Marcelo Coelho

Cultura e crítica

 

Dvorak explicado

 
 

Dvorak explicado

Por indicação do Luís Favre, entro no blog Euterpe, sobre música clássica. E dou com uma explicação minuciosa --coisa tão rara de se encontrar na internet-- de um poema sinfônico de Dvorak, intitulado "O Espírito das Águas" (op. 107). É uma obra muito bonita e espetacularmente orquestrada, que quase ninguém toca. Além de boas ilustrações de época, o pessoal do Euterpe vai mostrando, tintim por tintim, com direito a trechos em "streaming" da música, a história da mocinha raptada pelo ogro submarino. Os temas de cada personagem da história, as transformações que vão sofrendo ao longo da peça, tudo aparece para quem visita essa página, e fica claro... como água. Um trabalhão, fazer esse blog, e em outros países não sei se se encontra coisa igual.

Escrito por Marcelo Coelho às 22h34

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ajuda nas inundações

 

 

 

Ajuda para as vítimas das enchentes pode ser feita nestas contas:

 

Banco do Brasil - C/C 5241-8 / Agência 3557-2

Caixa Econômica Federal – C/C 955-6 / Agência 2735 / Operação 006.

Contas em nome da Defesa Civil Alagoas.

CNPJ 025.586.36/0001-89  

 

Confira em http://www.cbm.al.gov.br/

 

Escrito por Marcelo Coelho às 23h25

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Homenagem a Wilson Bueno

Dia 15 de junho, terça-feira, a partir das 19h30, haverá uma homenagem a Wilson Bueno na Casa das Rosas (av. Paulista, 37). Na programação, haverá leituras de sonetos inéditos do autor, pelo poeta Horácio Costa, além de depoimentos de Maria Esther Maciel, Rodrigo Garcia Lopes e Claudio Daniel. Trechos de “Mar Paraguayo”, “Jardim Zoológico” e outros também serão lidos. Entrada gratuita.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h50

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Massao Ohno

Recebo e-mail avisando da morte do editor Massao Ohno, aos 74 anos. Desde a década de 1960 ele se dedicava a publicar livros de poesia --e homenagens a seu trabalho podem ser lidas aqui  e aqui. O catálogo de suas publicações está neste link.

Escrito por Marcelo Coelho às 14h42

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futebol e filosofia

este é o título de uma coletânea publicada agora na Inglaterra, com temas que vão da "solidão do árbitro" à questão de se é justo decidir uma partida nos pênaltis, passando pela moralidade do jogo, via Camus, Sartre e outros. "Kant no Maracanã", por Luca Vargiu, e uma especulação sobre Nietzsche e o Arsenal, por David Kilkpatrick, estão entre os ensaios. Uma resenha, em inglês, pode ser lida aqui.

Escrito por Marcelo Coelho às 22h56

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cursos de extensão

A ECA (escola de comunicações e artes da USP) abre inscrições para cursos livres de gravura, desenho, cerâmica para adultos  e (estes são gratuitos) de artes para crianças e adolescentes. Ver no link.

Escrito por Marcelo Coelho às 22h39

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Manual de zoofilia

Citei na "Ilustrada" um livro de Wilson Bueno, "Manual de Zoofilia". Aqui vão três trechos.

PARDAIS

 

 

Se é domingo e chove e faz frio em nossa cidade, de decepados pescoços os pardais costumam guardar a mínima cabeça entre as asas, protegendo-se das línguas que existem, que existem por aí, ah como existem, e que falam (baixo e por trás) de seu andado avoante.

 

Simples, ordinário, vulgar, o pardal é uma ave que pode riscar o céu feito um susto, e súbito. Ou é só cisco no olho que não nos deixa perceber, a ambos, que quem atravessou, seta e raio, a vidraça, foi o cantábile em fuga de uma andorinha?

 

Você se coça e envelhece; ponho de novo o meu óculo.

 

O pardal é além que um passarinho.

 

 

ELEFANTES

 

Decididamente não são como as flores e se esforçam, em meio aos preconceitos da selva, para afirmar o peso de sua rude inocência. Não pediram para viver cá neste mundo insensato nem nada reivindicam além do direito simples, que é deles o seu maior triunfo, de existirem sobre a Terra ainda que lerdos e lentos e muito grandes.

 

Incômodos quando furiosos, mais imponderáveis que um gato quando filhotes, a rigor, embora o silêncio obtuso, não constituem grave ameaça.

 

Hospedar mais que dois elefantes no mesmo quarto pode lhe conferir notoriedade entre eles, mas será sempre um mal, uma generosidade viciada pela raiz, a confissão pública da sua ignorância sobre a exata medida do excesso.

 

E se você encontrar por aí algum que chore, verá que a lágrima deles, de uma humanidade toda indefesa, põe emocionado mesmo o mais duro coração de um homem – este ser falho, cheio de dúvidas e de tromba melancólica.

 

Eis que só me suavizo se te jogo a nocaute com um jab de esquerda. Não nascemos um para olhar no outro de frente, ocupamos demasiado espaço e temos nos suportado aos tapas, deslumbres, bofetadas.

 

 

URUBUS

 

Trazendo na alma a sua alma morcega, a alma deles, rasgam em negro – com criame de verme e víscera o sórdido chão; com insolência – o ar, a aragem, a nuvem e o magnífico céu.

 

Rapinam lúgubres, animas de fome e unha. Se de bico curvo atravessado pelo fruto velho dos dias ruins. O que há de agonia aziaga e encarniçada voragem? O que há das horas em que se nina a morte feito um velório?

 

Ainda que de sangue quente parecem gelar na veia. De calva triste e dinossaura são como entes arrancados vivos ao império em cor e trino das aves e da águia. Ver deles a asa, a garra, o pelo das penas, o coração fervendo de escorpiões.

 

Amanhã se pego teus olhos de agouro, permita-me furá-los com a áspera paciência e o agudo presto do meu amor com raiva. Você me cospe de azar e eu te vazo a íris no chão.

Wilson Bueno morreu na semana passada, aos 61 anos, e meu artigo sobre ele pode ser lido aqui pelos assinates do uol.

Há indicação de que o livro não está esgotado no site da Editora da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Mais textos de Wilson Bueno sobre bichos aqui.

Escrito por Marcelo Coelho às 18h12

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as fotos de Paulo Jares

 
 

as fotos de Paulo Jares

Ganha um prêmio quem adivinhar qual o tema desta foto, uma das que o paraense Paulo Jares expõe, a partir de 10 de junho, na Galeria Virgílio. A exposição se chama "Luz", e reúne dez fotos em grande formato.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

... são pingos de chuva em Copacabana.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h00

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mudanças no jornal

Para o artigo de quarta-feira na “Ilustrada” (assinantes do uol podem ler aqui), fiz alguns comentários sobre a reforma do jornal. Faltou entrar em alguns detalhes, mas o básico, acho, está naquilo que não saltou tanto à vista nos primeiros dias.

Ao contrário do que possa parecer, acho que há mais, e não menos, coisas para ler no jornal. A “Folha” vai aos poucos se liberando da notícia curta do dia a dia, e investindo em reportagens menos óbvias. Basta comparar as manchetes de agora com o que tínhamos 5 ou 10 anos atrás. A desta segunda-feira, sobre os agrados da indústria farmacêutica aos médicos, teria aparecido como matéria secundária, não como manchete, até há pouco tempo.

Em política, esta segunda-feira deixou o ramerrão do que o candidato disse do aliado do outro candidato sobre a pesquisa em que um estava empatado com o outro, e mostrou coisas como a ação da Abin no governo Sarney (duas páginas, um material extenso e, digamos, nada “popularesco”). Houve também uma entrevista com Bolívar Lamounier sobre seu novo livro, enfocando a ascensão da classe C.

A cobertura sobre a eleição colombiana anda extensa, bem-feita e interessante. Além das investigações sobre o vazamento de petróleo no Golfo do México, uma entrevista com o historiador israelense Avner Cohen também reforça o peso da análise, em contraste com o fato seco, na edição.

Há bastante material para leitura na Ilustrada, sobre Dennis Hopper, Godard e Truffaut.

Nada disso confirma o maior dos meus temores com a reforma, que era a da “popularização” definitiva do jornal.

 

Duas reportagens curiosas e fora da rotina em “cotidiano”: a proposta de anti-doping para pilotos de avião, e o “rapa” contra as baianas do acarajé em São Paulo. Muito o que ler, na verdade, para uma segunda-feira, contrariando a previsão de que o jornal vai ficando cada vez mais aguado.

 

Sobre a matéria dos acarajés, entretanto, noto a persistência de um problema crônico no jornalismo hoje em dia –é que, de tão preocupada com a imparcialidade, a reportagem se torna inconclusiva. Os tabuleiros de acarajé sumiram das ruas de São Paulo; lemos a versão das baianas, que reclamam: afinal,

Elas e o acarajé (...) são tombados pelo Patrimônio Histórico; ao mesmo tempo em que proíbe o acarajé e outras comidas de rua,a prefeitura legaliza o comércio de cachorro-quente.

A associação das baianas foi mobilizada, e diz ter ouvido a seguinte resposta da Subprefeitura da Sé: “São Paulo é São Paulo, baiana de tabuleiro é coisa de Salvador”.

Ouve-se o outro lado: a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras afirma que “é descabida a suposição de perseguição contra vendedores de acarajé ou qualquer outro tipo de comércio em São Paulo. As subprefeituras seguem a legislação vigente, agindo contra qualquer comércio irregular... a legislação sobre comércio de alimentos ... tem o objetivo de resguardar a saúde dos cidadãos”.

A matéria termina por aí. Quem tem razão? Não saberemos. A meu ver, esse é o efeito de uma prática de “ouvir o outro lado” que, de tão simétrica, termina desincumbindo a reportagem das perguntas que contam.

Se alguém na subprefeitura disse que “São Paulo não é lugar de baiana”, estaríamos diante de outro caso polêmico na atual administração Serra-Kassab, que fez por exemplo as calçadas anti-mendigo. Se o acarajé não segue a legislação sanitária, não adianta as baianas dizerem que são um patrimônio cultural. Não digo que seja fácil resolver essa dúvida. Mas enquanto a dúvida não se resolve, uma matéria interessante acaba por produzir uma certa indiferença “democrática” no leitor. Mexe com ele e desmexe depois.

Escrito por Marcelo Coelho às 02h29

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Marcelo Coelho Marcelo Coelho é membro do Conselho Editorial da Folha e escreve semanalmente no caderno "Ilustrada" desde 1990.

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