flip na internet
http://flip.oi.com.br/index.html
Domingo, às dez da manhã, participo de uma mesa na Flip, com os psicanalistas e escritores Pierre Bayard e Contardo Calligaris. Pelo link, parece que vai dar para acompanhar na internet.
Escrito por Marcelo Coelho às 23h40
Reproduzo sem comentários, mantendo a pontuação, o segundo parágrafo de uma matéria sobre o Capitão América, publicada no número de abril deste ano do jornal-laboratório “Contraponto”, do curso de Jornalismo da PUC-SP.
Criado no final de 1941, na mesma época em que os Estados Unidos entravam na Segunda Guerra Mundial, o personagem vestia as cores da bandeira de seu país, e na capa de sua primeira edição, aparecia nocauteando o nazista alemão Adolf Hitler. O Capitão refletia assim a determinada situação sócio-econômica da época, era a síntese da ideologia militarista norte-americana: um herói intervencionista, que toma a justiça pelas próprias mãos, contra governos estrangeiros que representariam o mal, e sua única arma (um escudo) representaria a idéia de que o governo dos EUA só atacam para se defender, é a polêmica da “guerra pela paz”.
Escrito por Marcelo Coelho às 23h25
pizza do milênio
No dia 10 de julho, comemora-se o Dia Nacional da Pizza. Uma empresa, de nome Conicos, envia o release de uma nova modalidade do produto, que permite maior portabilidade em eventos como jogos de futebol, shows de rock e manifestações políticas; afirmam que o novo formato também garante a preservação da temperatura do recheio. Será brincadeira ou existe mesmo? Veja a foto.

Escrito por Marcelo Coelho às 14h03
fotos de todos os tipos
http://bestpicever.com/
Pode-se perder um bom tempo neste site, onde as coisas mais curiosas aparecem; de um anúncio de Viagra ao jogo de sombras numa multidão careca.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h16
os livros da amazon em prateleiras
http://zoomii.com/#home
Não sei se é prático, mas é maravilhoso como tecnologia e gostoso de ver. Neste site, que tem link direto com a Amazon, você pode passear pelas prateleiras de uma livraria com o mouse, vendo capa a capa o que lhe parecer interessante. Livros "reais", prateleiras "reais", no computador.
Escrito por Marcelo Coelho às 23h24
Se você acha perigoso andar pelas ruas de São Paulo ou do Rio, pense que tudo pode ser muito pior. Segundo reportagem de Frank Bures publicada na revista Harper’s de junho , qualquer pessoa que estiver em Lagos, na Nigéria, pode correr sério risco de linchamento por uma razão muito... irracional.
É que periodicamente surgem entre os nigerianos surtos de uma espécie de psicose. O cidadão acredita que seu próprio pênis está desaparecendo; sente um súbito encolhimento do órgão genital, prenúncio de sua progressiva aniquilação no rumo de um buraco negro. Atribui o fenômeno à feitiçaria, e identifica num passante –ou na pessoa sentada à sua frente numa sala de espera, por exemplo—o responsável pelo malefício. Dá o grito de alarme, e o acusado fará bem em fugir rapidamente: o linchamento vem antes que alguém possa pronunciar “psicose paranóide coletiva”.
Quando a polícia chega, e tenta controlar o homem alucinado pela suposta perda do pênis, ele se recupera; o pênis magicamente volta ao mesmo lugar de onde nunca deveria ter saído.
Na mesma revista, relata-se uma interessante pesquisa entre homens que mudaram de sexo. A exemplo dos amputados, eles podem ter ereções imaginárias. É o membro fantasma, como naqueles casos de pessoas que perderam a perna e continuam a sentir coceiras e dores onde não existe mais nada.
Não há explicações confiáveis para a síndrome do pênis desaparecido entre os nigerianos; surtos parecidos já ocorreram na Tailândia. Nas aldeias da província de Guangdong, China, calcula-se que foram cerca de cinco mil casos de homens tentando prender desesperadamente o pênis ao próprio corpo, com medo de que ele fugisse. Usaram até alfinetes de segurança.
Psicanalistas terão muito o que discutir nesse caso. Penso numa hipótese mística: o pênis “roubado” teria transmigrado, da Tailândia ou da Nigéria, para o corpo dos transsexuais recém-operados na Finlândia ou na Califórnia, que passam a senti-lo como se não tivessem feito a cirurgia.
Escrito por Marcelo Coelho às 22h19
Mais Machado de Assis
Outro lançamento em que estou metido. É que o Instituto Moreira Salles fez uma edição dupla de seus Cadernos de Literatura Brasileira, dedicada a Machado de Assis. O número vai ser lançado na Flip. Há textos de Antonio Candido, Carlos Heitor Cony, Alfredo Bosi, Cristóvão Tezza e Hélio Guimarães, entre outros.
Meu artigo analisa três fotos “clássicas” de Machado de Assis, e questiona um pouco os clichês em torno do “bruxo do Cosme Velho”. Mais fotos aparecem num ensaio fotográfico de Edu Simões, que vê no Rio de Janeiro contemporâneo os traços do Rio machadiano.
O Instituto Moreira Salles fará também uma exposição sobre a cidade de Machado de Assis. Primeiro abre no Rio, depois deve vir para São Paulo.
Para o segundo semestre, o IMS promete o mais completo volume iconográfico sobre o escritor, organizado por Hélio Guimarães e Vladimir Sachetta.
Escrito por Marcelo Coelho às 19h04
Capitu mandou flores
http://
Data: 10/07/2008 - Hora: 19h30
Local: Livraria da Vila: Fradique Coutinho, 915
Participei de um antologia de contos organizada por Rinaldo Fernandes, em que vários autores trataram de “reescrever” contos de Machado de Assis. Vou viajar na semana que vem, de modo que não estarei no lançamento, marcado para dia 10 de julho, quinta-feira, na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915), a partir das 19h30.
O conto em que me baseei foi “Teoria do Medalhão”; cheguei a postar uns trechos aqui. “Capitu mandou flores” inclui dez contos de Machado de Assis (‘Missa do Galo’, ‘A Cartomante’, ‘O Espelho’, ‘Noite de Almirante’, ‘A causa secreta’, ‘Pai contra mãe’, ‘O Alienista’, ‘Uns braços’, ‘O Enfermeiro’ e ‘Teoria do medalhão’) escolhidos como os melhores do autor numa enquete entre escritores realizada por Rinaldo Fernandes. Foram “reescritos” por autores como Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles, Fernando Bonassi, Glauco Mattoso, Daniel Piza e Bernardo Ajzenberg. O livro também traz ensaios sobre Machado de Assis.

Escrito por Marcelo Coelho às 18h37
No ensaio-manifesto Famílias, Amo Vocês, do filósofo e ex-ministro da Educação (governo Chirac) Luc Ferry, há referências terríveis ao descuido de que eram objeto as crianças antes do século 18. Ele lembra que mesmo Montaigne, um espírito absolutamente adiante de seu tempo, ligava tão pouco para os próprios filhos bebês que não se lembra, ao certo, de quantos deles morreram ao serem amamentados por amas-de-leite. E acrescenta:
a contratação de uma ama-de-leite, que servia de um quinto a um sexto dos recém-nascidos no século 18, significava muitas vezes uma pura e simples condenação à morte. Os números, aliás, falam alto: na última metade do século 18, entre 62% e 75% das crianças deixadas com amas-de-leite morriam antes de completar um ano de idade! [mas quantas morriam quando cuidadas pelas próprias famílias? Ferry não diz.] Essas “pequenas mortes” não pareciam perturbar nem a família, nem a sociedade, nem as amas-de-leite mercenárias: Jean-Louis Flandrin cita o caso de uma em especial que, em 20 anos de carreira, teve 12 protegidos e não devolveu um único com vida, sem que o fato chocasse quem quer que fosse. Pode-se imaginar com que rapidez e severidade tal ama-de-leite seria julgada nos dias de hoje!
...Sob a mesma perspectiva, François Lebrun cita como perfeitamente autêntica e real essa descrição de época das condições em que os recém-nascidos abandonados no interior eram encaminhados ao grande hospital [asilo?] parisiense: “É um homem que carrega em suas costas as crianças recém-nascidas, dentro de uma caixa acolchoada em que podem caber três. Elas são colocadas de pé com suas roupas, respirando o ar pelo alto. O homem só para na hora das próprias refeições e para fazê-las mamar um pouco de leite. Quando ele abre a caixa, encontra muitas vezes uma delas morta e termina a viagem com as duas outras, impaciente para se livrar de sua carga. Depois de deixá-las no hospital, ele imediatamente parte de volta, para retomar a mesma atividade, que é o seu ganha-pão”.
O trecho citado por Ferry está em The Kindness of Strangers: The Abandonment of Children in Western Europe from Late Antiquity to the Renaissance.
Enquanto isso, a Santa Casa de Belém do Pará começa a ser investigada pela morte de vinte crianças em menos de dez dias na UTI neonatal. Só num fim-de-semana, foram 12; as autoridades declararam que os números são compatíveis com as taxas aceitas pela Organização Mundial de Saúde; o presidente da instituição, contudo, já renunciou.
Escrito por Marcelo Coelho às 23h42
Registro o que pode ter sido um efeito interessante das últimas investidas da Justiça Eleitoral sobre a liberdade de imprensa.
A revista “Veja São Paulo” andava colocando em suas capas o rosto de candidatos à prefeitura, na linha do “Por que quero ser prefeito de São Paulo”. Fez isso com Alckmin, Marta e Kassab.
Chegou a vez de Maluf nesta semana. Em circunstâncias normais, talvez a capa fosse para Maluf; uma revista como “Veja São Paulo”, a exemplo de “Folha” e “Estado”, estaria zelando por uma eqüidade de tratamento jornalístico.
Verdade que Maluf hoje em dia está bem mais atrás nas pesquisas; em todo caso, uma capa com ele não seria absurda, dado o fato de já ter sido prefeito, de contar com um número de seguidores fiéis, de ser, afinal, sempre notícia.
Mas “Veja”, assim como “Estado” e “Folha”, foi processada absurdamente por entrevistar candidatos antes do período determinado pelo TRE, em nome de uma teórica igualdade de chances para todos os concorrentes à prefeitura.
O processo é tão equivocado que terminou acentuando, digamos assim, o empenho de "Veja São Paulo" em se mostrar independente –e de tratar desigualmente, como é seu direito, os candidatos. Maluf não foi para a capa; um editorial contundente explica por que a revista, afinal, não considera Maluf uma boa opção para a prefeitura.
Querendo impor uma isenção jornalística por meio de decisões burocráticas e inconstitucionais, a Justiça Eleitoral terminou até diminuindo a isenção corriqueira, profissional, da revista, que expressou com muito mais força do que habitualmente a sua opinião sobre um dos candidatos.
Escrito por Marcelo Coelho às 23h12
Li no Diário de Hélène Berr --já comentado num artigo—um trecho terrivelmente comovente.
Terça-feira, 9 de novembro de 1943
Levei esta manhã ao [hospital] Enfants-Malades uma garotinha de 2 anos e meio, ela parece uma arabezinha. Chorava o tempo todo no hospital chamando pela “mamãe” instintivamente, automaticamente. Mamãe, esse grito que surge nos lábios espontaneamente quando sofremos ou quando estamos tristes. Quando distingui essas duas sílabas em meio ao seu choro, estremeci.
A mãe e o pai foram deportados [para Auschwitz], ela não passa de um bebê, e mesmo assim vieram prendê-la! Ficou um mês no campo de Poitiers.
Policiais obedeceram à ordem de prender um bebê de 2 anos, de colo, para interná-lo. É a prova mais pungente do estado de embrutecimento, da perda total de consciência moral em que vivemos. Isso é o mais desesperador.
Não é desesperador saber que eu, com minha reação de revolta, sou uma exceção, quando pessoas que conseguem fazer essas coisas é que deveriam as anormais?
É de novo a mesma história do inspetor de polícia [francês] que respondeu à senhora Cohen, na noite de 10 de fevereiro, quando veio prender treze crianças no orfanato, a mais velha com 13 anos e a mais nova 5 (crianças cujos pais haviam sido deportados ou estavam desaparecidos, mas precisava-se delas para completar um comboio de mil no dia seguinte): “O que a senhora quer? Eu apenas cumpro o meu dever!”
Que se chegue a considerar o dever como algo independente da consciência, independente da justiça, da bondade, da caridade, é a prova da inanidade de nossa suposta civilização.
No caso dos alemães, já faz uma geração que se trabalha para embrutecê-los novamente (trata-se de um retorno periódico). Neles, a inteligência é algo morto. Mas podia-se esperar que entre nós fosse diferente.
Isso foi em 1943, e coisas desse tipo não seriam feitas legalmente na Europa. Mas agora merece exame a nova lei de imigração aprovada pelo Parlamento Europeu que prevê detenção de crianças –mesmo desacompanhadas--, para deportá-las para outros países. Janio de Freitas escreveu sobre o tema num forte artigo para a Folha.
O texto integral da resolução é longo e complicado, fazendo referências a outros documentos (procure o link no final deste comunicado oficial).
Há quem lembre que a deportação nesse caso, visaria a coibir, por exemplo, o tráfico de menores para fins de exploração sexual. O que fazer com esses menores "traficados"? Mandá-los de volta? São detidos até que se encontrem suas famílias? Será que querem voltar?
Naturalmente, prevê-se que as crianças serão mantidas (enquanto não as deportarem) em “instalações adequadas”, e que será levado em conta o “interesse superior da criança” no caso de repatriamento. Pelo que entendi, não se separam crianças de seus pais; a detenção e deportação de menores desacompanhados se dá para aquelas que já estão sem os pais. Como saber na prática? E os pais que se escondem para não ser deportados também? Seriam as crianças reféns nesse processo? Só tenho perguntas. A lei também considera a possibilidade de que surjam casos de imigração em massa, o que dificultaria um pouco a logística do processo e a "qualidade do atendimento" às crianças...
Na prática, imagino que logo aparecerão fotos, reportagens e documentários sobre a sorte dessas crianças que ninguém quer; e depois ninguém mais falará no assunto.
Escrito por Marcelo Coelho às 14h47
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