Marcelo Coelho - Cultura e Crítica
Marcelo Coelho - Cultura e Crítica
 

língua portuguesa

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http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11449

Há uma entrevista minha na revista "Língua Portuguesa" deste mês, em que falo bastante sobre Voltaire de Souza.

Escrito por Marcelo Coelho às 19h16

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loja em Cunha (SP)

loja em Cunha (SP)

Um leitor manda esta bela imagem de uma ema, numa loja do interior paulista. Curioso o contraste entre o tamanho da figura e o das letras.

Escrito por Marcelo Coelho às 18h24

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A guerra dos videogames

A guerra dos videogames

Não sou xiita em matéria de videogames para crianças. Claro que os jogos de luta são assustadores, com sangue espirrando, impiedade assassina, violência contra (e de) mulheres.

 

Entendo, todavia, que esses jogos de computador têm duas funções para as crianças, mesmo pequenas, como é o caso do meu filho de cinco anos e meio. Trata-se, em primeiro lugar, de uma das raras oportunidades que ele tem para se sentir forte e poderoso. Imagino a sensação de fragilidade, de desamparo, que o acompanha desde o nascimento, ocupante de um pequeno corpo cercado de adultos que falam alto e, basicamente, passam o tempo todo a transmitir-lhe ordens e proibições.

 

Em segundo lugar, um bom treino em videogames passou a ser essencial para a própria sociabilidade dos meninos. No meu tempo, bastava ser bom em futebol. Hoje, a habilidade no computador constitui igual fonte de prestígio.

 

De qualquer modo, não há muito como lutar contra uma característica que é básica nessa nova geração. Para o bem ou para o mal, faz parte do que as crianças hoje são, e do tipo de adultos que serão amanhã. A influência em sentido contrário –livros, natureza, etc.—se dá nas horas vagas, e não deixará de marcar as diferenças individuais contra o pano de fundo comum e cibernético.

 

Dito isso, começo a ver com mais nitidez os males que o uso do videogame está causando na minha precária paz doméstica. Evidentemente, aquilo vicia. Até aí, nenhuma novidade: fui viciado em histórias em quadrinhos, outros o foram em futebol ou balas de goma.

 

O problema é conviver com o viciado. Repentinamente, a necessidade de entrar no site de jogos se manifesta a toda hora, e ai de quem quiser regular essa atividade (minha mulher e eu queremos, claro). O comportamento do meu filho passou das manhas da primeira infância para a rebeldia adolescente. Não ouço choradeiras, não presencio esperneios: passei a ser chamado de “panaca” e presenciar cenas de mau humor.

 

A razão é simples: o videogame evidenciou para meu filho o contraste entre seus poderes virtuais, imaginários, e aqueles que de fato tem. É nisso que reside, afinal, o conflito básico da adolescência, admiravelmente explicado pelo meu colega de Ilustrada, Contardo Calligaris.

 

Mais do que isso, a vida virtual abre para cada criança um mundo próprio, no qual ela é independente de seus pais. Já não precisa que lhe contem historinhas, ou que a levem ao circo, ao cinema ou ao zoológico. Os adultos se tornam dispensáveis, desde que provenham a senha do speedy; uma banana, portanto, para o que disserem depois.

 

O resultado, como em toda experiência educacional, acaba sendo mais draconiano do que seria de desejar. Proibições, cortes, restrições estão a caminho. Mais um pouco e prestarei consultoria ao ministro Paulo Bernardo e outras autoridades econômicas do governo federal.  

Escrito por Marcelo Coelho às 11h59

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Fotofestival, Porto Alegre

Por falar em verão, aqui vai uma foto de Martine Franck, da agência Magnum, onde se pode ver a influência de Cartier Bresson. A foto vai ser leiloada no festival de fotografia de Porto Alegre, que neste ano homenageia Claudia Andujar.

 

Escrito por Marcelo Coelho às 02h45

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voltaire de souza

O verão no litoral paulista pode trazer sérios incômodos. Reproduzo uma coluna do "Agora", publicada no começo da semana.

CALORES DE VERÃO

 

 

Praia. Férias. Tempo bom. Tiago estava animado.

Seu Escort 92 rumava com velocidade para o litoral.

--Praia de Buçutuba. Lá que é o quente.

Os amigos tinham dado a informação.

--Muita mulher boa.

O rapaz andava solitário e solto no mundo.

--A fim de umas sereias.

Meio dia de sol.

Lindas jovens se banhavam nas águas claras daquele paraíso.

Fios dentais. Top-less. O clima sugeria liberdade total.

--Olha... tem até camisinha boiando.

Tiago nadou em direção de um grupo de gatas.

Sensações ardentes tomaram conta da virilha do rapaz.

Mas não era desejo.E o que boiava não eram camisinhas.

O contato com águas vivas levou Tiago ao pronto-socorro mais próximo.

Nossas praias estão infestadas, com efeito, pelos danosos habitantes do mar.

O desejo humano é como as águas-vivas.

Belo de longe, seus tentáculos invisíveis podem, por vezes, ferir.

 

Escrito por Marcelo Coelho às 02h24

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Obama e sua igreja

No artigo de quarta-feira passada (assinantes do uol podem lê-lo aqui), fiz considerações sobre a disputa entre Hillary Clinton e Barack Obama, explicitamente admitindo minha ausência de informação sobre seus programas e idéias. A tentativa foi de transmitir uma pura impressão visual a respeito dos dois pré-candidatos democratas. Notei uma aparência de "desenraizamento" no caso de Obama, que, sem pertencer propriamente à comunidade dos afro-americanos descendentes de escravos, não parece ligado a figuras como Jesse Jackson ou Martin Luther King; haveria uma "laicidade" em sua figura política.

Um leitor mandou e-mail com link para uma reportagem sobre a igreja a que Obama pertence --advoga-se ali uma espécie de culto "afrocêntrico", onde a tradição bíblica é reinterpretada de forma bastante radical: a própria Terra Santa é considerada uma parte do "nordeste da África", e afirma-se que Jesus tinha pele escura e cabelo "pixaim". A reportagem é equilibrada, notando de que modo Obama tem feito questão de se desvincular das proposições mais radicais dessa igreja, e de que modo setores da direita americana tentam identificá-lo às teses radicais. O texto pode ser acessado aqui. Não vi de que maneira a reportagem pode desmentir a imagem "laica" de Obama, mas pode ser cegueira minha. 

Escrito por Marcelo Coelho às 02h11

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previsões incorretas

Chega a quinta-feira, e nada de postagem por aqui. Muitas confusões de verão, incluindo nisso uma catapora infantil. Estive no litoral cuidando do caso, com dedicação exclusiva, e me recupero do stress geral. Logo volto. 

Escrito por Marcelo Coelho às 18h30

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PERFIL

Marcelo Coelho Marcelo Coelho nasceu em 1959, é membro do Conselho Editorial da "Folha" e escreve semanalmente na "Ilustrada" desde 1990.

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