saiba como, eles dizem que você continuará a receber a revista, e terá grátis alguns exemplares de outra publicação da editora, e mais um livro de brinde... Muito obrigado.

 

A palavra “renovação da assinatura” nunca é pronunciada. Só perto do fim, quando estão reconfirmando tudo de novo, eles dizem que serão descontadas tantas parcelas do seu cartão de crédito, e que a assinatura valerá para os próximos dois anos. Claro que você pode interromper tudo nesse momento. Cansado, concordei. Mas o essencial da tática prevalece: não pergunte nada ao cliente; coloque-o diante de um fato consumado, e ele termina aceitando. Faça com que ele diga tantas vezes a palavra “sim” que, no momento decisivo, ele já não tenha mais condições de pensar no que está fazendo.

 

Talvez a maior parte das nossas supostas “opções” tenham essa estrutura. Imagino um político qualquer; no começo de sua carreira, é intransigente e puro; pronuncia, com o passar dos anos, mais e mais a palavra “sim”. Quando chega um momento realmente importante –apertar ou não a bomba atômica, por exemplo--, será muito difícil para ele dizer um “não”. Ele já carrega, na ponta extrema de seu ato decisório, o peso e a inércia de todas as concessões e iniciativas que já tomou. Sua liberdade decresce com os anos, porque degenerou em hábito.

 

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 13h32

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aipo e berinjela

aipo e berinjela

Maridos na cozinha gostam de experimentar. Com o de Georgete as coisas não foram diferentes. Veja a crônica de hoje no link http://www1.folha.uol.com.br/agora/colunistas/co1910200604.htm

Escrito por Marcelo Coelho às 13h31

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O "bundão da escola"

Para quem teve sua formação política no tempo do regime militar, a profissão de prestígio, no campo do Direito, era unicamente a de advogado. Havia certa antipatia com quem “gostasse de prender gente”: promotores, juízes, delegados, estavam de alguma forma associados á famosa “repressão”, e naqueles tempos de pensamento ultraliberal, a própria idéia de punir alguém tinha algo de retrógrado, de arbitrário... Hoje, famosos advogados de esquerda ganham a vida tentando provar a inocência de pessoas bem diferentes daquelas que eram perseguidas pela ditadura. O prestígio político, o papel “cívico” mais importante deslocou-se para o Ministério Público –sem falar da antes tão desprestigiada Polícia Federal. Recebo e-mails do serviço de imprensa do MP de São Paulo, e a notícia abaixo merece destaque. É um exemplo de proteção aos direitos do cidadão, numa área a que não se costuma dar prioridade habitualmente.

Justiça proíbe promoção “Bundão da Escola” da rádio Mix

 

Ministério Público moveu Ação Civil Pública por considerar a campanha ofensiva e desrespeitosa

 

 

O Ministério Público de São Paulo obteve, no dia 11/10, liminar em Ação Civil Pública contra a Rádio Mix (nome fantasia da Cidades do Vale Rádio Ltda.) para proibir a competição entre seus ouvintes na denominada “Promoção Bundão da Escola”.

 

Segundo o MP, a campanha dirigida ao público juvenil estimula a violação ao direito de imagem, em especial de crianças e adolescentes, conclamando-as a pegar “sua máquina, seu celular e sair à caça do maior bundão da escola: pode ser um amigo, o bedel, um professor...”. O site da Rádio Mix informa que a média de ouvinte por minuto é de 152.300 pessoas, sendo 72% com idade entre 10 a 29 anos.

 

“A conduta ilícita da rádio estimula a prática de violência entre indeterminável número de alunos de nossas escolas; violência psíquica e moral, práticas humilhantes, discriminatórias, vexatórias e até de racismo; e violência que pode transbordar para a própria lesão à integridade física de crianças e adolescentes”, destaca a Promotora de Justiça da Infância e Juventude Martha de Toledo Machado, uma das autoras da ação.

 

Escrito por Marcelo Coelho às 16h46

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pesquisa rápida

pesquisa rápida

O voto do indeciso é o tema de hoje da coluna no "Agora". A pesquisadora Rejane constata os humores do eleitorado: http://www1.folha.uol.com.br/agora/colunistas/co1810200604.htm

Escrito por Marcelo Coelho às 16h44

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"Pintar ou fazer amor?"

Sergi Lopez e Amira Casar:  jantarzinho íntimo antes de ir para a cama

 

Apesar das estrelas que andou ganhando, “Pintar ou Fazer Amor?”, de Arnaud e Jean-Marie Larrieu, é um exemplo daqueles filmes franceses da pior espécie: burgueses até a medula, onde uma suposta sutileza psicológica é mera tentativa de nobilitar algumas situações eróticas que nem sequer são filmadas a contento. Mal aparecem, na verdade –seria “demasiado vulgar”—mas a razão mais forte para fazer o filme teria sido mostrá-las.

 

A jovem atriz Amira Casar, sem roupa, é menos interessante do que vestida; só que, vestida, nem mesmo merece o nome de atriz: entra muda e sai calada de toda a história. Sabine Azéma, mulher de meia-idade que oscila entre as duas atividades mencionadas pelo título do filme, incomoda muitíssimo com seus trejeitos e intenções.

 

Natural que os respectivos maridos (Daniel Auteuil, sempre espontâneo e simpático, e Sergi López, intrigante no papel de um deficiente visual) resolvam, depois de alguns pobres diálogos, movimentar um pouco o tédio em que todos se encontram. 

 

Os momentos que mais chamam a atenção em “Pintar ou Fazer Amor” são aqueles em que a tela fica completamente escura, simulando a situação de cegueira em que se encontram os personagens, indecisos diante dos próprios sentimentos, e perdidos, literalmente, na escuridão de um bosque; é o personagem cego quem conduz os outros três a um lugar seguro.

 

O contraste entre escuridão e as paisagens radiosas das montanhas do Vercors propicia aos diretores do filme exercícios estéticos um tanto rasos: é que os cortes abruptos na montagem, que supostamente apontam para o abismo entre o “ver” e o “não-ver”, funcionam na verdade para abreviar a história e poupar trabalho de roteiro. Inventa-se até o casamento da filha de Auteuil com um jovem brasileiro (identificado por trilha sonora típica), apenas para dar ocasião a um reencontro dos personagens principais. O episódio do casamento nada acrescenta ao enredo nem à psicologia dos personagens, servindo apenas como “calço” para encobrir um hiato na história.

 

Tudo oscila entre o prosaico e o implausível, entre o embaraçoso e o inconseqüente. Diante de “Pintar ou Fazer Amor?” o melhor é ficar em casa mesmo.

Para uma opinião divergente, leia http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1210200620.htm

Escrito por Marcelo Coelho às 15h35

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Na Bienal (9)

Não estão na Bienal, mas permitem ver melhor o trabalho de Raimond Chaves e Gilda Mantilla, as imagens que retirei do site www.dibujandoamerica.net:

 

Escrito por Marcelo Coelho às 08h18

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Na Bienal (8)

Os desenhos de Raimond Chaves e Gilda Mantilla são também de pura inspiração popular. A dupla desenvolve o projeto "Desenhando a América", e as obras expostas na Bienal descrevem sua viagem pelas fronteiras de Peru, Brasil e Colômbia. "Vamos tecer comentários por meio dos desenhos", dizem eles numa entrevista publicada no catálogo da Bienal, "porém, nosso principal interesse é construir desenhos fortes, precisos e de boa qualidade. Nesse sentido, o desenho é o meio e o fim em si mesmo." Mesmo numa Bienal, às vezes as coisas se descomplicam....

 

Estradas, rios, a caixa que um vendedor ambulante carrega no peito, folhas: viagem.

Escrito por Marcelo Coelho às 08h15

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coluna de segunda

coluna de segunda

Como hoje não está disponível no site do Agora, publico aqui a coluna desta segunda-feira:

 

LANCE DE GÊNIO

 

 

Ousadia.  Espanto. Inovação. É a Bienal de São Paulo.

Artistas de todas as partes do mundo vêm confundir a cabeça do brasileiro.

Como se isso fosse necessário.

O nigeriano Nuntendo Bulyuwa desenbarcava em Cumbica.

Sua gigantesca bagagem prometia muita criatividade. Muito delíriio.

Repórteres se apinhavam para entrevistá-lo.

Mas o genial africano preferia não dar explicações.

--Please. Please. I love Brazil. Thank you.

Uma comitiva levou-o diretamente às dependências da Bienal.

O contâiner de Nuntendo foi aberto com estupefação.

O que parecia um belo gramado da savana foi estendido sobre o chão.

A crítica de artes plásticas Marilu Valcarce dava explicações.

--A temática ecológica sempre esteve presente na obra do Nuntendo.

Foi quando apareceu a Polícia Federal.

Operação Girafa no Pasto. O material era maconha de primeira.

O nigeriano na verdade se chamava Jessé de Arimatéia.

Traficante baiano fichado na polícia. E que agora faz performance no xadrez.

Para muita gente, não é preciso arte para viajar na maionese.

 Outra história de Bienal está disponível, para assinantes do uol, em http://tinyurl.com/ye75kh

Escrito por Marcelo Coelho às 15h58

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Na Bienal (7)

No campo da arte popular, bem representada nesta Bienal, o "Projeto Longa Marcha" se destaca. Uma de suas atividades é um levantamento da arte de recorte em papel no município de Yanchuan (China). A cidade tem 180 mil habitantes, e o que se fez ali foi um projeto social recenseando todas as artesãs responsáveis pela elaboração de 15 mil recortes em papel vermelho. Há desde um simples pimentão aos mais elaborados rendilhados. Alguns exemplos, tirados do site http://www.longmarchspace.com/images/cutting/index-e.htm:

 

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 16h55

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Na Bienal (6)

Mais algumas imagens dos pratos de Antoni Miralda:

 

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 16h45

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Na Bienal (5)

Quem já deu uma olhada na seção "pizzas e cia." deste blog sabe que tenho um fraco por representações populares urbanas, em especial os cartazes de comida; quando menos você espera, vê pela internet que há muita gente aficcionada desse tipo de coisa. Na Bienal, há um artista com o curioso projeto de montar "pratos feitos" artificiais, que retratam diferentes cidades brasileiras. São Paulo, por exemplo, tem pratos feitos com bijuterias no estilo novo-rico; Salvador apresenta composições com grãos crus de arroz e feijão. Seguem algumas fotos que tirei; o artista é Antoni Miralda, e há informações e outros links sobre ele na seção sobre a Bienal do Universo On Line: http://diversao.uol.com.br/27bienal/artistas/antoni_miralda.jhtm 

(acima, um trecho da coleção de pratos sobre São Paulo)

(note, no detalhe, o mouse com teclado e pizza)

Escrito por Marcelo Coelho às 16h43

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PERFIL

Marcelo Coelho Marcelo Coelho nasceu em 1959, é membro do Conselho Editorial da "Folha" e escreve semanalmente na "Ilustrada" desde 1990.

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