Marcelo Coelho

Cultura e crítica

 

lei seca

O artigo de hoje na Ilustrada (assinantes podem ler aqui) apóia a tolerância zero na questão; eu deveria ter citado o artigo de Luiza Nagib Eluf, que saiu na segunda-feira, apresentando um argumento semelhante ao meu. Leia aqui. E vai também uma ilustração, que apesar de bastante pop, acho que não fica fora de propósito. Foi encontrada no site knuttz, verdadeiro manancial (epa) de imagens bizarras (hoje eles publicam um fusca feito de madeira), ideal para quem gosta de se dispersar pela internet.

Escrito por Marcelo Coelho às 11h55

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"Veja": veremos

Como reclamo com certa freqüência da revista “Veja”, faço algumas observações positivas (e outras nem tanto) sobre a edição desta semana.

 

Os destaques –a reforma gráfica e o suplemento sobre Pequim—me pareceram ok, mas não são assuntos que me mobilizem muito.

 

O que me deixou realmente grato foi uma matéria sobre a Rodada Doha, para mim o símbolo máximo do assunto chato em jornalismo; uma reportagem de Ronaldo França me fez finalmente entender a importância do caso; recomendo.

 

Ficou também ótima a crônica de Diogo Mainardi, falando dos filhos com o mesmo desbocamento que tantas vezes dirige a seus adversários políticos. Ele reclama, com muita graça, dos efeitos trazidos pelo excessivo convívio com filhos pequenos:

 

Minha vida e a de meus filhos são aborrecidos como um programa educacional da TV canadense. Os acontecimentos mais prosaicos acabam ganhando uma utilidade pedagógica. Qual é mais alto: o prédio de tijolos brancos ou o prédio de tijolos vemelhos? Eram dezoito paradas de metrô até Coney Island: se já fizemos sete, quantas faltam?

 

Sei bem como é isso, e o quanto os nossos próprios programas culturais terminam se submetendo às prioridades das crianças.

 

Entretanto, nem todas as questões propostas pelos filhos pequenos, ou as que propomos a eles, são banais. Muitas vezes, tenho de fazer uma grande ginástica mental para responder às perguntas elementares de meu filho menor. Ele está numa fase de pedir definições das coisas: “o que é por exemplo?” “o que é orgulhoso?” E outro dia veio com uma dúvida que custei a entender, mas depois percebi que era de ordem gramatical: “por que que quando tem um menino e uma menina é eles?”

 

Gosto também, quando leio uma historinha para o meu filho mais velho, de fazer perguntas que treinem a sua capacidade de antecipar o enredo ou de perceber motivações ocultas no comportamento dos vilões. É um bom treino se ele quiser virar jornalista ou crítico. Claro que sem exageros.

 

Sou leigo em economia, mas fiquei com algumas dúvidas com relação a outra matéria da revista. “Veja” faz uma comparação entre o aumento dos gastos públicos (38% de 2003 a 2007), o aumento da arrecadação (40% no mesmo período) e o PIB (cresceu só 20%).

 

Conclui que “esse descompasso, em termos simples, significa que o estado brasileiro abocanhou para si uma fatia maior do bolo da economia, sugando o dinheiro que podia ser mais bem gasto pelas famílias e pelas empresas”. Ao lado de um gráfico, acrescenta: “as despesas do setor público federal e a arrecadação tributária engolem uma parcela cada vez maior da economia brasileira”.

 

Posso estar errado, mas não entendi como os gastos de um governo podem engolir dinheiro da sociedade. Se o governo está gastando, ele está jogando dinheiro fora, ou seja, colocando-o novamente em circulação na economia. A única coisa a reclamar seria que ele arrecada mais do que gasta, pois aí sim ele tira dinheiro da gente para ficar com o dinheiro para ele. Mas não é exatamente isso o que vivem querendo que o governo faça? Arrecadar mais do que gasta?

 

Sem contar que nesse cálculo não se sabe qual a proporção dos gastos em investimento e quais os gastos no pagamento dos juros da dívida pública. Destes, se reclama bastante, e com razão. Mas, pelo que ouço dizer, é justamente para baixá-los que interessa arrecadar mais e gastar menos.

 

Pode-se criticar a irracionalidade dos gastos do governo, e o excesso de arrecadação. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. O texto de “Veja” embolou tudo, acho eu.

 

De qualquer modo, noto que nas últimas duas semanas o tom da revista anda para lá de positivo, mostrando, na semana passada, um Brasil que progride, e, nesta, uma perspectiva demográfica que só pode ser entendida como uma boa notícia para o futuro.

 

Veremos.  

Escrito por Marcelo Coelho às 19h29

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efeito bocão

Recebo por e-mail o release de uma companhia de cosméticos, anunciando um modo fácil de obter o “Efeito Bocão” (termos do próprio release). Trata-se, imagino, daqueles lábios projetados para a frente, no estilo Angelina Jolie. Algumas mulheres recorrem a implantes e injeções para consegui-los. A ciência, entretanto, progride, pelo visto. E o texto possui, digamos, brilho próprio:

 

 

Um ícone da beleza feminina, os lábios sempre receberam uma atenção especial dos maquiadores e mulheres do mundo inteiro.

 

Motivo de furor entre o público feminino, os lábios volumosos são lindos e atraentes e, cada vez mais, são desejados pelas mulheres!

 

A contém1g apresenta o lançamento irresistível: Magnify Brilho Labial

 

Lábios volumosos e com um brilho irresistível em minutos!

Seguindo os novos avanços da tecnologia cosmética, a contém1g apresenta o Magnify Brilho Labial.

Desenvolvido através de um processo biotecnológico com Ácido Hialurônico, proporciona um “efeito plumping” de forma rápida, temporária e sem causar desconforto após a aplicação.

 

No Magnify Brilho Labial contém1g, as moléculas de Ácido Hialurônico encontram-se encapsuladas em microesferas desidratas. Essas microesferas agem como uma esponja que absorve e retém a umidade natural da pele, causando um crescimento em seu tamanho. Através deste efeito óptico, obtém-se um resultado visível de lábios volumosos, com a aparência das linhas superficiais minimizadas, além de contribuir na hidratação.

 

Resultados comprovados através de testes clínicos:

-        Após 1 hora, 73% das mulheres apresentaram aumento no volume dos lábios.

-        Após 2 horas, 80% das mulheres apresentaram aumento no volume dos lábios.

 

Curiosas algumas formulações do texto, sugerindo que o "bocão" é desejado pelas mulheres... O desejo masculino está esquecido nesse texto. Talvez porque os truques de cosmética nem sempre ajudem nessa área.

 

 Angelina Jolie: essa boca pode ser sua.

 

Escrito por Marcelo Coelho às 18h40

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O livro do chá

O livro do chá

Resenhei para a Ilustrada de sábado (assinantes podem ler aqui) uma linda novela de Yasunari Kawabata, “A Dançarina de Izu” (ed. Estação Liberdade). Ainda na onda japonesa deste ano, acabo de ler O Livro do Chá , de Kakuzo Okakura (1862-1913).

 

Segundo o prefácio desta edição, trata-se de “um esforço pioneiro no sentido de construir uma ponte cultural entre o Oriente e o Ocidente”. Foi escrito em 1906, diretamente em inglês, como introdução para leigos a alguns segredos da estética japonesa, que a cerimônia do chá sintetiza de várias maneiras.

 

A arquitetura do aposento destinado à cerimônia, o caminho que a ele conduz, os arranjos florais, os utensílios, tudo segue padrões estritos de gosto e discrição.

 

O aposento do chá é totalmente vazio, exceto por algum item que nele pode ser colocado temporariamente para obedecer a algum tipo de inclinação estética. Um objeto de arte especial é trazido para a ocasião, e tudo o mais é escolhido e arrumado para realçar a beleza do tema principal (...) Para um japonês, habituado à simplicidade em matéria de ornamentação assim como à freqüente mudança de métodos decorativos, o interior ocidental permanentemente repleto de uma vasta série de pinturas, estátuas e bricabraques dá a impressão de mera e vulgar ostentação de riqueza.

 

Infelizmente, essa estética “moderna” e “clean”, tão nova para o leitor ocidental em 1906, não é seguida à risca na escrita do autor, que muitas vezes parece floreada e hiperbólica:

 

Por que as flores nasceram tão belas e, ainda assim, tão indefesas? Insetos são capazes de ferroar e até mesmo o mais manso dos animais lutará quando acuado. O pássaro cuja pluma é almejada para adornar um toucado pode voar longe de seus caçadores, o animal cujo pêlo você cobiça pode se esconder à sua aproximação. Mas... ah! A única flor que sabemos ter asas é a borboleta; as demais se quedam indefesas perante o destruidor. Se gritam em sua agonia mortal, os gritos nunca alcançam nossos ouvidos empedernidos.

 

E por aí vai.

 

Ao mesmo tempo, vale destacar o interesse (e o bom senso) de várias explicações do autor:

 

Desde que o zen se tornou a corrente do pensamento predominante, a arte do Extremo Oriente evitou intencionalmente a simetria por considerá-la expressão não somente de completude, como também de repetição. A uniformidade de um desenho era considerada fatal para o viço da imaginação.

... No aposento do chá, o temor da repetição é presença constante. Os diversos objetos de decoração devem ser selecionados de modo que nenhuma cor ou desenho seja repetido. Se você tem uma flor viva no aposento, uma pintura de flores não é admissível. Se você usa uma chaleira redonda, o jarro de água deve ser angular. Uma xícara preta brilhante não deve ser associada a uma caixa de laquê [laca?] preto.

... Em casas ocidentais, confrontamo-nos com freqüência com algo que nos parece reiteração inútil. Com isso nos deparamos quando tentamos conversar com um homem enquanto, por trás dele, seu retrato de corpo inteiro nos contempla (...) Quantas vezes nos sentamos a uma mesa de banquete e contemplamos, com um secreto sobressalto prejudicial à nossa digestão, a representação da fartura nas paredes da sala de jantar. Qual o sentido destes retratos de vítimas da caça e do esporte, destas elaboradas esculturas de peixes e frutas? Por que a exibição de pratos da família a nos lembrar aqueles que comeram e que agora estão mortos?

 

 

Interior da mansão de Robert Mugabe, segundo informações não-confirmadas que circulam na net.

Escrito por Marcelo Coelho às 01h10

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audiolivros

audiolivros

http://www.universidadefalada.com.br/produtos.php?id_pai=79

escrevi um artigo há tempos sobre o que fazer num congestionamento de trânsito. Alguns clássicos da literatura brasileira podem ser baixados no site acima.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h32

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Uma surpresa no espelho

E por falar em espelhos, uma notícia incrível no “New York Times”. Você sabia que a imagem do seu rosto no espelho tem a metade das dimensões do seu rosto real?

 

Eu fiz um teste. Encoste a mão direita, com a palma paralela ao chão, na testa da imagem que você vê no espelho; encoste a mão esquerda, do mesmo modo, na ponta do queixo. Aproxime agora as duas mãos, mantendo a distância entre ambas, do seu rosto de verdade. Surpresa: seu rosto real é muito maior. Boa cura para quem sofre de complexo de inferioridade.

 

Notícia completa aqui 

Escrito por Marcelo Coelho às 19h20

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Borges, segundo Beatriz Sarlo

Um bocado decepcionante o livro de Beatriz Sarlo, Jorge Luis Borges, Um Escritor na Periferia (ed. Iluminuras). A autora é a mais celebrada crítica literária da Argentina, e vários de seus livros já foram publicados aqui. Esse seu estudo sobre Borges, o primeiro livro dela que leio, baseia-se numa série de conferências pronunciadas na Universidade de Cambridge, em 1992.

 

Será que o contexto prejudicou o conteúdo? De alguma forma, a autora parece não saber qual a extensão dos conhecimentos da platéia a que se dirige. Dois ou três capítulos/conferências do livro terminam basicamente parafraseando alguns dos contos mais conhecidos de Borges, e, sinceramente, já era tempo de se parar de contar pela enésima vez aos interessados a idéia básica de histórias como “Funes, o Memorioso”, “A Biblioteca de Babel”, “O Aleph”, ou “A Loteria da Babilônia”.

 

Ainda mais quando se quer pespegar a esses contos um bocadinho de teoria francesa de algibeira, do tipo da que todos também conhecem. Por exemplo: aproximar a arquitetura da Biblioteca de Babel ao “panóptico” de Bentham, com a obrigatória, ritual menção a “Vigiar e Punir”,  de Foucault, não acrescenta nada ao entendimento do conto; é apenas uma reverência acadêmica, um verniz bastante gasto a ser repassado nas velhas botinas a caminho de Cambridge.

 

 

Valeria, isso sim, uma análise mais próxima do texto, coisa que Roberto Schwarz (com quem a autora costuma ser comparada) sempre faz com imenso proveito e inesgotáveis descobertas quando já não se esperam mais novidades de seus retornos a Machado de Assis.

 

O mesmo verniz “de exportação” aparece quando Beatriz Sarlo invoca a “dobra” deleuziana num parágrafo, para abandoná-lo logo em seguida. Ou o conceito é operativo o bastante para criar uma nova leitura de Borges, exigindo desenvolvimento real, ou então serve para pouquíssima coisa além de constar como um engaste decorativo na análise.

 

Complexo de inferioridade diante da célebre instituição universitária britânica? Nos primeiros capítulos, tudo indica que sim. Beatriz Sarlo quer mostrar aos ingleses que Borges não é apenas um escritor da literatura universal (coisa que ela felizmente não nega) mas também, o que lhes terá passado despercebido, um escritor profundamente argentino, às voltas com a herança literária de seu país.

 

Não se pode dizer que não seja informativa a sua exposição sobre as relações entre Borges e Lugones (este o “literato” institucional, à moda, talvez, de Bilac no Brasil), e entre Borges e Güiraldes (este, o “mitólogo” da antiga sociedade patriarcal).

 

Mas a tentativa de colocar a literatura de Borges dentro do contexto social argentino é bastante abstrata: todo o pano-de-fundo histórico traçado no início do livro diz pouco sobre a particularidade do sistema de classes do país, e sobre a sua inserção no contexto internacional (básica, a meu ver, para o próprio tipo de universalidade alcançada pelo autor). Tudo se limita, na verdade, à velha rapsódia em torno da “modernização” e de suas conseqüências –vida urbana agitada, esboroamento das antigas certezas da sociedade tradicional, etc.

 

Modernização, entretanto, explica tudo: uma estética expressionista, uma estética surrealista, Kafka, Joyce, Proust... e Borges, se quisermos; o particular social, o particular argentino, que Beatriz Sarlo quer descobrir na obra de Borges, desaparece assim num processo social genérico, tão presente em Borges quanto em John Dos Passos ou Ionesco, se for para lembrar dois antípodas; a sociologia literária de Beatriz Sarlo faz mais pela universalização do autor do que ela própria gostaria.

 

Por isso mesmo, depois de falar vagamente do contexto social de Borges, a autora termina por retornar aos velhos clichês –labirintos, espelhos, etc.— que nenhuma análise dos contos fantásticos do autor consegue preterir. Sintomático desse clichê universalista, e do peso da camisa “cambridgeana” sobre a conferencista, não há duas páginas em que Sarlo não repita a expressão “en abîme”, “mise en abîme”, para se referir ao clássico procedimento do conto que fala de um conto que fala de um conto, ou do quadro no qual está pintado um quadro em que há outro quadro, coisas desse gênero.

 

Obviamente, o fascínio pelos espelhos, labirintos e “abîmes” é parte essencial da literatura de Borges. Mas o que a “mise en abîme” teria de comum com a experiência social da elite argentina? Não haveria, na metáfora aterrada do espelho, o inconsciente típico de uma Buenos Aires imitando Paris –e da impossibilidade de isso ser real? Teríamos de analisar com mais detalhe a coincidência entre temas e contextos na obra de Borges, e o livro de Beatriz Sarlo não vai muito longe nessa direção.

 

Omito, contudo, um ponto importante da argumentação da autora, que justamente aponta para essa coincidência entre contexto social e tema borgiano. O autor de “Ficciones” teria construído, para Beatriz Sarlo,

 

“uma literatura que pode ser lida como resposta racionalista à desordem que ele percebeu em seu século (...) A busca de uma ordem impossível mas desejada e a certeza de que toda ordem tem conseqüências desconhecidas e terríveis se unem na inquietante serenidade de sua escrita.”

 

A conclusão mira na direção correta, mas o tiro saiu muito descalibrado. Seria imaginar um Borges vagamente social-democrata, uma espécie de esquerdista desenganado, como certamente é o caso de Beatriz Sarlo. No renitente conservadorismo político de Borges, a “busca da ordem” não parece ser equivalente a essa “busca de uma ordem impossível mas desejada”, típica do pensamento de esquerda.

 

E certamente a desordem que Borges percebeu no seu século não tem uma resposta “racionalista” em sua literatura. Parece muito mais plausível dizer que a maioria de seus contos contém uma crítica ao racionalismo. Todas aquelas tentativas de sistematizar o acaso, de representar a realidade com máximo rigor, que são ironizadas na obra borgiana, e para as quais Beatriz Sarlo chama a atenção, constituem uma investida irônica –aí sim, plenamente argentina e latino-americana— contra as esperanças da Razão.

 

Que estas esperanças se confundam com a idéia de Cópia, de Espelho, de Representação, é provavelmente fruto da experiência de viver numa Buenos Aires europeizada, quadriculada, centrípeta; eis provavelmente o labirinto, e o espelho, em que a literatura de Borges se debate.   

Escrito por Marcelo Coelho às 18h25

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Pausa

Lamento não ter postado mais nada... tive de adiantar uns textos para o jornal, porque na semana que vem fico desconectado. Espero chegar com coisa escrita na volta. Até lá.

Escrito por Marcelo Coelho às 02h19

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"Por toda a minha vida"

Acabo de assistir, na Globo, o programa “Por Toda a Minha Vida”, dedicado nesta semana a Dolores Duran. Semana que vem, será a vez de Chacrinha ser o biografado.

 

Achei ótimo o programa, emocionante na medida certa, sem medo de alongar-se na reprodução de músicas completas da cantora, e dispondo de muito material de arquivo.

 

Desta vez, acho que o know-how da Globo em matéria de novelas e minisséries (especialmente aquelas históricas, tipo “Os Anos JK”) foi empregado com sabedoria, gosto e critério.

 

É que as entrevistas com remanescentes daquela época (final dos anos 50) alternam-se com dramatizações em estilo de novela, com atores e atrizes encarnando –com boa, às vezes ótima, semelhança física—personagens como Antônio Maria ou o jovem Tom Jobim. O destaque, naturalmente, cabe à atriz que interpreta Dolores Duran, ao mesmo tempo parecida com a cantora e bem mais bonita, como é de se esperar numa novela...

 

Sobretudo, Nanda Costa transmite simpatia e simplicidade num papel que facilmente poderia resvalar para o melodrama; o recurso de apresentá-la cantando bem de perto, em preto-e-branco, com playback da própria Dolores Duran, de início parece um pouco artificial, mas à medida que o programa prossegue vamos ficando convencidos de que ela é mesmo Dolores Duran –tal como a passagem do tempo depura e embeleza o que já não existe mais.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h58

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"Veja" e os holofotes

Psicanálise é pau para toda obra, mas não resisto a comentar a capa da “Veja” desta semana.

Apresenta a foto de Daniel Dantas, manipulada de modo a parecer com um boneco de ventríloquo.

A idéia é especular sobre as revelações que ele é capaz de fazer.

O inconsciente de “Veja” teria agido, entretanto, de outro modo.

Correm na blogosfera acusações de que a revista se prestava a vocalizar o lobby de Daniel Dantas.

“Veja” seria, segundo essas interpretações, o boneco de ventríloquo do banqueiro.

Daí o procedimento de fazer do manipulador o manipulado.

Procedimento inconvicente, dado o poder de Dantas.

Ele é capaz, acho, de criar uma crise institucional, de intimidar o ministro da Justiça, de fazer uma onda enorme em torno do abuso da autoridade --que termina no afastamento dos delegados encarregados de seu caso--  e de colocar ínclitas figuras (!) como José Eduardo Martins Cardoso e Luiz Eduardo Greenhalg sob os holofotes violentos (!) da “mídia”.

Escrito por Marcelo Coelho às 16h18

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seres da noite

Mais uma curiosidade em termos de programa notívago:

Dia dos Vampiros na Pró-Sangue - Dia 13 de agosto

Dia dos Vampiros na Pró-Sangue — Dia 13 de agosto, a Fundação Pró-Sangue será "invadida" por vampiros. Eles vão comemorar a data doando sangue. E para que o Dia dos Vampiros seja ainda mais interessante, além de surpresas, vários "seres" de preto, como a própria LIZVAMP, estarão no Posto Clínicas. O Dia dos Vampiros foi criado pela atriz/escritora Mariliz Marins (criadora e intérprete da Vampira LIZVAMP, filha do Zé do Caixão).

 
A data visa incentivar o hábito da doação de sangue, e desmistificar rótulos e preconceitos de todos os tipos. Este é o quarto ano da campanha. Em 2004, as doações voluntárias aumentaram 29% em relação a 2003. Neste ano, espera-se um número ainda maior. Os "vampiros" querem sangue, sim, mas para doá-lo as pessoas que necessitam dele! Para doar sangue é preciso ter entre 18 e 65 anos, pesar no mínimo 50 kg, apresentar documento de identidade, estar alimentado e em boas condições de saúde. A Fundação Pró-Sangue, Posto Clínicas, fica na Av. Dr. Enéas Carvalho de Aguiar, 155, 1º andar, a 200 metros do Metrô Clínicas. Funciona de segunda a sexta, das 7 às 19 horas, e aos sábados, domingos e feriados, das 8 às 18 horas.O estacionamento, gratuito aos doadores, é o subterrâneo da Estapar - Garagem Clínicas, na Av. Dr. Enéas Carvalho de Aguiar. Para informações sobre como doar e endereços dos postos, Disque Pró-Sangue, 0800-55-0300.

Escrito por Marcelo Coelho às 15h59

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Prazeres noturnos

“Inventem-me um novo prazer”, dizia um personagem em não sei que romance decadentista. Os produtores culturais de hoje não perdem tempo. Registro aqui duas idéias interessantes.

No Centro Cultural São Paulo, nesta sexta-feira, às 20h, haverá um sarau astronômico. A idéia é juntar pessoas no terraço do lugar para ver o céu da cidade, com lunetas (espero que o tempo continue lindo como nestes dias), enquanto artistas recitam poemas e cantam. Rua Vergueiro, 1000.

No dia seguinte, o interessado pode se deslocar para Campinas, onde num shopping haverá um festival gastronômico às escuras. (reservas: 018-3207 0608) Não é preciso ter medo. Quem fizer a reserva no restaurante é instado a avisar dos pratos a que tem ojeriza. O resto será comido de olhos bem fechados.

Bonita essa coincidência: olhos que se abrem para o céu poluído de São Paulo, olhos que se fecham para os prazeres gastronômicos de Campinas.

Mas será que precisamos de tanto prazer assim?

No meu caso, o prazer só vale a pena quando acompanhado de conhecimento. Talvez isso seja o máximo do decadentismo, mas o fato de sair de uma experiência prazeirosa mais sábio do que antes é uma tremenda legitimação.

Legitimação, entretanto, sugere algum tipo de julgamento moral. Precisamente: o prazer, por si só, é amoral, e por isso tendo a reprová-lo. O prazer acompanhado de conhecimento não é um indulto –eu seria moralista se achasse isso— mas sim um fator de avanço, de progresso pessoal. Nada pior do que um prazer que nos deixe no mesmo lugar, ou um pouco mais atrás do que poderíamos ser capazes. Nada mais legítimo (sem moralismo) do que um prazer que nos faça ir em frente.

Pode-se questionar o misticismo, a irracionalidade de conceitos como “progresso”, “avanço”, “frente” e “regressão”. Não acho que sejam irracionais nem místicos. Mas se me perguntarem por quê, não sou capaz de dar a resposta.

Escrito por Marcelo Coelho às 15h55

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Holofotes para todos

Vai aqui o link (para assinantes) do artigo de hoje na Ilustrada. Juntei dois assuntos, o caso Daniel Dantas e o filme "O advogado do terror", que faz um perfil de Jacques Vergès. Este foi o defensor de Klaus Barbie, o carniceiro nazista de Lyon, e de outros monstros do século 20.

Na parte sobre a Operação Satiagraha, critico um pouco a noção de “espetacularização”, invocada pelos que se incomodaram com as cenas televisadas da prisão de Dantas.

 

Certamente, a predominância da linguagem visual, da “cultura do espetáculo”, etc., impõe riscos enormes à privacidade, à imagem de cada pessoa; mais que isso, dificulta o exame racional da realidade. É possível contradizer um argumento, criticar uma frase, mas não se relativiza ou analisa do mesmo modo uma cena de forte impacto emocional.

 

A velha arte da retórica cercava de uma névoa de emoções o argumento discursivo. Sem discurso verbal, as cenas de TV produzem uma espécie de colisão entre emocionalismo e realismo, tornando duplamente complicada a crítica da enunciação.

 

“Espetacularização”, entretanto, virou sinônimo para tudo depois do caso Daniel Dantas. As prisões da PF não foram espetaculares; foram até que discretas. Foram, isso sim, televisionadas. Não acho isso ruim, porque atos de natureza pública devem ser, tanto quanto possível, expostos ao escrutínio público. Prefiro uma polícia agindo diante das câmeras do que uma polícia agindo em segredo.

 

Gilmar Mendes apareceu na revista “Serafina” ao lado de sua mulher, em fotos no puro estilo de celebridade. Dá declarações a torto e a direito. O perigo de quem fala tanto é desgastar a própria imagem. Crítico da espetacularização, poderia fugir mais dos holofotes.

 

Sua entrevista ao lado de Tarso Genro, negando divergências entre o ministério da Justiça e o STF, foi ruim para ambas as partes. A destituição dos delegados, assim como o anúncio de uma revisão na lei sobre abuso de autoridade, desmoralizam as instituições muito mais do que qualquer absurdo cometido pelo dr. Protógenes de Queiroz. Mostram, via satélite, para todo país, o preço de incomodar um banqueiro amigo de petistas, tucanos e pefelistas.

 

Escrito por Marcelo Coelho às 14h00

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voltaire de souza

Algumas crônicas das últimas semanas.

UM SOPRO DE VIDA

 

 

Cuidado. Prudência. Precaução. Com o bafômetro não se brinca.

Genésio estava convicto.

--Deixo o carro na garagem. E parto para a boemia.

A caminhada era curta até o bar Canudo’s..

--Hora de esquentar a garganta.

Coquetéis inovadores eram oferecidos em sistema rodízio.

Tsunami de vinho tinto.Escopeta de limão.Corretivo de vermute.

Passava da meia-noite quando Genésio saiu do bar.

--Estou chumbado... mas quem não dirige nada teme.

Virando a esquina, Genésio topou com uma arrogante autoridade local.

--Já sei. Uma blitz. Isso é o bafômetro? Deixa que eu sopro.

Deu um risinho.

--Não estou dirigindo mesmo...

Não era bafômetro. Era o cano de um revólver. O traficante Julião deu o recado.

--Não é porque está de porre que eu vou tolerar desacato à autoridade.

Quatro doses de chumbo penetraram na garganta de Genésio.

A terra o engoliu sem perguntar pelo teor alcoólico.

A vida humana, por vezes, se extingue num único sopro.

 

 

MORANGOS DE INVERNO

 

O mundo avança. Aos quinze anos, nossas jovens já são doutoras em sexo.

O dr. Bocaiúva lia estarrecido as notícias do jornal.

--Fazem coisas que antigamente...

Estava trêmula a papada do septuagenário.

--Eram desconhecidas do próprio meretrício.

A neta dele se chamava Tatyane.

--Ai, vovô. Você nem é tão velho assim...

O dr. Bocaiúva ficou em silêncio.

--Aposto que no seu tempo também tinha camisinha com gosto de morango.

--Gos- gos- to de moran...?

Um rubor de indignação senil tomou conta das faces de Bocaiúva.

--Olha aqui... trago sempre na bolsa.

As mãos do idoso se agitaram. Ele buscava o remédio para controlar a pressão.

A enfermeira particular se chamava Lisandra e trouxe as gotinhas.

--Toma, doutor Bocaiúva... tem gostinho de morango também.

Mais calmo, ele adormeceu. Sonhos em vermelho e cor-de-rosa o transportam para os tempos longínquos do passado.

No inverno da vida, as frutas mais saborosas são, por vezes, de difícil digestão.

 

AVISO NAS NUVENS

 

Desmatamento. Superpopulação. Explosão demográfica.

Muitas mulheres, contudo, ainda querem ter bebê.

Guaraína estava com dezessete anos.

Gravidez de risco.

--Ainda mais no lugar que eu moro.

Uma distante localidade no interior do Pará.

Os exames tinham de ser feitos na capital do Estado.

A canoa. O ônibus. A caminhada. O barrigão.

Guaraína chegou à porta do hospital sofrendo com o calor.

--Meu Deus. Acho que o menino vai nascer.

Os olhos da jovem se fecharam lentamente.

Entre as copas das árvores e as nuvens, formou-se uma visão.

Vinte e dois anjos saíam lentamente daquela maternidade em pandarecos.

--Não eentraa... não eentraa aííí...

Guaraína despertou assustada. Não precisou saber das mortes de bebês na UTI.

Foi para longe do hospital. Deu à luz numa sarjeta. Na frente da Casa de Carnes Progresso. O açougueiro se chama Isaque e hospeda Guaraína e o filho numa boa.

Para quem quer nascer em Belém, milagres sempre são de grande ajuda.

 

 

 

MANTEIGA TIPO EXTRA

 

Prende. Solta. Prende de novo.

Recursos jurídicos não faltam para quem tem bons advogados.

O dr. Tuquinha tomava café-da-manhã na padaria.

--Não existe Justiça neste país.

Passou mais manteiga na torrada.

--Se fosse comigo... resolvia o caso na hora.

Mais um gole de café amargo. Sem açúcar.

--Justiça rápida e punitiva.

Tocou o celular. Estavam chamando do escritório.

O dr. Tuquinha subiu às pressas o Morro do Balão.

O jovem traficante Cabelo aguardava julgamento.

Tinha denunciado as atividades de Tuquinha a um grupo rival.

O dr. Tuquinha foi severo e rápido na sentença.

--Não sabe que eu mando aqui no morro? Corta a língua e fuzila.

Assim foi feito. O corpo incinerado de Cabelo rolou numa ribanceira.

--É isso. Comigo não tem impunidade.

A Justiça, por vezes, é como manteiga.

Só é distribuída por quem está com a faca na mão.

 

Escrito por Marcelo Coelho às 18h32

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Lawrence Lowry

Lawrence Lowry

O pintor Lawrence Lowry (1887-1976) é um desses que fazem uma pintura aparentemente “naïf”, mas cheia de sutilezas. As figuras humanas são desenhadas como se pela mão de uma criança, mas dá para ver que não se trata disso, enquanto o fundo, a paisagem, o esquema de cores lembram o pós-impressionismo de Albert Marquet, por exemplo.

No último leilão de arte britânica da Sotheby’s, saíram estes dois lotes, respectivamente por cerca de US$ 500 mil e 80 mil.

 

"Paisagem industrial" (1957), óleo, 30,5 x 40 cm

 

 

"Figuras" (1952), guache e aquarela, 14 x 19,5 cm

Escrito por Marcelo Coelho às 18h09

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cavernas em perigo

Na China, no meio do deserto de Gobi, as maravilhosas pinturas murais e outros tesouros das cavernas de Dunhuang sofreram o saque de exploradores ocidentais no começo do século 20. Agora, estão ameaçadas pelo dióxido de carbono dos turistas, apesar dos esforços de regular a visitação do local, segundo reportagem do New York Times. Uma amostra.

 

Escrito por Marcelo Coelho às 01h35

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caiaques

Duas fotos de caiaques, do blog de Paul Constantinides,com agradecimentos ao autor.

Escrito por Marcelo Coelho às 22h29

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conhecimento da inglaterra

conhecimento da inglaterra

http://www.geograph.org.uk/

neste site, o projeto de fotografar cada milha quadrada das ilhas britânicas. Vale um passeio.

Escrito por Marcelo Coelho às 22h17

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Christopher Hitchens torturado

Christopher Hitchens torturado

http://www.hatingitmagazine.com/?p=1692

Para escrever um artigo na revista "Vanity Fair" de agosto, o intelectual britânico Christopher Hitchens resolveu submeter-se aos afogamentos que, nos Estados Unidos, o governo Bush não considera método de tortura em interrogatórios.

Escrito por Marcelo Coelho às 19h15

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Prende-e-solta

         Dificilmente uma decisão judicial terá sido tão contestada quanto a de Gilmar Mendes, determinando pela segunda vez a liberação de Daniel Dantas. O clamor por sua prisão temporária ou preventiva traduz, na verdade, o desejo por sua condenação imediata.

         A questão é difícil de resolver, porque envolve especulações sobre seu comportamento futuro. Neste momento das investigações, ele teria condições de destruir provas? De corromper autoridades? De fugir do país? Que ele tenha disposição para isso, não há dúvida, dadas as evidências de que tentou corromper um delegado da PF.

Mas é improvável que, posto em liberdade, ele não esteja sendo monitorado o tempo todo pela polícia. Nesse âmbito de considerações, só uma evidência muito forte poderia, com efeito, justificar a sua prisão.

         Há, entretanto, o precedente da fuga de Cacciola. O ministro Tarso Genro diz que esse perigo existe no caso de Dantas (assinantes podem ler aqui http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/07/12/ult23u2539.jhtm Mas é claro que a declaração de Genro tem o sentido político de uma estocada (leve, porque ele tem sido prudente) contra Gilmar Mendes.

         Por outro lado, a credibilidade deste último evidentemente está abalada, desde o momento em que, com grande exaltação, criticou a “espetacularização” das ações da PF. Ele seria convocado, logo depois, a decidir sobre o habeas-corpus. Podia ter-se calado diante das câmeras. Sua auto-espetacularização só lhe traz descrédito na hora de julgar.

         Tudo ainda se agrava quando Gilmar Mendes ameaça levar o juiz de primeira instância, Fausto de Sanctis, ao Conselho Nacional de Justiça. Natural que surjam manifestos de procuradores e juízes federais contra isso. Não se trata de politização, a meu ver. Seria politização se esses manifestos ficassem apenas criticando a soltura de Daniel Dantas. Mas que um ministro do Supremo queira intimidar um juiz de primeira instância, é algo inadmissível. Não do ponto de vista corporativo, mas do da democracia.

         “Ninguém nem nada pode interferir na livre formação da convicção de um juiz, no direito de decidir segundo sua consciência”, diz o manifesto dos magistrados. Estão corretíssimos, e Gilmar Mendes mais uma vez extrapolou.

         Ainda há a questão do “foro privilegiado” para um banqueiro. A fórmula tem impacto, mas há argumentos técnicos igualmente ponderáveis dos dois lados da questão. Dantas solicitara um habeas-corpus preventivo há alguns meses, que fora negado em duas instâncias. Depois de preso, o “mesmo” habeas-corpus vai à terceira instância, numa situação diversa, mas parece razoável, para um preso qualquer, que essa tramitação viesse a ser seguida. Na dúvida, pró réu...

         O que há de inegável é o fato de esse réu ser privilegiado. O acesso a advogados de primeiro time diferencia-o completamente de um preso comum.

         Pequena sugestão de pena alternativa, aliás, para advogados condenados por alguma coisa: que prestem serviço comunitário na assistência jurídica à população carente.

        

Escrito por Marcelo Coelho às 18h04

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teorias do futebol

Assisti na Flip a um belo encontro entre José Miguel Wisnik e Roberto da Matta, falando dos respectivos livros que publicaram sobre futebol.

 

Wisnik referiu-se à sua meninice em São Vicente. Torcia, desde pequeno, pelo Santos, e teve a sorte de acompanhar o fulgurante crescimento do time.

Ele já era santista antes de Pelé começar a jogar na Vila Belmiro. Acompanhou as vitórias locais, os campeonatos paulistas, até a ascensão total do Santos ao lugar de melhor time do mundo.

 

Citou na sua palestra o comentário de um amigo, que atribui a essa circunstância biográfica o efeito de ter produzido “danos irreversíveis” à sua personalidade.

 

De fato, tornou-se um otimista: como não achar que, no fim, as coisas dão certo, e como não acreditar nas potencialidades do Brasil, depois de assistir a tão incrível trajetória de sucesso?

 

Poderia, pensei eu, transformar-se depois num nostálgico profissional. Para Wisnik, entretanto –e faço menção aqui à sua entrevista no programa “Roda-Viva”--, os craques  do futebol brasileiro atual não ficam assim tão atrás dos de outros tempos. Seu otimismo concentra-se, agora, na figura de Robinho, cujos dribles analisou em detalhe.

 

De minha parte, sinto-me cada vez mais irritado com o futebol, tal como vem sendo praticado pelas seleções brasileiras desde, pelo menos, 1982. Espero que isso não aconteça, mas fico especulando quanto tempo vai durar a estrela de Robinho; Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno eram jogadores excepcionais, a que a vida de badalação, sem dúvida, corrompeu completamente.

 

Parece ser essa a opinião de Lilian Witte Fibe também, que como mediadora no “Roda Viva” queria saber, afinal, o que acontece com esses jogadores. Deslumbramento? Muito dinheiro? Desequilíbrio psicológico?

 

Wisnik fez uma bela defesa de Ronaldo Fenômeno, que sofreu contusões seríssimas, afinal, e que no último episódio com o travesti mostrou uma firmeza ética que talvez não tivéssemos: recusou-se a ser chantageado. Desse um bom dinheiro ao travesti, o caso não viria à tona.

 

Está certo. Mas não acredito muito na durabilidade dessas novas esperanças futebolísticas. Lembro-me do quanto se elogiava Denílson, numa copa dessas aí, achando que ele seria a salvação do ataque brasileiro. Entrava em campo e não fazia nada.

 

Culpa dos técnicos? Mas entra técnico, sai técnico, e tudo continua muito pior do que gostaríamos.

 

De sua parte, no encontro da Flip, Roberto da Matta arrancou aplausos do público ao dizer que o futebol brasileiro se beneficia da não-intervenção do Estado. Se o Estado tivesse regulado as práticas do esporte, como quis regular a economia ou o que quer que seja, o futebol no Brasil teria tido o mesmo destino que o hóquei ou o ensino de violoncelo.

 

Não sei. É a plena liberdade de mercado que faz os jogadores brasileiros viverem em outros países; é a absoluta falta de controle que faz tantos clubes irem à falência na mão de diretores bastante suspeitos. E a Petrobrás anda jogando bem nos campos internacionais.

 

Tudo, acho eu, é questão de moda. Há vinte anos, algum antropólogo (não digo que Roberto da Matta) poderia pôr a culpa dos nossos males no imperialismo ou na ditadura. Agora, é a vez do controle estatal. Volto ao (s) assunto (s).  

Escrito por Marcelo Coelho às 11h47

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fim dos best-sellers?

fim dos best-sellers?

http://www.artsjournal.com/artsjournal1/2008/07/is_the_longtail.shtml

Um dos primeiros posts neste blog comentava o livro "The Long Tail", de Chris Anderson, que previa o declínio do peso dos best-sellers e blockbusters no mercado cultural. Com a internet, argumentava o livro, as lojas de música, filmes e livros não sofrem problemas de estoque, e torna-se mais lucrativo investir em vendas "pingadas", para nichos de consumidores, do que em grandes sucessos de massa, que exigem muito investimento em marketing. Artigo da "Harvard Business Review" contesta totalmente essa teoria, com base em minuciosa pesquisa: a concentração das vendas "culturais" em pouquíssimos produtos aumenta mais e mais. O artigo é longo, a polêmica ainda mais.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h40

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depois da Flip, as fotos

Em matéria de acontecimentos culturais, Paraty (implico com esse "y", mas vamos em frente) não é só a festa literária. Está marcado para setembro um festival de fotografia por lá. É o Paraty em Foco, que terá workshops voltados para profissionais, de 10 a 14 de setembro, com alguns grandes fotógrafos da atualidade. Tive a sorte de receber um release com imagens desses autores, e reproduzo algumas aqui.

É de Luiz Braga esta imagem de um balão em Belo Horizonte.

Francesco Cito tirou esta foto em Nápoles, 1985.

Um desfile de modas, por Pisco del Gaiso.

Imagem urbana de Cláudio Edinger

O regime militar, por Evandro Teixeira, cujo livro já comentei aqui.

Intimidades de Beto Hacker

e esta sem título de Ralph Gibson. 

Escrito por Marcelo Coelho às 19h18

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elevadores e outros medos

elevadores e outros medos

Escrevi hoje na Ilustrada sobre certas normas desprezadas no uso de elevadores. Recebi e-mails me dizendo, com razão, que esqueci de uma, essencial: a de apertar apenas o botão de “sobe”, quando se quer subir, e o de “desce”, quando se quer descer.

Com efeito, ninguém se restringe a apertar apenas o botão certo.

 

Deve ser uma espécie de insegurança, que a meu ver é bastante justificada no caso daquelas portas que se mantém abertas graças a um dispositivo foto-elétrico. Ninguém acredita nelas, e a tendência é esfalfar-se para apertar um botão de “abre”, ou PO, para facilitar a vida do passageiro retardatário.

 

Sem contar o absurdo cartaz que manda a gente, antes de entrar no elevador, certificar-se de que “o mesmo” está parado à nossa frente. Claro, houve casos horríveis de gente abrindo a porta para o vazio, mas não sei se acidentes desse tipo são evitados pela leitura de um cartaz.

 

No fundo, o cartaz expressa aquilo a que me referi no artigo: o medo inconfessável que muitos têm de elevador.

 

Acho curioso que ninguém tenha o mesmo medo, que eu saiba, de parques de diversão. Nunca proibi meus filhos de entrarem em rodas-gigantes e coisas do gênero. Mas é evidente que são mais do que precários os serviços de manutenção nesses parquinhos com que topamos nas viagens de férias.

 

Camas elásticas, sempre achei coisa razoavelmente segura, mas soube recentemente dos seus perigos, em especial se há muitas crianças e monitores adultos brincando ao mesmo tempo.

 

Que dizer das tirolesas, dos bungee-jumps e outras coisas que nem sei como se chamam? Meu filho de seis anos, amarrado a uma espécie de corda elástica que o projetava às alturas, detestou a experiência e teve de ser libertado em frações de segundo. O irmão dele, de quatro, é muito mais radical e quer sempre novos riscos. O pai não sabe se estimula a herança cautelosa que transmitiu ao mais velho, ou se comemora o espírito aventureiro do menor. Deixa cada um fazer o que sua natureza está pedindo, mas a mente não relaxa.

 

Assinantes podem acessar o artigo sobre elevadores aqui

 

cena de "The Lift" (O Elevador Assassino), quase-trash de Dick Maas

Escrito por Marcelo Coelho às 16h54

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Beatriz Sarlo

Beatriz Sarlo

http://www.emm.usp.br/eca/forumpermanente/

Palestra da crítica argentina Beatriz Sarlo, nesta terça, dia 8 de julho, às 20h, será transmitida diretamente neste link.

Escrito por Marcelo Coelho às 19h19

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flip na internet

flip na internet

http://flip.oi.com.br/index.html

Domingo, às dez da manhã, participo de uma mesa na Flip, com os psicanalistas e escritores Pierre Bayard e Contardo Calligaris. Pelo link, parece que vai dar para acompanhar na internet.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h40

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Jornalistas do futuro

Reproduzo sem comentários, mantendo a pontuação, o segundo parágrafo de uma matéria sobre o Capitão América, publicada no número de abril deste ano do jornal-laboratório “Contraponto”, do curso de Jornalismo da PUC-SP.

 

Criado no final de 1941, na mesma época em que os Estados Unidos entravam na Segunda Guerra Mundial, o personagem vestia as cores da bandeira de seu país, e na capa de sua primeira edição, aparecia nocauteando o nazista alemão Adolf Hitler. O Capitão refletia assim a determinada situação sócio-econômica da época, era a síntese da ideologia militarista norte-americana: um herói intervencionista, que toma a justiça pelas próprias mãos, contra governos estrangeiros que representariam o mal, e sua única arma (um escudo) representaria a idéia de que o governo dos EUA só atacam para se defender, é a polêmica da “guerra pela paz”.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h25

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pizza do milênio

pizza do milênio

No dia 10 de julho, comemora-se o Dia Nacional da Pizza. Uma empresa, de nome Conicos, envia o release de uma nova modalidade do produto, que permite maior portabilidade em eventos como jogos de futebol, shows de rock e manifestações políticas; afirmam que o novo formato também garante a preservação da temperatura do recheio. Será brincadeira ou existe mesmo? Veja a foto.

Escrito por Marcelo Coelho às 14h03

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fotos de todos os tipos

fotos de todos os tipos

http://bestpicever.com/

Pode-se perder um bom tempo neste site, onde as coisas mais curiosas aparecem; de um anúncio de Viagra ao jogo de sombras numa multidão careca.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h16

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os livros da amazon em prateleiras

os livros da amazon em prateleiras

http://zoomii.com/#home

Não sei se é prático, mas é maravilhoso como tecnologia e gostoso de ver. Neste site, que tem link direto com a Amazon, você pode passear pelas prateleiras de uma livraria com o mouse, vendo capa a capa o que lhe parecer interessante. Livros "reais", prateleiras "reais", no computador.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h24

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O pênis que desaparece

Se você acha perigoso andar pelas ruas de São Paulo ou do Rio, pense que tudo pode ser muito pior. Segundo reportagem de Frank Bures publicada na revista Harper’s de junho , qualquer pessoa que estiver em Lagos, na Nigéria, pode correr sério risco de linchamento por uma razão muito... irracional.

 

É que periodicamente surgem entre os nigerianos surtos de uma espécie de psicose. O cidadão acredita que seu próprio pênis está desaparecendo; sente um súbito encolhimento do órgão genital, prenúncio de sua progressiva aniquilação no rumo de um buraco negro. Atribui o fenômeno à feitiçaria, e identifica num passante –ou na pessoa sentada à sua frente numa sala de espera, por exemplo—o responsável pelo malefício. Dá o grito de alarme, e o acusado fará bem em fugir rapidamente: o linchamento vem antes que alguém possa pronunciar “psicose paranóide coletiva”.

 

Quando a polícia chega, e tenta controlar o homem alucinado pela suposta perda do pênis, ele se recupera; o pênis magicamente volta ao mesmo lugar de onde nunca deveria ter saído.

 

Na mesma revista, relata-se uma interessante pesquisa entre homens que mudaram de sexo. A exemplo dos amputados, eles podem ter ereções imaginárias. É o membro fantasma, como naqueles casos de pessoas que perderam a perna e continuam a sentir coceiras e dores onde não existe mais nada.

 

Não há explicações confiáveis para a síndrome do pênis desaparecido entre os nigerianos; surtos parecidos já ocorreram na Tailândia. Nas aldeias da província de Guangdong, China, calcula-se que foram cerca de cinco mil casos de homens tentando prender desesperadamente o pênis ao próprio corpo, com medo de que ele fugisse. Usaram até alfinetes de segurança.

 

Psicanalistas terão muito o que discutir nesse caso. Penso numa hipótese mística: o pênis “roubado” teria transmigrado, da Tailândia ou da Nigéria, para o corpo dos transsexuais recém-operados na Finlândia ou na Califórnia, que passam a senti-lo como se não tivessem feito a cirurgia.

 

Escrito por Marcelo Coelho às 22h19

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Mais Machado de Assis

Mais Machado de Assis

Outro lançamento em que estou metido. É que o Instituto Moreira Salles fez uma edição dupla de seus Cadernos de Literatura Brasileira, dedicada a Machado de Assis. O número vai ser lançado na Flip. Há textos de Antonio Candido, Carlos Heitor Cony, Alfredo Bosi, Cristóvão Tezza e Hélio Guimarães, entre outros.

Meu artigo analisa três fotos “clássicas” de Machado de Assis, e questiona um pouco os clichês em torno do “bruxo do Cosme Velho”. Mais fotos aparecem num ensaio fotográfico de Edu Simões, que vê no Rio de Janeiro contemporâneo os traços do Rio machadiano.

O Instituto Moreira Salles fará também uma exposição sobre a cidade de Machado de Assis. Primeiro abre no Rio, depois deve vir para São Paulo.

Para o segundo semestre, o IMS promete o mais completo volume iconográfico sobre o escritor, organizado por Hélio Guimarães e Vladimir Sachetta.

Escrito por Marcelo Coelho às 19h04

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Capitu mandou flores

Capitu mandou flores

http://

Data: 10/07/2008 - Hora: 19h30

Local: Livraria da Vila: Fradique Coutinho, 915

Participei de um antologia de contos organizada por Rinaldo Fernandes, em que vários autores trataram de “reescrever” contos de Machado de Assis. Vou viajar na semana que vem, de modo que não estarei no lançamento, marcado para dia 10 de julho, quinta-feira, na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915), a partir das 19h30. O conto em que me baseei foi “Teoria do Medalhão”; cheguei a postar uns trechos aqui. “Capitu mandou flores” inclui dez contos de Machado de Assis (‘Missa do Galo’, ‘A Cartomante’, ‘O Espelho’, ‘Noite de Almirante’, ‘A causa secreta’, ‘Pai contra mãe’, ‘O Alienista’, ‘Uns braços’, ‘O Enfermeiro’ e ‘Teoria do medalhão’) escolhidos como os melhores do autor numa enquete entre escritores realizada por Rinaldo Fernandes. Foram “reescritos” por autores como Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles, Fernando Bonassi, Glauco Mattoso, Daniel Piza e Bernardo Ajzenberg. O livro também traz ensaios sobre Machado de Assis.

Escrito por Marcelo Coelho às 18h37

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crianças deportadas (2)

No ensaio-manifesto Famílias, Amo Vocês, do filósofo e ex-ministro da Educação (governo Chirac) Luc Ferry, há referências terríveis ao descuido de que eram objeto as crianças antes do século 18. Ele lembra que mesmo Montaigne, um espírito absolutamente adiante de seu tempo, ligava tão pouco para os próprios filhos bebês que não se lembra, ao certo, de quantos deles morreram ao serem amamentados por amas-de-leite. E acrescenta:

 

a contratação de uma ama-de-leite, que servia de um quinto a um sexto dos recém-nascidos no século 18, significava muitas vezes uma pura e simples condenação à morte. Os números, aliás, falam alto: na última metade do século 18, entre 62% e 75% das crianças deixadas com amas-de-leite morriam antes de completar um ano de idade! [mas quantas morriam quando cuidadas pelas próprias famílias? Ferry não diz.] Essas “pequenas mortes” não pareciam perturbar nem a família, nem a sociedade, nem as amas-de-leite mercenárias: Jean-Louis Flandrin cita o caso de uma em especial que, em 20 anos de carreira, teve 12 protegidos e não devolveu um único com vida, sem que o fato chocasse quem quer que fosse. Pode-se imaginar com que rapidez e severidade tal ama-de-leite seria julgada nos dias de hoje!

 

...Sob a mesma perspectiva, François Lebrun cita como perfeitamente autêntica e real essa descrição de época das condições em que os recém-nascidos abandonados no interior eram encaminhados ao grande hospital [asilo?] parisiense: “É um homem que carrega em suas costas as crianças recém-nascidas, dentro de uma caixa acolchoada em que podem caber três. Elas são colocadas de pé com suas roupas, respirando o ar pelo alto. O homem só para na hora das próprias refeições e para fazê-las mamar um pouco de leite. Quando ele abre a caixa, encontra muitas vezes uma delas morta e termina a viagem com as duas outras, impaciente para se livrar de sua carga. Depois de deixá-las no hospital, ele imediatamente parte de volta, para retomar a mesma atividade, que é o seu ganha-pão”.

 

O trecho citado por Ferry está em The Kindness of Strangers: The Abandonment of Children in Western Europe from Late Antiquity to the Renaissance.

 

Enquanto isso, a Santa Casa de Belém do Pará começa a ser investigada pela morte de vinte crianças em menos de dez dias na UTI neonatal. Só num fim-de-semana, foram 12; as autoridades declararam que os números são compatíveis com as taxas aceitas pela Organização Mundial de Saúde; o presidente da instituição, contudo, já renunciou.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h42

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Marcelo Coelho Marcelo Coelho é membro do Conselho Editorial da Folha e escreve semanalmente no caderno "Ilustrada" desde 1990.

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