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História, thriller, globalização
Dou notícia de alguns livros recebidos nos últimos tempos.
Mazagão – a Cidade que Atravessou o Atlântico, de Laurent Vidal (Martins Fontes). Um trecho:
Em 11 de março de 1769, na baía de Mazagão, uma cidade inteira se preparava para bater em retirada. Não se trata simplesmente de um exército que deixa o campo de batalha, mas de uma cidade que abandona seu espaço vital, uma sociedade urbana que se separa de seu invólucro de pedra. O exemplo é suficientemente raro para despertar nosso maior interesse. Quatorze embarcações foram enviadas de Lisboa para esse fim impressionante: organizar uma retirada urbana. Uma cidade sem muralhas, provisoriamente distribuída em 14 bairros flutuantes, faz vela rumo a Lisboa.
Mazagão era uma cidade de 2 mil habitantes, situada no Marrocos. Naquele ano de 1769, foi sitiada por 120 mil soldados mouros. Os mazaganenses foram deslocados para Lisboa e, em seguida, para a Amazônia; morrem quase todos.
Atualmente, Mazagão Velho abriga uma das principais comunidades negras do estado do Amapá –com a povoação de Curiaú. Seus habitantes são descendentes de quilombolas, escravos fugidos que se reagruparam nos quilombos.
Laurent Vidal, o autor do livro, é professor de História Urbana na Universidade de La Rochelle. 294 págs.
Os Sons dos Negros no Brasil- Cantos, danças, folguedos: as origens, de José Ramos Tinhorão (editora 34). 147 págs.
Há menção ao uso do berimbau na Bahia desde 1583; dos seus inimigos, um registro é o de dom Francisco Manuel de Melo, em 1685, que reclamava de ser “perturbado no estudo por bayles de bárbaros”. Dos calundus ou lundus da época de Gregório de Matos, o pesquisador vai até a literatura de finais do século 19, como a descrição de um samba no sertão cearense, em “Dona Guidinha do Poço”, de Manuel de Oliveira Paiva. O livro não diz muito em matéria musicológica sobre a evolução dos estilos musicais de origem africana, mas tem grande riqueza de informação histórica.
Latino-americanos à procura de um lugar neste século, de Néstor García Canclini (editora Iluminuras). 135 págs.
“Quem quer ser latino-americano?”, pergunta Canclini, conhecido pesquisador de assuntos culturais e de comunicação nascido na Argentina, interessado em discutir de que modo a identidade cultural do continente pode sobreviver numa época de globalização. Repete-se, com dados relativamente atualizados, mas não exaustivos, a velha preocupação com o predomínio da cultura norte-americana na produção e exportação de filmes e programas de TV. A isso se acrescenta uma nova “ameaça”, no entender do autor: os investimentos europeus na área editorial. Um trecho significativo, a respeito do mercado livreiro na Argentina:
Agora também se decide na Espanha quais os autores de nosso próprio país que podemos ler. O suplemento cultural do jornal Clarín de 16 de março de 2002 foi dedicado aos “nossos livros estrangeiros”: as últimas obras de Arturo Carrera, Rodolfo Fogwill, César Aira, Clara Obligado e Diana Bellessi não serão distribuídos no país desses escritores, Argentina, porque as filiais de seus editores espanhóis em Buenos Aires não têm como garantir a venda de mais de 3 mil exemplares.
Certo, mas era o momento do pleno colapso econômico argentino; circunstância que o autor lembra de passagem, mas que não parece abalar suas preocupações estruturais.
A Senhora das Savanas, de Hilton Marques. Ediouro, 261 págs.
Este é o primeiro romance publicado pelo autor, que é roteirista do programa “Jô Soares Onze e Meia”, e antigo colaborador em programas como “Planeta dos Homens” e “Viva o Gordo”. Uma “história original e envolvente, passada no coração da África”, segundo a contracapa, e que “prende o leitor do início ao fim”, segundo o próprio Jô Soares, na capa. Eis o início do primeiro capítulo.
O pessoal da fazenda se recolheu pouco depois das nove da noite. Antes das dez, a leoa atacou.
A presença de animais de grande porte por ali não era comum, pois o cheiro do homem os afugentava. A caça clandestina e a escassez de ofertas na cadeia alimentar naquela época do ano tangeram a leoa para fora de seu território e a colocaram na trilha de duas vacas que ocupavam o pequeno curral. O ataque foi vertiginoso e feroz. Em cinco segundos, a fera escalou o cercado e pulou sobre o costado da vaca de menor porte que, ao pressentir o perigo, escoiceou e mugiu e se arremessou contra a cerca e, na ânsia da fuga, espremeu a leoa contra os mourões.
Sindor Malek, o capataz da Fazenda Walcott, já sabia o que estava por acontecer, pois, antes de se recolher, registrara dois avisos naturais da iminência do perigo: havia animais inquietos e havia animais quietos demais.
Apesar de alguns clichês (“pressentiu o perigo”, “ofertas na cadeia alimentar”, “animais de grande porte”), há aqui um ótimo ritmo narrativo e, não sei bem como dizer, uma “realidade” muito forte no detalhe dos “animais inquietos e dos animais quietos demais”; a cena de uma leoa “espremida contra os mourões” convence e tem impacto. O “thriller” promete o encontro entre um guerrilheiro dado como morto e uma médica brasileira que irá salvá-lo. Eis a globalização a pleno vapor.
Escrito por Marcelo Coelho às 00h35
Leio no blog "Cacilda" que Renato Borghi completa 50 anos de teatro. É uma delícia vê-lo no palco, com a sua leveza de movimentação, o jeito ao mesmo tempo meigo e próximo do insulto, que ele sabe manter com muitas nuances; é insubstituível quando se trata de aliar baixeza e fragilidade em cena. Mas faço este post sobretudo para registrar uma coisa inacreditável: Renato Borghi nunca trabalhou em textos de Nelson Rodrigues. Seria o ator rodriguiano ideal-- e espero que algum diretor de teatro pense nisso.
Escrito por Marcelo Coelho às 16h05
Como Você Quer
Sempre tive um bocado de prevenção contra Pirandello. A surpresa de uma peça como “Seis Personagens em Busca de um Autor” parece que se esgota, a meu ver, numa época saturada de metalinguagem, de filmes que falam de filmes, de romances que são como cobras engolindo o próprio rabo, e até nos quadrinhos de “Mônica” surge, de vez em quando, o desenhista em crise de inspiração ou interagindo com os personagens que criou.
A idéia de que tudo é representação, e que atrás de uma máscara não se encontra nada além de outra máscara, pode ter sido importante para discutir a chamada “crise intelectual do século 20”, mas afinal pode ser também um mero truque sofístico.
Tive uma ótima surpresa ontem, assistindo a “Como Você Me Quer”, uma peça de Pirandello bem mais profunda do que esse jogo a que me referi. Nesse drama, está em funcionamento, mais uma vez, toda aquela história de que cada indivíduo é apenas uma personagem criada pelos outros, ou por si mesma, e de que não há uma “verdade interior”, nem mesmo uma “verdade factual” capaz de dizer quem e o quê, de fato, cada um é.
Acontece que esse labirinto de identidades está, no caso dessa peça, a serviço de uma situação dramática real, em que uma personagem de carne e osso de fato tem de “enganar” as pessoas à sua volta –sem que o espectador saiba em momento nenhum se se trata de um embuste mesmo ou se a personagem apenas finge estar enganando os outros para descobrir quais suas verdadeiras intenções.
A atenção intelectual do espectador se mantém desperta o tempo todo, sem que o texto perca em clareza na montagem –que teve a excelente idéia de fazer com que vários atores assumissem, alternativamente, o papel dessa personagem. Acentua-se, assim, a presença das múltiplas “personalidades” que a protagonista assume quando engana ou quando diz a verdade aos outros; e, ao mesmo tempo, evita-se que o peso de um papel dificílimo recaia apenas sobre uma das atrizes da companhia.
Todos –atores e atrizes— estão numa sinuca, pois têm de representar bem e, ao mesmo tempo, têm de representar mal. Uma pessoa tentando fingir que é outra pessoa nunca é perfeita em seu fingimento; acontecem exageros, momentos inconvincentes, etc. Como um ator pode fazer isso sem dar a impressão de que representa mal também?
Ziza Brisola (grávida), empenha-se com sucesso e no fio da navalha do dramalhão nessa tarefa. Fernanda Moura, que é quem começa assumindo o papel da protagonista na peça, é uma sofisticada presença no palco, ao estilo das divas italianas de outros tempos, mas se ressente do fato de que a complexidade da situação ainda não foi exposta plenamente para o espectador naqueles momentos iniciais; um pouco mais de estilo “cinema mudo”, e menos drama, talvez a beneficiasse.
A encenação de Mauricio Paroni de Castro não cai no erro comum de acrescentar novos elementos e maluquices a um texto que já é suficientemente complexo em si mesmo. Ou melhor, acrescenta uma de que não gosto: um longo balé de travestis, quando os atores masculinos passam a representar, também, o papel da protagonista.
Entretanto, a idéia de deixar uma cadeira de rodas vazia, num momento crucial da peça, que não posso descrever em detalhes, é um bom “acréscimo”, acho. Tira, na verdade, uma coisa que imagino existir numa encenação tradicional, e ao mesmo tempo a idéia geral do espetáculo se fortalece.
“Como Você Me Quer” está sendo encenada toda quarta-feira, às 21h, no Teatro João Caetano, com direção de Maurício Paroni de Castro –que, à frente da Companhia Manufactura Suspeita e da Companhia Linhas Aéreas, teve o gesto amigo de encenar as histórias de Voltaire de Souza nos Satyros, ano passado. Às quintas, no mesmo horário e teatro, eles encenam outra peça de Pirandello, “Cada um a seu Modo”.
Escrito por Marcelo Coelho às 15h55
No artigo de hoje, falo de “Crônica de um Verão”, documentário de Jean Rouch e Edgar Morin que mostra a solidão e a monotonia dos parisienses no verão de 1960. Ninguém diria que oito anos depois a insatisfação com o cotidiano fosse explodir nas ruas; mas depois de isso ter acontecido, parece que estava tudo prenunciado no filme.
Um aspecto que não abordei no artigo é o das relações interraciais. Jean Rouch fizera filmes na África, e um dos personagens de “Crônica de um Verão” é Landry, jovem negro que está estudando em Paris. Seu encontro com o operário Angélo é dos mais bonitos: como na maior parte do filme, a verdade está nos olhares de cada um. Landry e Angélo conversam sentados numa escada, o branco num andar de cima, o negro embaixo. Aparentemente, Landry, como estudante, está num nível socialmente superior ao de Angélo: encara o operário com certa curiosidade “mítica”, fundamentada, talvez, na esperança marxista de ver nos trabalhadores de fábrica a salvação do mundo. Angélo solta seu desprezo sobre os colegas de trabalho, a seu ver pretensiosos, individualistas, competitivos e dissimulados. Os olhares que ambos trocam parecem fraternos: um irmão mais velho explicando a realidade para o mais moço.
Cenas como essa parecem indicar que racismo e xenofobia não eram correntes na França de 1960. Uma conversa muito amigável entre dois negros e um grupo de brancos e brancas também é registrado no filme. Uma das mulheres brancas, sobrevivente de um campo de concentração, fala de seu desinteresse sexual pelos negros –embora reconheça que dancem como ninguém. A conversa se dá entre brincadeiras e gozações mútuas: aos poucos, parece que a conversa sobre sexo tinha esse efeito de liberar outros medos e preconceitos. Mais uma vez, 68 começava a surgir no horizonte.
A idéia de Morin era, justamente, fazer um “cinema de fraternidade”, em que pessoas comuns pudessem falar, e, mais importante do que isso, dialogar. Nesse sentido, os filmes de Eduardo Coutinho são ao mesmo tempo um avanço diante desse modelo e um retrocesso também. São um avanço, porque as conversas de Eduardo Coutinho tendem a ser mais surpreendentes e interessantes, e também porque seus documentários eliminam qualquer tipo de cena “encenada” –e há muitas encenações em “Crônica de um Verão”.
Por outro lado, nos filmes de Eduardo Coutinho os personagens raramente se encontram para uma conversa coletiva; só falam, na maior parte do tempo, com o diretor. Em “Crônica de um Verão”, há vários “debates” entre as personagens.
Um deles, no final do filme, é especialmente amargo e como que destrói algumas das expectativas fraternas que se iam criando no espectador. Os vários entrevistados assistem a uma primeira cópia do documentário, e dão suas opiniões sobre os “colegas” de entrevista. Uma mulher considera a outra entrevistada “insuportável”, e diz, na presença da própria, que não agüentaria ficar um minuto ao lado dela. Todos, ou quase todos, malham furiosamente o filme.
Não era apenas 68 que se prefigurava ali; o que veio depois também está anunciado.

cena de " Chronique d' un été"
Escrito por Marcelo Coelho às 09h49
Só mais um comentário. O aborto também é criminalizado; não tenho certeza se uma marcha em favor do aborto iria despertar tamanha comoção policial.
Escrito por Marcelo Coelho às 09h30
Pelo jeito, os tempos em que a maconha era chamada de “erva maldita” ainda estão longe de ter passado.
Pouca gente participou da “Marcha da Maconha” neste fim-de-semana, e menos gente ainda manifestou apoio público à iniciativa.
Os videos da manifestação apresentam pessoas pacíficas e razoáveis, levantando argumentos que, com a sumariedade inerente a passeatas e atos públicos, considero de qualquer modo corretos.
A proibição das bebidas alcoólicas nos Estados Unidos serviu apenas ao crime organizado. Nada mais lucrativo –e perigoso—do que associar uma atividade ilegal à produção de algum bem altamente demandado pela sociedade.
O ladrão que rouba e revende ao receptador se insere num circuito mais ou menos restrito; o vendedor de artigos falsificados já está comprometido com uma cadeia de produção mais complexa; o pequeno vendedor de drogas não tem como não estar associado a uma grande rede que envolve plantação, refino (no caso da cocaína), compra e venda, proteção armada, corrupção policial...
Sei perfeitamente que o número de dependentes de maconha aumentaria com a legalização. Mas minha preocupação é maior com o tráfico, com a violência que traz consigo; certamente causa muito mais mortes do que o consumo da droga.
Entretanto, parece que falar em legalização de maconha ainda é um tabu horroroso, e o aparato policial em torno da passeata –que apenas defendia a legalização, não o tráfico—era maior do que em qualquer investida e varredura nas favelas e pontos de comércio.
Escrito por Marcelo Coelho às 18h29
Transcrevo um trecho da palestra que dei na semana passada sobre amizade.
Construo uma situação, uma hipótese de como uma amizade pode começar. Vamos supor que alguém esteja num bar, numa sala de aula, em algum lugar qualquer, e veja uma pessoa totalmente desconhecida.
Essas duas pessoas trocam olhares, arriscam um sorriso, algum sinal de comunicação mútua. Pois bem, se o que predomina, nesse momento, é o interesse sexual, uma pessoa estará olhando para a outra, se comunicando com a outra, sem fazer referência a mais nada: olha para a outra pessoa, sorri para a outra pessoa, e espera apenas que no olhar da outra pessoa se reflita um movimento equivalente de interesse.
Imagine-se, entretanto, numa sala de aula, ou num bar, que exista um terceiro indivíduo –um professor, um garçom, um outro freqüentador do bar, um aluno—e que esse terceiro indivíduo tenha dito alguma coisa ridícula, tenha repetido algum hábito já conhecido, tenha entrado, por assim dizer, em algum papel social claramente caricatural.
As duas pessoas se olham novamente: trocam olhares, como no caso da paquera. Mas esse olhar não se esgota no interesse de um pelo outro; esse olhar, de cumplicidade, faz referência a um terceiro, a um outro, que é exterior às duas pessoas que se olham.
Esse olhar, que pode ser correspondido ou não, é diferente do olhar de interesse sexual: é um olhar de amizade. Claro, isso pode ser apenas o primeiro passo para um romance. Mas o fundamental, no caso, é que há um terceiro, uma esfera exterior, uma coisa “de fora”, à qual o olhar de duas pessoas se refere.
Nesse sentido é que eu considero a amizade uma espécie de cumplicidade do bem. Se, numa classe, numa sala de aula, eu “escolho” alguém para trocar esse olhar, no momento em que o professor repete uma besteira, é como se eu soubesse, por algum tipo de sinal, que a pessoa a quem eu dirijo esse olhar está no mesmo estágio de percepção das coisas, pode tão bem quanto eu perceber um traço ridículo que os demais talvez não percebam.
Pessoalmente, eu nunca me senti capaz de ter amizade com alguém sem ter essa instância “exterior” a respeito da qual se pode criar um espaço de cumplicidade, uma espécie de círculo mágico, do qual “os outros” estão excluídos.
Para dar um exemplo, ainda da época de faculdade, havia um professor com quem eu sentia muita afinidade, e que admirava muito. Houve momentos, em sala de aula, que trocamos olhares a respeito de uma intervenção mais desastrada de um aluno. Mas só começamos a ser mais amigos muito mais tarde, depois de eu ter encerrado minha vida universitária, no momento em que pudemos, com liberdade, falar mal –um pouco mal—de colegas meus.
Assim como o uso de palavrões, ou algum comentário sexista, é só a partir de alguma coisa “errada” feita em conjunto que se pode estabelecer algum laço de confiança, algum tipo de atitude que exigirá, posteriormente, de nós dois uma atitude de discrição.
Claro que essa referência a um terceiro, que eu estou simplificando aqui, passa por inúmeros testes, e encontra versões muito mais complexas do que as que eu exemplifiquei.
Pode surgir de situações de perigo comum, ou de empreitadas comuns, contra alguma coisa ou alguém; pode prosperar, frutificar ou não numa amizade longa, ou ir desaparecendo ao longo do tempo, em função de inúmeros outros fatores.
Tudo envolve, naturalmente, uma afinidade de interesses,de modos de vida, de gostos. Mas eu conheço muita gente de quem eu poderia ser amigo, pelos interesses, pelos modos de vida, pelos gostos, e que entretanto não é amiga minha, porque faltou esse tipo de vivência, esse tipo de ocasião em que, de algum modo, um relacionamento recíproco se fecha, ou se reserva um espaço, frente ao mundo exterior, sem entretanto ignorá-lo.
Dificilmente, portanto, eu concordaria com a visão de uma amizade em que uma alma é “espelho” da outra, ou, segundo a definição clássica, em que “uma alma só está ocupando dois corpos diferentes”. Se há espelho, no caso, é como se tivéssemos dois espelhos, em ângulos diferentes, que por alguma razão refletiram o mesmo objeto ao mesmo tempo; e que assim se completam, se criticam, e concordam quanto ao essencial.
Escrito por Marcelo Coelho às 11h35
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PERFIL
Marcelo Coelho nasceu em 1959, é membro do Conselho Editorial da "Folha" e escreve semanalmente na "Ilustrada" desde 1990.
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