Marcelo Coelho - Cultura e Crítica
Marcelo Coelho - Cultura e Crítica
 

Pro Dia Nascer Feliz

Pro Dia Nascer Feliz

A partir de um tema genérico e sem potencial polêmico –o fenômeno do olhar, da visão--, João Jardim fez “Janela da Alma”, um documentário fascinante, cheio de surpresas e depoimentos curiosos.

 

Em  Pro Dia Nascer Feliz, novo documentário de João Jardim que estréia hoje em São Paulo, o assunto é mais concreto e, em tese, promissor. O objetivo seria fazer um retrato do adolescente brasileiro; ou, como diz o material publicitário, “um filme sobre meninos e meninas que vivem a pressa de saber quem são”.

 

Trata-se, infelizmente, de bem menos do que isso. Apesar das declarações de intenção do diretor, o documentário restringe bastante o seu foco, falando quase que exclusivamente da situação do ensino secundário no Brasil. Sucedem-se cenas e mais cenas de sala de aula, imagens de pátios no recreio, entrevistas com professores desanimados e com alunos bons, medíocres ou péssimos.

 

Sem dúvida, o documentário dá uma idéia dos problemas educacionais do país –e mistura em dose certa o desespero e o otimismo. Numa escola pública em Duque de Caxias, professores têm medo dos alunos, o tráfico é uma presença constante, e o olhar de arrogância, de cinismo, de alguns adolescentes diante da câmera é capaz de suscitar alarmes no mais desatento dos espectadores.

 

Já em Manari, sertão de Pernambuco, uma estudante especialmente talentosa e simpática enfrenta as dificuldades que se conhecem: professores que faltam, ônibus que encrenca, colégio a quilômetros de distância, e o ônibus da prefeitura, que deveria transportar os alunos para a escola, encrencando o tempo todo.

 

Num óbvio contraste, jovens de classe alta num colégio paulistano falam do ritmo excessivo dos estudos e de seus problemas de consciência diante da pobreza da maioria. OK.

 

O resultado não é ruim, levanta problemas que merecem atenção, há personagens simpáticos, mas pouca coisa que realmente surpreenda o espectador. Faz-se uma amostra equânime do “positivo” e do “negativo” na educação brasileira, mas os realizadores do documentário não tiveram a sorte de encontrar situações em que os contrastes do sistema se concentrassem com maior dramaticidade. Mundos estanques são colocados lado a lado –como ocorre na realidade, é claro--, só que a complexidade e a carga de contradições que poderia haver em cada retrato individual não é suficientemente explorada; com isso, “Pro Dia Nascer Feliz” não captura muito o interesse do espectador.   

Escrito por Marcelo Coelho às 10h57

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promoção CDs -DVDs

Na Laserland: https://laserland.locaweb.com.br/promocao_50.php?

Escrito por Marcelo Coelho às 19h08

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Camargo Guarnieri

Camargo Guarnieri

http://http://www.ponteio.com/sounds/camargo_guarnieri/guarnieri_sonata3.ram

Há cem anos, na cidade paulsita de Tietê, nascia o compositor Camargo Guarnieri. É o meu preferido entre os brasileiros. Enquanto Villa-Lobos é efusivo e "amazônico", Camargo Guarnieri mantém em sua vasta produção uma atitude mais contida, feita de rigor construtivo e de emoção intelectualizada. Absorvendo toda a linguagem do folclore e da música popular (em especial as toadas caipiras e a música do Nordeste), ele não perde nunca a "distinção", a nobreza de gestos, a elegância do contraponto e da estrutura. Um trechinho de sua sonata para violino e piano no. 3 pode ser acessado no link acima.

Escrito por Marcelo Coelho às 18h32

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estranha fumaça

estranha fumaça

Peço desculpas pela foto --foi o máximo de proximidade que consegui. Gostei da fumacinha saindo exatamente de cada azeitona: balas de chumbo ou espermatozóides?

Escrito por Marcelo Coelho às 18h14

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no cemitério

no cemitério

Em sua busca por antigüidades, o decorador Corrado Neder vive uma aventura na coluna do "Agora" de hoje. Link para assinantes http://tinyurl.com/363bxp

Escrito por Marcelo Coelho às 18h11

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posfácio ao Dia do Mágico

Ainda sobre o tema abordado hoje na "Ilustrada" --podem os mágicos revelar seus truques aos interessados?--, topei com uma frase de Nietzsche que vem ao caso. "Se eu aprendi alguma coisa, por que é que eu me sinto como se tivesse perdido alguma coisa?"

Escrito por Marcelo Coelho às 00h25

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dia do mágico

No artigo de hoje para a Ilustrada, aproveito a efeméride (hoje, 31 de janeiro, é Dia do Mágico) para discutir um pouco os dilemas éticos da profissão. Não que tenha qualquer proximidade com o tema; mas julguei ver em duas atitudes contrastantes (revelar ou não os truques para um público mais amplo?) um exemplo do conflito entre iluministas e conservadores. Tentei incluir no final do artigo a possível posição da esquerda em relação ao caso, mas acho que não deu muito certo. A questão da propriedade privada, ao contrário do que pode parecer, continua plenamente em discussão nos círculos socialistas e fora deles. Só que não se fala tanto na propriedade privada ou estatal de fábricas e usinas, mas dos direitos à propriedade intelectual. Pirataria, programas gratuitos de computador, direitos autorais de artistas, direito à imagem, patentes farmacêuticas... não estará nisso o foco mais contemporâneo da velha "luta de classes"? Mas esse assunto não cabia por inteiro na crônica, que os assinantes do uol (olha aí a questão da propriedade de novo) podem acessar em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq3101200712.htm

Escrito por Marcelo Coelho às 16h32

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fashion week

fashion week

O mundo da moda inspira o cronista do "Agora" no link http://www1.folha.uol.com.br/agora/colunistas/co3101200703.htm

Escrito por Marcelo Coelho às 15h32

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Loucura doméstica

Loucura doméstica

 Elias Canetti é muito respeitado por seu romance “Auto da Fé” e pelo enorme ensaio “Massa e Poder” (ambos editados há bom tempo pela Nova Fronteira). No dia-a-dia, parece que o convívio com ele estava longe de ser fácil. As cartas de sua mulher, Veza Canetti, ao irmão do escritor contém algumas passagens terríveis. Um belo dia, conta Veza,

 

ele começou a rir de uma maneira apavorante. Eu fiquei terrivelmente assustada, mas ele me disse: “Você ria assim quando sua mãe morreu”, de modo que concluí que aquilo era apenas um acesso de nervos. Ele pediu chá, e calmamente eu lhe entreguei a xícara. Mas eu tive de trocar a xícara dele pela minha, pois ele disse que a xícara que eu lhe havia entregue estava envenenada. Há doze anos essa cena se repete, de modo que não me impressionei. Tomei o chá envenenado dele e ele se deitou. O rosto dele estava vermelhíssimo. Ele começou a imaginar que estava num hospício... disse que eu era má e que o havia levado à loucura há três semanas. Fiquei tomada de horror e enregelei. Então ele me explicou, desesperado e com lagrimas nos olhos, que eu tinha me envenenado com o chá que quisera dar a ele. Como eu estava gelada, ele achou que eu era o cadáver da mãe dele. Não sei de onde tirei forças, mas de repente fiquei quente e febril, e isso o acalmou... O ataque tinha passado.

 

As cartas de Elias e Veza Canetti a Georges Canetti saíram o ano passado pela editora  Carl Hanser, de Munique. Transcrevo a partir da resenha de Jeremy Adler no “Times Literary Supplement” de 29 de setembro de 2006.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h53

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partituras de Mozart

partituras de Mozart

http://dme.mozarteum.at

Para quem é músico ou tenta acompanhar o que ouve no disco pela partitura, a boa notícia é que as partituras de todas as obras de Mozart estão disponíveis gratuitamente no site http://dme.mozartum.at Bom proveito!

Escrito por Marcelo Coelho às 23h27

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visita das estrelas

visita das estrelas

O colunista do "Agora" observa alguns efeitos da passagem do cometa McNaught sobre o imaginário feminino. Link para assinantes: http://www1.folha.uol.com.br/agora/colunistas/co2901200703.htm

Escrito por Marcelo Coelho às 15h13

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leitura dramática

leitura dramática

Como diziam nos tempos da "Folha da Tarde", deu no "Folhão":

Crônicas de Voltaire de Souza ganham leitura nesta quarta

DA REPORTAGEM LOCAL

A Folha promove na quarta, às 20h, leitura de crônicas de Voltaire de Souza, publicadas diariamente no jornal "Agora". O evento gratuito será no auditório da Folha (al. Barão de Limeira, 425, 9º andar). Voltaire é pseudônimo de Marcelo Coelho, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha. A leitura terá participação dos grupos teatrais Linhas Aéreas e Atelier de Manufactura Suspeita, com direção de Maurício Paroni de Castro e a presença do autor. A entrada é gratuita. Os interessados devem se inscrever de hoje a quarta, das 14h às 18h, pelo telefone 0/xx/11/3224-3473 ou pelo e-mail eventofolha@folhasp.com.br. É preciso informar nome, telefone e RG.

Escrito por Marcelo Coelho às 08h57

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Benjamin Franklin

Benjamin Franklin

"Eu tremo pela sorte dos Estados Unidos, quando reflito que Deus é justo, e que sua Justiça não ficará adormecida para sempre." A frase não é de nenhum fundamentalista muçulmano. Foi escrita por Thomas Jefferson em 1781.

Nosso anti-americanismo tende a encarar os habitantes dos Estados Unidos como incapazes de autocrítica, o que não significa que seus famosos "Pais Fundadores", como Jefferson, tivessem sua visão obscurecida pelo patriotismo.

A imagem de Benjamin Franklin tambérm não é das melhores na intelectualidade latino-americana. Desde que Max Weber escolheu a "Autobiografia" de Franklin como exemplo da mentalidade puritana, que via no enriquecimento, no trabalho e na poupança os sinais da Graça Divina, nada parece mais desinteressante do que o pensamento de Franklin, e o seu livro de máximas ("auto-ajuda"?), intitulado "Poor Richard", consta como um repositório de moralidades tipicamente americanas, isto é, práticas, terra-a-terra.

Um pequeno livro editado pela Unesp, "Como escolher amantes e outros escritos", mostra um Benjamin Franklin mais malicioso e iluminista. Cartas suas fazem a corte de mme. Helvétius, viúva do célebre filósofo materialista. Há uma preciosa introdução de Jézio Bomfim Gutierre. E mesmo algumas máximas do "Poor Richard" são mais surpreendentes do que acreditaria nosso vão preconceito. Eis aqui algumas.

Nove homens entre dez são suicidas.

O sucesso arruinou muitos homens.

O gato que usa luvas não pega ratos.

O primeiro erro da vida pública é entrar nela.

Escrito por Marcelo Coelho às 22h43

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Filosofia do Tédio

Filosofia do Tédio

No link para assinantes, está disponível a resenha que escrevi sobre "Filosofia do Tédio", de Lars Svendsen (editora Jorge Zahar): http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2801200711.htm.

Escrito por Marcelo Coelho às 22h18

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PERFIL

Marcelo Coelho Marcelo Coelho nasceu em 1959, é membro do Conselho Editorial da "Folha" e escreve semanalmente na "Ilustrada" desde 1990.

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