Uma amiga que mora fora do Brasil mandou para meus filhos (7 e 5 anos), já faz algum tempo, um livro da coleção do ratinho Geronimo Stilton, em inglês. Fui traduzindo para o mais velho enquanto lia, meio aos trancos e barrancos, mas o sucesso foiimediato.
Geronimo Stilton é um ratinho intelectual, dono do maior jornal de sua cidade. Quer mesmo é ficar em casa, tomando seu chá com biscoitinhos de queijo, mas acaba se envolvendo nas mais diversas aventuras (múmias num museu,ossos de dinossauro num deserto, gatos-piratas).Vive morrendo de medo, mas conta com bons e animados companheiros: seu sobrinho Benjamin,uma amiga deste, belas ratinhas capazes de resolver qualquer encrenca...
Os livros são muito bem ilustrados,o que significa um traço de história em quadrinhos não muito esquemático, cores ótimas e a atenção ao detalhe que toda criança requer. Há sempre um mapa da ilha dos ratos, um mapa da cidade em que Geronimo mora, e mesmo um corte longitudinal do edifício-sede da “GazetaRoedora”.
Este pai, de resto, identifica-se completamentecom a personalidade do protagonista, e isso não passa despercebido à pequena audiência doméstica.
A boa notícia é que os livros de Geronimo Stilton começam a ser traduzidos no Brasil. Infelizmente, o primeiro que chegou às minhas mãos (“O Manuscrito de Nostrarratus”) tem um começo um pouco desinteressante para crianças menores. O herói está às voltas com a contabilidade do jornal, até ser interrompido pela inconveniente secretária, que o convence a visitar a Feira de Livros de Ratofurt.Nada muito palpitante para quem espera grandes aventuras.As coisas vão ficando mais interessantes quando a secretária inclui um tio, totalmente desprovido de superego, na viagem, e impõe a Geronimo divertimentos radicais e gastos miliardários num hotel de luxo (que deveria se chamar “Ratz”, mas é “Ratritz” ou coisa parecida).Há algo de sádico nos sofrimentos impostos a Geronimo –outros volumes não exageravam tanto a dose.Mesmo assim, vale a pena dar uma olhada nessa estreia do ratinho no Brasil.
Você compra um laptop, e já vem instalado nele o horrível Windows Vista. Tudo bem. Aos poucos você se acostuma, e vai usando o seu Word todos os dias. Até que um belo dia, mais de um ano depois da compra, surge um aviso ameaçador.O seu Word não é autêntico, você tem 15 dias para “regularizar a sua situação”, ou seja lá que nome isso tenha.
O que fazer? Tomado de pânico, fui ao site indicado na internet e lá você pode comprar o Office 2007 por 199 reais. Eles te entregam pelo correio. Ótimo.Embora não tenha posição de princípio contra a pirataria, melhor pagar e ficar dentro da lei. Chega o CD com o programa legal, tento a instalação e...avisos e mais avisos. Falta um arquivo no CD, nada funciona.
É o momento em que temos de recorrer ao técnico de computadores.O meu está sempre disponível e foi rapidissimo. É assim que pego meu laptop com um novo Word nesta noite de domingo e começo a postar um pouco mais. Não que seja desculpa pela minha ausência do blog nestes dias;a desculpa melhor veio no post abaixo.
Uff... uma semana comprida esta. Foram quatro editoriais, duas resenhas, os voltaires de sempre e ainda a participação na sabatina com o ombudsman, na segunda-feira. Ainda tenho uma orelha de livro para escrever até dia 30... Mas vou retomando por aqui.
No artigo de hoje para a Ilustrada, comento o eterno tema do triângulo amoroso e o filme "Amantes", de James Gray. Um trecho:
A beleza de “Amantes” está no fato de que o personagem principal não nos inspira a menor confiança. Sabemos, desde o início do filme, que ele sofre de graves problemas emocionais. Toma remédios psiquiátricos, já tentou suicídio mais de uma vez, está morando com seus pais num apartamento bem pequeno, exposto a pressões, silenciosas ou nem tanto, para arranjar-se na vida.
Diante de um personagem tão instável, a tendência do espectador é desacreditar de todas as suas atitudes; coitada da mulher que quiser namorá-lo.
Não posso contar mais nada, mas saí do cinema concluindo que, desde o início, o protagonista tinha certeza absoluta quanto a quem amava de verdade.
A arte de “Amantes” está em fazer disso um certo mistério; é esse o mistério, aliás, da vida real. Nossas certezas costumam manifestar-se com atraso. Os atos vêm primeiro, e por isso mesmo são muitas vezes contraditórios; nascem de diversas partes de nós mesmos. O desequilíbrio de Leonard, em “Amantes”, talvez venha do fato de ele só seguir, afinal, o lado para o qual pende o coração.
Nada mais estabelecido, hoje em dia, do que o direito que cada um tem de levar a própria vida. São inúmeras as possibilidades abertas a qualquer pessoa, especialmente no plano afetivo. Fica mais difícil, naturalmente, saber o que se quer. E imaginar o que querem os outros –em especial numa família como a de Leonard—torna-se paradoxalmente muito mais importante nessa situação.
Aliás, é uma experiência bem interessante ver o jornal direitinho, tal e qual, com anúncios e tudo, na tela do computador. Bem melhor do que a antiga versão da Folha On Line. Você clica num canto, e a página vira como se fosse papel impresso. O curioso é que, ao contrário do que se diz, minha leitura ficou muito mais demorada no computador do que costuma ser no papel. No jornal impresso, vou virando as páginas automaticamente, passando os olhos pelos títulos, e só parando quando acho importante. Com a imagem da página parada na tela do computador, encarrego-me de ler cada matéria até o fim, mesmo porque o ato de clicar no canto para virar a página dá mais trabalho, e tem algo de irreversível...
São primeiras impressões. Vamos ver no que vai dar tudo isso.
Já escrevi sobre o poeta Sérgio Medeiros na “Folha" (leia aqui),
a respeito de seu livro “Alongamento”, publicado em 2005. Leio agora seu último lançamento, “O Sexo Vegetal”. É mais um livro misterioso, como um céu coberto de nuvens muito escuras e mutáveis, que se ilumina por momentos e depois se cobre novamente.
A comparação meteorológica vem ao caso num autor que é magnífico em registrar as mínimas nuances do tempo no decorrer de um dia. Em “Alongamento” havia coisas como
a luz
da manhã
tropeça
no morro
e incha
ou
quando o vento
sopra
no morro
a luz
se levanta
como um véu
de areia
e não assenta
mais
“Alongamento” descreve muitas cenas vistas de um apartamento à beira-mar. Em “O Sexo Vegetal” a paisagem é outra, de jardim, parque urbano ou de reserva florestal:
--silêncio... palmas...
--apenas sombras de galhos no escorregador: descem e sobem espontaneamente, como crianças
Ou
--a névoa enraíza tentáculos torcidos nos morros e cresce como grande arbusto, sedento de terra.
Há também
--em meio a folhas coloridas, uma palma seca boia na piscina depois da chuva, como um guarda-chuva fechado, soltando fios
Os trechos citados adotam, como muitos outros do mesmo tipo, um título comum: “Décor”. Esses pequenos “cenários” se alternam, ao longo do livro, com curtas narrativas que ilustrariam casos daquilo que o autor chama de “sexo vegetal”; geralmente, as relações epidérmicas entre um ser humano e plantas de qualquer tipo. Assim, uma jovem que descansa na grama estaria praticando esse tipo de sexo:
Uma moça nem magra nem gorda. Pedalava tenazmente numa estrada de chão nos arredores de Terenos quando viu um bosque junto a um portão fácil de abrir. Abriu o portão. Entrou no bosque caminhando. Nenhum cão ladrava: nem perto nem longe. O que era decerto raro naquela região. Sentou-se no capim. Logo se pôs de pé. Pedalou tranquilamente de volta para casa.
Em casa (quando despia a calça) constatou que tinha as coxas cobertas de areia. Areia morena com alguns fiapos de grama. Como se tivesse livremente rolado no chão.
Não se lembrava.
Eis um tipo de obscuridade poética que não requer explicação. Os trechos denominados “décor” empregam a metáfora; nesta curta narrativa, a metáfora não é “escrita” pelo poeta; acontece de fato, na troca de semelhanças entre a moça e o chão: “areia morena com alguns fiapos de grama” é no que parte dela se transformou, e o poeta simplesmente registra o “fato” acontecido.
No artigo de hoje para a Ilustrada (aqui o link para assinantes), comparei a pintura de Matisse a uma espécie de vida em eterno feriado. A lembrança, que não tive tempo de incluir, é de uma frase famosa de Hegel, para quem a pintura holandesa era “o domingo da humanidade”. Mas conheço a frase só de segunda mão; em todo caso, mais uma vez Vermeer e Matisse estão lado a lado, como aliás no ensaio de David Sylvester, que também citei no artigo.
Um filme raro, em sessão especial na USP. Segue o release.
Exibição do filme The Pervert's Guide to Cinema de Slajov Zizek. obs.: Áudio em inglês e legendas em francês.
Quinta-feira, 10/09/09, das 11h às 13h30 (são 2h30 de filme)
Sinopse: O que pode a psicanálise dizer-nos sobre o cinema? Esta é a pergunta a que THE PERVERT´S GUIDE TO CINEMA se propõe responder. O filme conduz o espectador através de uma estimulante viagem por alguns dos maiores filmes de sempre. O guia e apresentador é Slavoj Zizek (lê-se Slavói Chichec), o carismático filósofo e psicanalista esloveno. Na sua apaixonada abordagem ao pensamento, vasculha a linguagem escondida do cinema, revelando o que os filmes podem dizer-nos sobre nós próprios. Seja destrinçando os enigmáticos filmes de David Lynch, ou deixando por terra tudo o que se pensava saber sobre Hitchcock. O filme estrutura-se a partir do próprio mundo dos filmes que discute; filmado em ambientes originais ou em réplicas dos cenários, cria-se a ilusão que Zizek fala a partir do interior dos próprios filmes. “The Birds” e “Psycho”, de Hitchcock são abordados por Zizek, considerando que aquele realizador é, provavelmente, o mais freudiano de todos. Prestem atenção à comparação que Zizek faz entre os três andares da assustadora mansão de Norman Bates (“Psycho”) e o conceito freudiano de Id, Ego e Superego. O psicanalista esloveno expõe os seus argumentos de forma tão natural e convincente e ao mesmo tempo tão rápida, que a nossa mente começa a girar vertiginosamente. Está estruturada em três partes: a primeira, está dedicada a Alfred Hitchcock e Lynch, e é sobre a diferença entre a realidade e os desejos; a segunda, é sobre a libido e a terceira é sobre a eficiência das aparências, centrada principalmente na obra de Tarkovsky e Chaplin. (Fonte: http://postmaster-br.blogspot.com/2007/06/perverts-guide-to-cinema.html) Organização: Profª Drª Belinda Mandelbaum – Departamento de Psicologia Social
Local: Auditório da Biblioteca do IP Cidade Universitária – São Paulo, SP
O compositor francês Darius Milhaud está longe de ser um dos grandes radicais do século 20. Sua música tende a ser agradável e bonita, mesmo quando explora o campo infinito das dissonâncias e da politonalidade.
Mesmo sem ser radical, ele era entretanto moderníssimo. Depois de muitos anos de curiosidade, acabei topando, graças à naxos music library, com as curtíssimas canções em que Milhaud musicou nada menos do que... um catálogo de sementes para floricultores. Violetas e jacintos recebem uma descrição técnica e precisa no texto: o suficiente para Milhaud inventar linhas melódicas irônicas e ambíguas. Soube também que ele fez o mesmo para um catálogo de máquinas agrícolas.
Está nisso, a meu ver, a essência do modernismo: existe tanto uma referência aos padrões “poéticos” do passado (falar de flores, por exemplo), e uma espécie de jogo dilacerado com a técnica, com a mercadoria, reproduzindo na linguagem artística o drama de um mundo em que não é mais possível, cof, falar de flores. E, ao mesmo tempo, um flerte dos mais irônicos com o mundo industrial que se impunha no século 20.
Estamos a anos-luz de distância desse modernismo, quase ingênuo a nossos olhos. A própria linguagem artística foi inoculada de tamanha sofisticação tecnológica que as composições de Milhaud soam conservadoras e agradáveis perto das ousadias de um Varèse e da turma que o sucedeu.
Acontece que, depois da Segunda Guerra Mundial, e em especial depois do Vietnã, o mundo puro e duro do cientificismo técnico se mostrou diabólico demais –e pouco a pouco a arte musical foi recuando de seu delírio técnico.
Não por acaso, uma das obras mais significativas desse “recuo” é a ópera “Nixon na China”, de John Adams, que celebrava (não sem loucura e ironia) um momento de distensão política.
O fim da Guerra Fria (com a qual a vanguarda estética se relacionava para lá de ambiguamente) representou uma distensão também no plano musical. As pessoas ouvem agora Shostakovitch sem pensar em sua timidez diante dos cânones artísticos stalinistas; reavaliam o “reacionário” Sibelius.
Mas nesse movimento pendular, talvez se perca o moderno, puro e cristalino, de um Milhaud –produto de uma época passada, sem dúvida, e sem dúvida mais “apolítico” do que a esquerda serialista e a direita de Sibelius; não que sua mensagem deva ser imitada hoje em dia. Guarda, entretanto, como um perfume de flor entre as páginas de um livro antigo, o charme de um período histórico que não temos mais obrigação de esquecer ou aceitar.
Escrevi há tempos sobre as micronarrativas de Félix Fénéon (veja o post). Há um ótimo texto a respeito escrito por Victor da Rosa, no "Diário Catarinense": link aqui.
Um novo museu de ciências será construído em Campinas, rivalizando com o recente “Catavento” aqui de São Paulo. Ouvi dizer que o conceito todo do museu será bem diferente, mas fico devendo uma entrevista com os idealizadores do projeto.
Vi, em todo caso, que o projeto arquitetônico do museu já foi aprovado. O vencedor do concurso internacional é o escritório de arquitetura brasileiro CHN, que foi criado em 2007.
Tiro a foto do site “dezeen” (www.dezeen.com), que sempre noticia feitos internacionais de arquitetura, sem ignorar o que fazem os brasileiros nessa área.
A foto não diz muita coisa, mas dá para ver que ainda estamos ligados a Paulo Mendes da Rocha (veja-se o exemplo do Mube), e menos às espetacularizações de Frank Gehry e Zaha Hadid.
O meu gosto talvez seja acusado de vulgar, mas prefiro as grandes gestualidades esculturais desses dois arquitetos à voluminosidade pétrea da arquitetura retangular tão prestigiada no Brasil.
O trecho final de um bonito ensaio de David Sylvester sobre Matisse talvez responda às dúvidas do post anterior.
Em 1º de junho de 1916, em meio à batalha de Verdun, Matisse escreveu a seu amigo Hans Purrmann, na Alemanha, contando-lhe sobre os trabalhos que estava fazendo, e prosseguia:
“Estas são as coisas importantes da minha vida. Não posso dizer que isso não seja um combate –mas não é o verdadeiro combate, sei muito bem, e é com especial respeito que penso nos recrutas que dizem, depreciativamente, ‘somos forçados a isso’. Essa guerra terá suas recompensas –que importância não dará às vidas, mesmo daqueles que não participaram dela, se puderem compartilhar dos sentimentos do humilde soldado que dá a sua sem saber muito por quê, mas tem uma vaga noção de que sua doação é necessária. Não desperdice comiseração com o discurso ocioso de um homem que não está no front. Pintores, e eu particularmente, não são hábeis em traduzir seus sentimentos com palavras –e, de resto, um homem que não está no front se sente razoavelmente bem por quase nada...”
Talvez tenha sido esse sentimento de culpa que levou Matisse a explorar e representar o combate no qual estava engajado [David Sylvester comentava os quadros em que Matisse se representava diante de uma modelo, pintando os próprios quadros]
...Georges Duthuit escreveu que certa vez viu Matisse deparar-se com tamanha resistência diante da tela que entrou numa espécie de transe, soluçando, ofegando, tremendo. Mas Matisse sempre tentou disfarçar a dor. Em suas palavras: “sempre tentei esconder meus próprios esforços e desejei que minhas obras tivessem a leveza e a alegria de uma primavera que jamais nos deixa fazer ideia do trabalho que aquilo lhe custa”. Ao mesmo tempo, ele de fato costumava se desgostar de que as pessoas não percebessem quão sofrido fora obter aquele efeito de ausência de esforço. Há a história, por exemplo, do retrato de sua esposa pintado em 1913. Quando o crítico norte-americano Walter Pach, seu amigo, viu a obra pela primeira vez, disse admirado que era como se o pintor tivesse precisado levá-la a cabo de um modo preferencialmente fácil. Matisse ficou muito irritado e protestou que o retrato, muito ao contrário, tinha exigido mais de cem sessões de pintura.
[...] Matisse era um dândi entre os pintores, do tipo que se esforça ao máximo para obter uma aparência casual. Ele queria que o público se interessasse não pela face sofrida do artista, mas pela face radiante da obra. Desde que a arte fosse boa, e seria boa por causa de sua beleza, não por causa de algum heroísmo implicado na sua criação. Alguém poderia precisar de heroísmo para criar beleza, mas a qualidade estaria na beleza, não no heroísmo. Mesmo naquela confissão de tempos de guerra sobre o quão exigente é a arte não há qualquer heroísmo na representação do artista, mas uma certa ironia e uma resoluta auto-supressão.
A palavra-chave desse texto de David Sylvester (no livro Sobre Arte Moderna) é, sem dúvida, “beleza”. Talvez o motivo de Matisse ter sido um bocado esnobado antigamente esteja na sua procura, pouco “moderna”, de beleza: daí ter tido a fama de ser muito “decorativo”, se comparado a modernistas mais “durões”. Há um fundo de machismo nessa avaliação, que de resto já passou de moda.
Mas faço o comentário sem ter ainda ido ver a exposição de Matisse na Pinacoteca. Gosto do que conheço de suas pinturas, mas o melhor é tentar perceber o seu impacto real.
Xi, mas existe tanta coisa para ler sobre Matisse! Antonio Gonçalves Filho, no “Estado” deste domingo, comenta uma impressionante coletânea de ensaios a respeito do pintor. Se vier a escrever sobre ele, vai ser na base do puro, hum, impressionismo, porque não vou ter tempo de ler tanta coisa assim.
Na abertura da exposição Matisse, Pinacoteca do Estado. Que moldura desgraçada, hein?
“Palavras, ai palavras/ que estranha potência a vossa!”, dizia Cecília Meireles. Achei pesado o tratamento dado pela “Folha” de hoje às declarações de Dilma Rousseff a respeito de seu tratamento oncológico.
Ela disse que “acredita” ser de cura o diagnóstico dos médicos.
Os médicos dizem que “o risco de recidiva é baixíssimo. Então, a gente espera que ela esteja curada”.
A “Folha” publica, no título de uma matéria, “Há expectativa de cura”, o que é imensamente mais pessimista do que o titulo adjacente, “Dilma se diz curada de câncer”.
O que era, basicamente, a mesma avaliação clínica se torna contradição entre médico e paciente.
Mesmo que fosse, seria natural. O otimismo heroico do vice-presidente Alencar não teve tratamento agourento.
Mas esse enfoque, nem do ponto de vista humano, nem político, se justifica.
Um trecho do artigo que sairá amanhã na Folha (a íntegra para assinantes pode ser acessada aqui):
Um político se vale do poder para entrar em negociatas; enriquece; engorda o caixa de sua próxima campanha. Trata-se, na linguagem popular, de um ladrão.
Outro político, ou o mesmo, usa o poder para intimidar um cidadão comum, prejudicá-lo, levá-lo à prisão se possível.Trata-se, a meu ver, de mais do que um ladrão. Trata-se de um tirano.
Gostaria de saber em qual das categorias, se é que pertence a alguma, classifica-se o ex-ministro Antonio Palocci.
Mas não saberei nunca. Pois o Supremo Tribunal Federal resolveu rejeitar a denúncia contra ele.
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