Marcelo Coelho - Cultura e Crítica
Marcelo Coelho - Cultura e Crítica
 

Deus e Patrick White

O escritor australiano Patrick White ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1973, e deve ser dos mais desconhecidos autores já agraciados com essa distinção. Pelo menos por aqui, são raras as informações sobre ele. Seu romance mais famoso, "The tree of man", é tido como um exemplo importante do estilo radical de escrita modernista, na linha de James Joyce.

Li dele uma frase que vem a calhar nessa polêmica entre Richard Dawkins e os críticos de seu ateísmo radical. "A vida de cada homem", diz ele numa carta, "é um mistério entre ele mesmo e Deus". Fico pensando se, para entender essa frase, e mesmo concordar com ela, é necessário "acreditar em Deus". Poderíamos substituir a palavra "Deus" por outras: o Transcendente, o Dever, a Natureza, o Senso de uma Harmonia Cósmica, a Ordem Espiritual a Que Aspiramos, o Sublime, a Eternidade. É muito difícil eliminar todos esses conceitos, ou a maior parte deles, de uma vida humana plenamente significativa. No termo "Deus", Patrick White está resumindo, a meu ver, todos esses conceitos. Nossa vida é um mistério entre nós mesmos e Alguma Coisa com maiúsculas. Será que faz diferença, nesse plano, a questão de se "Deus" existe ou não?

Certamente, se eu acreditar num Deus pessoal, que faz o que quer de mim, e que me recompensará ou não na Eternidade conforme eu seguir tais e tais regras que julgo estipuladas por Ele, a questão da crença ou não em Deus é decisiva para meu comportamento, para minhas escolhas e relacionamentos com o mundo e as pessoas. Mas quando Patrick White circunscreve esse "Deus" ao âmbito misterioso de um relacionamento pessoal, a realidade de sua existência não tem tanta importância, e muda pouco saber se esse "Deus" muito improvavelmente existe, do ponto de vista científico.

Escrito por Marcelo Coelho às 14h39

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Dawkins e Deus

O crítico marxista Terry Eagleton, que tem seus motivos para discordar do neodarwinismo, atacou o livro de Richard Dawkins contra a ilusão religiosa. “The God Delusion”, diz ele, é tão falho em teologia quanto o livro de um escritor que quisesse escrever sobre ornitologia baseado apenas no “The Book of English Birds” –que imagino ser um daqueles álbuns ilustrados que se dão de presente para tias solteironas.

 

O físico Steven Weinberg discorda da comparação de Eagleton, numa carta ao Times Literary Supplement. Transcrevo seus argumentos.

 

A biologia é uma ciência real. Conta com métodos consensuais para estabelecer raciocínios e para corrigir erros por meio da razão e da experiência. Hoje em dia ninguém contesta a circulação pulmonar do sangue ou a teoria dos germes no surgimento de uma doença. Claro que há ainda questões irresolvidas na biologia, mas o conhecimento biológico é cumulativo; tanta coisa foi aprendida, e as técnicas para aprender mais ainda exigem tão mais treinamento técnico, que os assuntos em biologia não têm como não ser deixados na mão de especialistas. Ao contrário, as desavenças no campo da teologia prosseguem indefinidamente, sem nenhuma perspectiva de que estabeleçam alguma verdade definitiva, o que não surpreende, uma vez que a teologia não lida com nada que seja real. Pela mesma razão, ao contrário das descobertas biológicas, as doutrinas teológicas não conduzem a nenhuma coisa útil. (...) É precisamente porque Dawkins está treinado numa ciência real que ele está qualificado para ver a vacuidade da teologia.

 

Tendo a concordar com Weinberg. Mas as coisas não são tão simples como ele sugere. Uma ciência real pode aspirar a um conteúdo de verdade que a teologia não possui. Mas não se segue daí que a biologia possa provar a inexistência de Deus. Não acredito que Deus exista; concordo que o raciocínio de Dawkins torne a existência de Deus uma hipótese improvável (ver post anterior). Mas em que sentido estou usando os termos “Deus”, “existência”, “improvável”? Evidentemente, esse é um assunto para teólogos, não para biólogos.

 

Dessa perspectiva, Terry Eagleton tem razão. A teoria teológica conta com mais recursos –qualificando melhor o que entendemos por “Deus” ou “existir”-- do que sonha nossa vã biologia. Dawkins talvez parece simplório diante de um teólogo. O que não quer dizer que seja menos verdadeiro.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h39

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Ravel: Jeux d'eau

Ravel: Jeux d'eau

“Ninguém, até hoje, tocou “Jeux d’ Eau” tão bem como você”. Isso foi o que disse Ravel, numa carta ao pianista Robert Casadesus, em 1924. Casadesus e Ravel foram bons amigos, e o CD que estou comentando (Mémoires, Robert Casadesus 1899-1972, L’ Interprète et le Compositeur,  ed. Cascavelle, 2000) começa justamente cm Casadesus tocando “Jeux d’ Eau”.

         Casadesus é rápido e corajoso nessa peça dificílima. É também um pouco decepcionante. Há notas erradas já no nono compasso (veja a partitura em http://www.sheetmusicarchive.net/compositions_b/ravjeuxd.pdf )  e toda a abordagem de Casadesus insiste na violência, que sem dúvida é um traço da personalidade de Ravel.

         No extremo oposto está a interpretação do grande virtuose Benno Moisewitsch, que faz dos “Jeux d’Eau” um exercício de liqüefação em pianíssimo,  confundindo, talvez, a frieza evidente de Ravel com um exercício de frivolidade. Mas é difícil soar tão natural, tão tranqüilo quanto Moseiwitsch nessa peça dificílima.

         Aí entra o gênio de Cortot. Sua gravação dos “Jeux d’ Eau” , na série da Philips/EMI, intitulada “The Great Pianistas”, é arrasadora. Talvez romântica demais. Não importa. Casadesus e Cortot foram alunos, no Conservatório de Paris, de um antigo discípulo de Liszt. Com certeza, Cortot reconhece nessa página de Ravel o romantismo do compositor húngaro. Não começa tão rápido como seria de esperar, mas é firme o bastante para elucidar o jogo de perguntas e respostas que está por trás da partitura. Ninguém, como Cortot, usa a mão esquerda como “fator de profundidade” nessa peça tão hábil em enfocar o extremo agudo do teclado. Ele sabe usar do “suspense”, nesta obra aparentemente tão fria. Apesar de Casadesus e Moisewitsch, Cortot ganha de longe.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h38

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Robert Casadesus

Robert Casadesus

Robert Casadesus (1899-1972) é conhecido como grande intérprete das obras para piano de Debussy, Ravel e Mozart. Agora apareceu um CD em que ele toca não apenas Ravel, Debussy, Fauré e Déodat de Séverac (1873-1921) mas suas próprias composições.

Há uma sonata para flauta e piano, muito elegante e debussista, e um belo, afirmativo concerto para piano, dedicado a Dmitri Mitropolous. Foi escrito nos anos de 1944 e 1945. É uma espécie de síntese entre Hindemith e o impressionismo. O piano trabalha sem parar, enquanto a orquestra tem finuras admiráveis.

São raras, no século 20, as convergências entre a carreira de concertista e a de compositor. A obra de Arthur Schnabel –famoso intérprete de Beethoven—vai sendo reavaliada (e gravada) atualmente. Robert Casadesus, até onde posso saber, não é um compositor tão “moderno” quanto Schnabel. Sua sonata para flauta e piano soa mais ou menos como uma mistura entre Pierné (1863-1937) e Ravel. É música agradabilíssima, um pouco como os filmes de Jean Renoir, se ele quisesse fazer documentários sobre os jardins  de Paris.

O “allegro con fuoco” do concerto para piano de Casadesus é Paris à noite, celebrando a vitória sobre os nazistas. A escrita para piano é muscular e breve, anulando-se frente à força coletiva da orquestra. A euforia solar de Milhaud se combina com o rigor frio de Hindemith (compositor dos mais germânicos, entretanto perseguido pelos nazistas). Há também frieza no segundo movimento, “Adagio non troppo”, em que a influência do “Concerto em Sol” de Ravel se manifesta, com resultados na verdade algo desabonadores para Casadesus.

É que a lentidão estudada de Ravel, culminando num trinado sublime no final do segundo movimento do concerto, reaparece aqui num efeito meio sem graça, antes do tempo. Sabendo disso, o regente Mitropolous parece exagerar na choraminga da orquestra.

O “allegro moderato final”  é feliz e aéreo, fazendo a orquestra retornar ao estilo desse compositor injustamente desprezado, Gabriel Pierné. Casadesus, interpretando a própria obra, é fluente e vigoroso, mostrando tudo o que pode tecnicamente. Mas um de seus grandes desafios técnicos, neste valioso CD, está em outro lugar. Refiro-me aos “Jeux d’eau”, de Ravel, que vou comentar em outro post.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h31

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voltaire de souza

voltaire de souza

http://www1.folha.uol.com.br/agora/colunistas/co1502200704.htm

Estarão concentradas em Hugo Chávez as esperanças da esquerda latino-americana? O cronista do "Agora" discute a questão (para assinantes do uol).

Escrito por Marcelo Coelho às 14h55

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voltaire de souza no teatro

Segue o release do espetáculo.

Você já sabe quem são Voltaire de Souza, Elpídio, Glivanka, Kuko Jimenez, Fergusson e Gisela?
Se sim, tenho certeza de que quer saber mais.
Se não, venha conhecê-los e, de quebra, saberá também (talvez...) algo sobre outras figuras como o já célebre mestre e educador Professor Pintassilgo e Pai Futaba, o famoso pai de santo japonês.
E poderá despi-los em praça pública!
(INCLUSIVE NO CARNAVAL - QUEM FOR FICAR POR AQUI, APROVEITA!)
Com saída do Espaço dos Satyros I
às sextas, sábados e domingos, às 18:00 horas em ponto,
diretamente para a rua e o interrogatório.
GRATUITO
Endereço: Praça Franklin Roosevelt, 214, República
Informações: 9114-9634

Aqui ninguém é inocente: vamos suspender a automatização do cotidiano para afundarmo-nos nele mesmo: vamos seguir as personagens de Voltaire de Souza, perambulando através da nossa cidade. E, se quisermos, vamos interrogá-las sobre suas vicissitudes, que serão as nossas. Não se trata da convencional idéia de peça interativa, mas de um inquérito real, por parte do público, que estará livre para perguntar tudo que quiser para as personagens. Que poderão responder ou não.
A fusão primordial para a existência do teatro, nós já temos. Quando formalizarmos o espetáculo, teremos formalizado a própria experiência proposta.
Companhia Linhas Aéreas e Atelier de Manufactura Suspeita
 

AQUI NINGUÉM É INOCENTE faz parte do projeto de pesquisa VOLTAIRE DE SOUZA – o intelectual periférico,

contemplado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro.

Voltaire de Souza é um pseudônimo usado pelo crítico e ensaísta Marcelo Coelho para publicar pequenas

estórias no jornal AGORA.


Escrito por Marcelo Coelho às 14h52

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TV, censura e classificação

No site da psicanalista Maria Rita Kehl (http://www.mariaritakehl.psc.br) um debate sobre a função da classificação etária nos programas de TV. Ela e Eugênio Bucci, presidente da Radiobrás, discutem qual o papel do Estado nessa questão. Infelizmente, a julgar pelo artigo de Stepan Nercessian já criticado neste blog, há quem diga que o Estado não deve ter simplesmente papel nenhum, como se censura e indicação de faixas de horário fossem a mesma coisa.

Cito um trecho polêmico das intervenções de Maria Rita Kehl:

Há quem defenda que crianças abaixo de cinco ou seis anos, simplesmente não estão psicologicamente preparadas para entender cenas de sexo entre adultos. A idéia do “trauma” vem sendo muito mal assimilada por psicanalistas, psi-coterapeutas e pedagogos. Muitos defendem que se a criança pequena for exposta a uma cena de sexo explícito, por exemplo, ficará "traumatizada". Não necessariamente; penso que as crianças podem ver, ouvir e entender praticamente qualquer coisa, desde que a cultu-ra em que elas vivem lhes ofereça elementos para tal. Não existe uma evolução “natural” da inteligência infantil. Existem, isto sim, escolhas da sociedade: nossas crianças evoluirão de acordo com o que nós desejarmos para elas. Nesse sentido, o fundamento que nos leva a querer limitar a exposição de nossas crianças a cenas de pornografia, violência gratuita, drogação, etc., não é psicanalítico: é ético. Simplesmente desejamos aproveitar esse período tão especial da vida para formar cidadãos interessados em outras coisas. A infância é uma época de curiosidade ilimitada, de interesse por tudo, combinados a uma capacidade de assimilação rápida de todas as novidades. É a fase em que se estabelecem os principais pa-râmetros que formarão nosso senso de “realidade” - mas a realidade humana, vale lembrar, é sempre a realidade social. É uma construção social. Assim, se por um lado não há um impedimento essencial para que a criança “saiba” o que é o sexo, o que é a morte, o que é a violência, etc. - desde que alguém a ajude a compreender isso -, há milhares de razões para desejar que ela se ocupe mentalmente de outras coisas, de muitas outras coisas além do sexo, da violência e da morte. A meu ver, há apenas duas razões para limitar o tipo de con-teúdo da programação infanto-juvenil: a primeira é que os pais, em geral, não se dispõem a educar seus filhos para entender criticamente o que eles vêem no cinema e na TV. Pelo contrário, costumam entregar os filhos aos cuidados da TV e, o que é pior: da publicidade. Ainda não discutimos a sério restrições para a publicidade dirigida às crianças, o que eu considero mais importante do que a classificação indicativa de todo o resto da programa-ção. A segunda razão é que, se as cenas de conteúdo dito “adulto” forem liberadas para crianças, o que ainda resta do potencial educativo e formador da televisão - e em menor grau, do cinema - vai por água abaixo de uma vez. Talvez não cause nenhum trauma às crianças ver pornografia; não tenho nenhuma convicção de que lhes faria mal. Minha con-vicção é que eu desejo que as crianças brasileiras recebam, pela televisão, outros tipos de informação, que farão delas cidadãs mais interessantes, mais éticas, etc. A televisão é um veículo formador muito poderoso, importante demais para que o tempo que as crianças e adolescentes passam diante dela seja desperdiçado com bobagens.

Escrito por Marcelo Coelho às 19h48

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voltaire de souza

voltaire de souza

http://www1.folha.uol.com.br/agora/colunistas/co1402200703.htm

A festa do Pan e outros assuntos cariocas se entrelaçam numa coluna dura de roer para o jornal "Agora".

Escrito por Marcelo Coelho às 19h34

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De Vitória a Elizabeth

De Vitória a Elizabeth

Logo depois de enviuvar, aos 42 anos, a Rainha Vitória retirou-se para a Escócia, no Castelo de Balmoral. Sua prolongada ausência de Londres enfraqueceu a instituição da monarquia, e coube ao primeiro-ministro Disraeli convencer a rainha da necessidade de voltar a Londres; embora destituída de poder político, a monarquia britânica tinha (e tem) um papel simbólico que é preciso alimentar –com cerimônias, carruagens, aparições públicas, etc.

 

No filme Mrs. Brown, de John Madden, acompanhamos passo a passo a crise política –com crescentes pressões populares a favor da proclamação da República—e também a crise amorosa da rainha. Há um cavalariço escocês, o sr. Brown, por quem Vitória se apaixona: no filme, os jornais e caricaturas da época não estão longe dos tablóides de hoje em dia. Vitória (Judi Dench) tem de renunciar à vida pessoal e conformar-se à sua “profissão”, que consiste em não fazer nada, exceto ser aquilo que seus súditos querem que ela seja.

 

Os diálogos entre Disraeli e a rainha, são uma obra-prima de sutileza e subentendido. O próprio arcebispo de Canterbury desgasta inutilmente sua autoridade espiritual para conseguir aquilo que Disraeli, com sorrisos e curvaturas, termina por obter.

 

Não é que “A Rainha” seja um mau filme; é uma delícia de ver; Comentei-o hoje na “Ilustrada” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1402200723.htm), sem dedicar espaço à excelente atuação de Helen Mirren (mas todo mundo já elogiou) e a uma série de cenas surpreendentes, mostrando o cotidiano de Elizabeth 2a. Quem imaginaria que ela sabe dirigir um jipe?

 

De novo, temos uma rainha enfurnada em Balmoral, enquanto a população britânica exige sua presença em Londres, para chorar a morte de Lady Diana. De novo, cabe a um primeiro-ministro convencê-la (com ajuda das pesquisas de opinião e dos tablóides) a cumprir seu dever simbólico.

 

Não acredito que a rainha não percebesse os “novos tempos”, em que a opinião pública é a verdadeira soberana, e em que as explosões de sentimentalidade popular devem ser mais levadas em conta do que a contenção e a compostura tradicional. A questão, para Elizabeth 2a, é o quanto se deve ceder a isso: por mais que o filme a faça dizer que os tempos mudaram (fazendo de Tony Blair uma figura “em sintonia com o povo”), uma série de problemas “procedimentais e atitudinais”, como afirma um dos assessores do palácio, tinha de ser levada em conta.

 

A imprensa reclama que a bandeira com as armas da rainha não estava a meio-pau no Palácio de Buckingham. Ora, isso para Elizabeth e sua família é mostra de ignorância. Aquela bandeira serve apenas para indicar a presença ou a ausência da rainha no palácio; mesmo se a própria rainha morresse, não seria hasteada a meio-pau. Ceder a isso –como acaba acontecendo—é mais do que solidarizar-se ou não com a dor dos ingleses: é cometer um solecismo, um barbarismo na linguagem simbólica da monarquia.

 

Naturalmente, toda tradição nasceu em algum momento, e novas tradições, novos rituais, se criam precisamente em instantes como o da morte de Diana, quando há uma grande unanimidade de sentimentos populares em busca de expressão. Mas simpatizo totalmente com a rainha: se ela é um símbolo, seu papel é o de manter a linguagem que ela domina.

 

Não vemos com clareza, no filme de Frears, os verdadeiros sentimentos de Elizabeth a respeito de Diana (talvez porque isso seja plenamente conhecido do público inglês). Talvez assim o comportamento da família real se torna mais obtuso do que de fato foi. E como a minha antipatia por Tony Blair é das maiores, seu papel na trama me parece desprezível –e o filme aposta bastante na idéia oposta. Meu voto não muda: Disraeli na cabeça.

 

 

 

O Castelo de Balmoral, em gravura de Edward Duncan

site do filme: http://www.arainha.com.br/

Escrito por Marcelo Coelho às 19h24

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TV, censura, classificação indicativa

Já critiquei em post anterior ("Nercessian, péssimo") a tese de que classificar por faixa etária os programas de TV tenha a ver com qualquer tipo de censura. Um longo documento do Ministério da Justiça analisa a questão, e está disponível em http://www.andi.org.br/_pdfs/Classificacao_indicativa_livro.pdf

Escrito por Marcelo Coelho às 14h19

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Benjamin Franklin-correção

Benjamin Franklin-correção

Comentei em post anterior o pequeno e interessante livro publicado pela Unesp, com máximas e textos curtos de  Benjamin Franklin. Chama-se "Como Escolher Amantes e Outros Escritos." A introdução, que achei excelente, foi escrita por R. Jackson Wilson, do Smith College; Jézio Bomfim Gutierre é o autor da tradução.

Escrito por Marcelo Coelho às 13h44

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voltaire de souza

voltaire de souza

http://www1.folha.uol.com.br/agora/colunistas/co1302200703.htm

O psiquiatra argentino Gutiérrez volta às atividades em mais uma coluna do "Agora" (para assinantes do uol)

Escrito por Marcelo Coelho às 13h27

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Aldir Mendes de Souza

"Cidade", 1962.

Não conhecia a obra do pintor Aldir Mendes de Souza (www.aldir.com.br ); um e-mail me informa de seu falecimento, aos 65 anos. Sua pintura foi ficando mais abstrata e experimental ao longo do tempo, mas este quadro, mais antigo, é que me encantou.

Escrito por Marcelo Coelho às 13h06

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PERFIL

Marcelo Coelho Marcelo Coelho nasceu em 1959, é membro do Conselho Editorial da "Folha" e escreve semanalmente na "Ilustrada" desde 1990.

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