Marcelo Coelho

Cultura e crítica

 

Fotos brasileiras

Falando em fotos, eis aqui algumas imagens do fotógrafo Igor Pessoa, selecionadas para uma bienal em Roma. Acabaram não sendo enviadas para lá, e algumas quem acabou comprando foi eu.

 

 

 

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 23h52

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Flores em São Paulo

No artigo de hoje para a "Ilustrada", falei da "arte de agradecer":

No trânsito, na fumaça e na chateação de São Paulo, tenho topado com não sei que tipo de árvore, floridíssima, numa cor clara de rosa quase branca. Não basta, acho, pensar: “olha aí, bonita essa árvore”.

         Ajuda imaginar que é um presente. Se não de Deus, que seja da prefeitura, não importa. É bom levar as coisas para o lado pessoal, como fazemos tão facilmente diante de infelicidades diversas. “Essa árvore está aí para mim”. Agradeço.

         Convém não exagerar. Li outro dia que um cidadão paulistano, acordando feliz para ver a bela figueira centenária que tinha diante da janela do apartamento, teve a ingrata surpresa de vê-la derrubada.

         Era cupim; era o vento; até aí, nada de mais, mas o chato é que seu carro tinha ficado embaixo.

Uma amiga bióloga me escreve dizendo que essas árvores são bauínias, ou bahuínias, e que por alguma razão estão florescendo excepcionalmente bem este ano na cidade.

 

Tirei do Blog da Neta (espero que ela permita) a foto que se segue.

 

 

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 23h35

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Antes do concerto

Ah, para não esquecer. Como o concerto da Osesp é às 16h, os apreciadores terão tempo de acompanhar, pela TV, o concurso da "Mais Bela Empregada Doméstica", promovido pelo programa do Raul Gil, a partir das 14h15, pelo SBT.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h23

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Osesp na internet

O austríaco Erich Korngold (1897-1957) foi um compositor-prodígio; depois de ouvir suas composições, quando ele tinha 9 anos, Mahler considerou-o um gênio. Estreou sua primeira composição para balé aos 13; aos 20, já estava consagrado como compositor de óperas e música de câmara. Na vida adulta, seu renome caiu bastante. Primeiro, porque escrevia música "romântica" em pleno vigor da moda dodecafônica. Segundo, e pior, porque foi trabalhar em Hollywood e se deu bem compondo a trilha sonora de filmes de pirata e coisas parecidas.

O fato é que sua obra vai voltando à tona. No Festival de Lugano de 2010, os amigos de Martha Argerich gravaram seu quinteto para piano; a ópera "Die Tote Stadt" ("A cidade morta", baseada em "Bruges-la-Morte", romance belga fim-de-século de Georges Rodenbach) firmou-se no repertório; e seu Concerto para Violino, que há muito tempo ouvi no rádio em interpretação cristalina de Wolfgang Schneiderhan (outro meio injustiçado), é lindíssimo. Sempre melodioso, seria como um primo mais neurótico e rico daquele outro concerto para violino do século 20 que é muito cantante, o de Samuel Barber.

Este sábado, o violinista Renaud Capuçon toca com a Osesp esse concerto, com transmissão ao vivo pela internet. Detalhes aqui.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h14

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O povo unido...

Um slogan que já devia ter sido aposentado é o famoso “o povo unido jamais será vencido”. Ou isso não é verdade, ou o povo raras vezes ficou unido. Cansei de ver o povo sendo vencido.

O artigo de Vladimir Safatle nesta terça-feira vai na direção contrária.

 

Quando começa um processo de negação política posta em circulação por massas descontentes, não há governo, por maior que seja seu aparato repressivo, que esteja seguro.

 

Depende, é claro, do que se entende por “esteja seguro”. Basta lembrar os protestos na China, entretanto, para verificar que a ditadura lá estava e continua segura por décadas. O regime da Hungria em 1956, graças à ajuda de um grande aparato repressivo (o soviético) ficou seguro por mais 30 anos.

 

Os protestos na Líbia, tema do artigo de Safatle, provavelmente vão dar certo, depois de uma luta cujo desfecho não era claro até há poucas semanas.

 

O que vemos, continua Safatle, é uma população disposta a acreditar que o futuro está aberto para ela. E da mesma forma que não é possível dissociar a dor que sinto da crença de que sinto dor, não é possível dissociar o futuro que se abre da crença de que o futuro está aberto.

 

Certo. Mas Safatle esquece de dizer que o futuro “está aberto” não só para nós, mas para os outros também. O futuro está aberto para ambos os lados do conflito. Caso contrário, nem haveria conflito.

 

Concordo que “não é possível dissociar a dor que sinto da crença de que sinto dor”.

Mas também é verdade de que há dores imaginárias. E que a pessoa pode acreditar que o futuro está aberto, sem ter chance nenhuma de abri-lo. É o caso dos que creem na possibilidade de uma Era de Aquário ou do Califado Islâmico.

 

Escrito por Marcelo Coelho às 13h46

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Dilma e os tucanos

         Pode ser que, como diz Fernando de Barros e Silva na sua coluna de domingo, não passe de “sonho de uma noite de verão” a troca de gentilezas entre Dilma Rousseff e lideranças tucanas como FHC e Geraldo Alckmin. Afinal, diz ele, Serra e Lula também já trocaram elogios, dado os interesses respectivos enquanto governador do Estado e presidente da República.

         Há diferenças, contudo, entre as duas situações. A animosidade contra Lula, na classe média, era bem maior do que a existente contra Dilma. Por isso e por outras razões (como uma base parlamentar menos folgada), a disposição de Lula para enfrentar PMDBs e PRs era muito menor.

         Lula não parava de falar na “herança maldita” e de apresentar o seu governo como capaz de realizações históricas inéditas: difícil esperar gentilezas ao PSDB nessa moldura retórica.

         Dilma assumiu sem nenhuma bandeira definida, além da continuidade do lulismo e do PAC. A “faxina” pode ser apenas retórica, mas é também a sua oportunidade de marcar uma imagem própria; ainda que a imagem não corresponda plenamente à realidade, alguma coisa vai colando nessa tentativa.

         O encontro entre tucanos e Dilma pode ser sinal, a meu ver, um fenômeno novo: há um descolamento entre as forças políticas e as forças parlamentares. Forças políticas são o núcleo administrativo dilmista, a opinião pública de classe média, alguns governos estaduais e lideranças diversas –da Igreja Católica aos cardeais do PSDB. Forças parlamentares são os deputados e senadores, tanto do “baixo clero” quanto do próprio PT, que também reclama da “falta de diálogo” com Dilma --apesar de poupado nos cortes de verba.

         Lula governou com forças parlamentares e com apelos diretos à massa. Dilma estaria apostando numa outra articulação: não provoca a imprensa nem FHC, preferindo “provocar”, se cabe o termo, o PR por exemplo.

         E pode haver sabedoria em descontentar ao máximo, ameaçar ao máximo, para depois ceder em parte (é uma negociação), em vez de ceder ao máximo, conciliar ao máximo, para depois receber apoio (é outra negociação).

Escrito por Marcelo Coelho às 00h21

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PEC 300, uma bomba?

Esta é a versão original da PEC 300, proposta pelo deputado Arnaldo Faria de Sá, em 2008.

 

Artigo 1º - O § 9º do artigo 144 da Constituição Federal

passa a vigorar com a seguinte redação:

“§ 9º - A remuneração dos servidores policiais

integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será

fixada na forma do = 4º do artigo 39, sendo que a das

Polícias Militares dos Estados, não poderá ser inferior a

da Polícia Militar do Distrito Federal, aplicando-se

também o Corpo de Bombeiro militar desse Distrito

Federal, no que couber, extensiva aos inativos”.

Artigo 2º - Esta Emenda entra em vigor cento e oitenta

dias subseqüentes ao da promulgação. ”

Sala das Sessões, em 04 de setembro de 2008.

 

 

 

Eis o que foi aprovado em 2010, e será levado a segundo turno.

 

Artigo 1º. –O art. 144 da Constituição Federal passa a vigorar acrescido dos seguintes parágrafos:

 

Parágrafo 10- A remuneração dos policiais e bombeiros militares integrantes dos órgãos relacionados nos incisos IV e V (...) observará piso remuneratório definido em lei federal.

 

Parágrafo 11- A lei que regulamentar o piso remuneratório previsto no parágrafo 10 disciplinará a composição e o funcionamento de fundo contábil instituído para esse fim, inclusive no tocante ao prazo de sua remuneração.

 

 

Posso estar enganado, mas será que a famosa “bomba” da PEC 300 não foi desarmada com essa redação? Previa-se o aumento automático das remunerações em todos os Estados, conforme os vencimentos do Distrito Federal, onde o salário é alto –o mínimo é de R$ 4,5 mil.

Agora, jogou-se tudo para uma lei complementar, dependendo de um fundo especial a ser constituído.

Essa nova redação foi aprovada por ampla maioria.

Na época, o líder do PT, Cândido Vacarezza, criticou a existência de um “fundo” que não se sabe bem como será, enquanto o então senador José Eduardo Martins Cardoso manifestou preocupação quando à possibilidade de essa emenda ferir o princípio da autonomia estadual. Curiosamente, Arnaldo Faria de Sá, que poderia reclamar da nova redação, declarou que os policiais e bombeiros não podem esperar mais. Confira aqui.

De lá para cá, o que se vê no site da Câmara

são sucessivos requerimentos para colocar a matéria na pauta de votações.

Compartilho apenas a minha perplexidade. Só se fala na ameaça que a PEC 300 pode representar à base aliada, e o quanto isso limita a “faxina” de Dilma. Mas o que está se querendo votar, afinal? E que emendas podem aparecer na votação?

Se alguém estiver acompanhando isso melhor, seria ótimo se explicasse...

Escrito por Marcelo Coelho às 09h57

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knoxville, 1915

eis o link correto: http://www.youtube.com/watch?v=sJjXadvkohk&feature=related

Escrito por Marcelo Coelho às 01h21

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Knoxville, 1915

Samuel Barber (mais conhecido pelo seu "adagio para cordas") fez uma linda composição a respeito de uma infância que, segundo as memórias escritas por James Agee no texto da música, seria destruída cruelmente. É uma música muito doce, para um texto bem triste.

 “Knoxville: Summer of 1915”— from James Agee’s essay "Knoxville" and the introduction to his Pulitzer Prize-winning posthumous novel, A Death in the Family

We are talking now of summer evenings in Knoxville Tennessee in the time that I lived there so successfully disguised to myself as a child.

...It has become that time of evening when people sit on their porches, rocking gently and talking gently and watching the street and the standing up into their sphere of possession of the trees, of birds' hung havens, hangars. People go by; things go by. A horse, drawing a buggy, breaking his hollow iron music on the asphalt: a loud auto: a quiet auto: people in pairs, not in a hurry, scuffling, switching their weight of aestival body, talking casually, the taste hovering over them of vanilla, strawberry, pasteboard, and starched milk, the image upon them of lovers and horsemen, squaring with clowns in hueless amber. A streetcar raising its iron moan; stopping; belling and starting, stertorous; rousing and raising again its iron increasing moan and swimming its gold windows and straw seats on past and past and past, the bleak spark crackling and cursing above it like a small malignant spirit set to dog its tracks; the iron whine rises on rising speed; still risen, faints; halts; the faint stinging bell; rises again, still fainter; fainting, lifting, lifts, faints foregone: forgotten. Now is the night one blue dew.

Now is the night one blue dew, my father has drained, he has coiled the hose.

Low in the length of lawns, a frailing of fire who breathes...

Parents on porches: rock and rock. From damp strings morning glories hang their ancient faces.

The dry and exalted noise of the locusts from all the air at once enchants my eardrums.

On the rough wet grass of the back yard my father and mother have spread quilts. We all lie there, my mother, my father, my uncle, my aunt, and I too am lying there.…They are not talking much, and the talk is quiet, of nothing in particular, of nothing at all in particular, of nothing at all. The stars are wide and alive, they seem each like a smile of great sweetness, and they seem very near. All my people are larger bodies than mine,...with voices gentle and meaningless like the voices of sleeping birds. One is an artist, he is living at home. One is a musician, she is living at home. One is my mother who is good to me. One is my father who is good to me. By some chance, here they are, all on this earth; and who shall ever tell the sorrow of being on this earth, lying, on quilts, on the grass, in a summer evening, among the sounds of the night. May God bless my people, my uncle, my aunt, my mother, my good father, oh, remember them kindly in their time of trouble; and in the hour of their taking away.

After a little I am taken in and put to bed. Sleep, soft smiling, draws me unto her: and those receive me, who quietly treat me, as one familiar and well-beloved in that home: but will not, oh, will not, not now, not ever; but will not ever tell me who I am.

Escrito por Marcelo Coelho às 01h15

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cães e filhos

 
 

cães e filhos

Como qualquer pessoa de bom senso, ainda mais vivendo num apartamento, resisti o quanto pude a comprar um cachorro.

Me disseram, com razão, que os cães da raça shitzu não latem e não perturbam.

Por vários motivos, não relacionados com a pressão dos meus filhos pequenos, terminei comprando um.

Os efeitos foram milagrosos.

Meu filho menor, de 7 anos, tornou-se subitamente mais maduro. Deixou de espernear, de dar os sinais de intolerância que eram sua marca registrada.

Tornou-se mais doce e carinhoso, menos agressivo e injusto.

Imagino que toda a sua infância tenha sido marcada pelo fato de ele ser “o errado”, “o injustiçado”: como meu filho mais velho, de 9 anos, é disciplinado, culpado e carinhoso, seu irmão assume o papel do revoltado, do “punk”, do “radical”. Até nos seu gosto musical isso se reflete.

A aquisição do cachorro não mudou sua personalidade, mas controlou-a um pouco.

Pela primeira vez, meu filho menor está diante de um animal mais selvagem do que ele. Mais deseducado, ininteligente e rebelde.

Em suma, meu filho menor se humaniza.

É tudo uma questão de hierarquia.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h31

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A direita se assanha

No seu artigo de hoje para a “Folha”, Vladimir Safatle escreveu tudo o que eu gostaria de dizer a respeito dos distúrbios em Londres e da reação do primeiro-ministro David Cameron ao ocorrido.

 

Pelo menos Cameron mostrou o que o pensamento conservador pode nos oferecer hoje: ladainhas morais em vez de ações enérgicas contra os verdadeiros arruaceiros, ou seja, esses que operam no sistema financeiro internacional.

 

Enquanto isso não ocorrer, jovens roubando lojas de iPads e tênis continuarão dizendo: não aceitaremos estar fora do universo de consumo e sucesso individual que vocês mesmos inventaram. Nós entraremos nele, nem que seja saqueando.

 

Bravo, Safatle!

 

Sem saber do artigo dele, escrevi coisas parecidas para a “Ilustrada” de amanhã.

 

         Numa sociedade desenvolvida, os saques foram chocantes. Não se tratava de pegar leite ou batatas num supermercado. Os desordeiros queriam DVDs, Ipads, Blackberrys ou não sei mais o quê.

         Teoricamente, isso seria um sinal de “imoralidade”. Saques motivados pela fome? Podemos entender. Saques motivados pelo luxo, eis algo inadmissível.

         Será? Toda a estrutura de nossa sociedade afirma que sem um tênis Nike, um Ipad, uma camiseta de grife, você não é nada.

         Esses badulaques se tornaram, assim, artigos de primeira necessidade.

         O saqueador alcança, rapidamente e sem punição à vista, o passaporte que irá levá-lo a conquistar as mulheres mais bonitas e o respeito de seus pares.

         É mais do que simplesmente alimentar-se e sobreviver. Trata-se de existir.

         Ao mesmo tempo, o saque é ambíguo. Representa, em doses iguais, revolta e adesão. Destruo aquilo que eu desejo. Arrebento a vitrine que me separa do paraíso, mas também escolho, definitivamente, o caminho da danação.

         Na violência dessas desordens, vejo ao mesmo tempo denúncia e cumplicidade.

         Sabemos perfeitamente que uma grife não significa coisa nenhuma. Sabemos que todo o consumo contemporâneo está montado numa mentira.

         A mentira da propaganda se duplica em outras mentiras, em incontáveis mentiras.

         Uma agência de risco mente quando eleva ou rebaixa o risco de um país. Um país mente quando imprime moedas ou títulos da dívida que, promete, irá pagar.

         O consumidor mente quando usa um cartão de crédito cujas mensalidades não sabe bem como ficarão.

         Na própria palavra (cartão de crédito) pode-se ler “acreditar”.

         O consumidor acredita, por sua vez, que é escolha sua um produto cientificamente elaborado para suscitar os seus desejos.

         Você sabia que até o cheiro de carro novo é produzido por um “spray”?

É o que leio num livro recente de Martin Lindstrom, guru dinamarquês do marketing e do “branding”. Chama-se “A lógica do consumo” (editora Nova Fronteira).

         Eles estão usando técnicas da neurociência para chegar mais perto da mentalidade dos consumidores.

 

Escrito por Marcelo Coelho às 11h05

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isso é arte?

Confesso minha total ignorância com respeito ao balê e à dança clássica.

Mas vejo a coreografia perfeita das dançarinas russas num trecho de Tchaikovski,

http://youtu.be/1ea90L91eZk

e me pergunto:

isso é arte:? ou salto ornamental?

Escrito por Marcelo Coelho às 16h18

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o futuro de Dilma

Em política, dizia uma velha raposa mineira, “o que parece é”.

Um observador mais cético diria que, em política, “nada é o que parece”.

Mas isso seria prova de que ele não entendeu nada do que a raposa disse.

Lembro essa frase a respeito da suposta “faxina” feita por Dilma Rousseff.

Pode ser um factóide, uma farsa.

Mas não é.

O termo “faxina” pegou.

E quando uma coisa pega, em política, ela existe.

Graças à “faxina”, Dilma consegue muitas coisas.

Afasta sua imagem da imagem de Lula –que era complacente.

Transforma os seus defeitos –dura de cintura, incapaz de negociar—em qualidades.

De resto, no que ela depende tanto do Congresso?

Sua prioridade é evitar que a Copa do Mundo seja um fracasso.

Isso significa mais obras.

E mais corrupção.

Seu objetivo é centralizar as obras, para além dos feudos partidários legados por Lula.

Faça uma Copa do Mundo eficiente, e ainda leve os méritos de ser uma “faxineira”: a eventualidade de uma reeleição de Dilma, excetuadas catástrofes internacionais, está colocada de bandeja.

Escrito por Marcelo Coelho às 16h01

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Memórias de Hitchens

 
 

Memórias de Hitchens

Acabo de ler “Hitch-22”, autobiografia do polemista inglês Christopher Hitchens. Qualquer artigo ou livro dele é divertimento na certa, mesmo que o assunto sejam os conflitos na Bósnia ou a guerra do Iraque. E mesmo que, como no caso destas memórias, muitas de suas farpas e alusões a personagens da vida política inglesa se percam para o leitor brasileiro.

 

Ele é uma espécie de Paulo Francis muito melhorado, com um grau de sofisticação e densidade informativa incomparáveis. Assim como Francis, começou de esquerda e foi ficando de direita com o tempo. Mas Hitchens não cai na estupidez de fazer piadas racistas e se orgulhar de preconceitos cretinos, como fazia Paulo Francis.

 

Hitchens começou trotskista, como Francis, se não me engano. E fico pensando por que razão tantos trotskistas terminam de direita. Os velhos comunistas do partidão, embora até gostem de ficar de direita, costumam manter certa “linha de conduta”.

 

Há várias respostas para isso. Acho que os trotskistas têm, por exemplo, especial interesse pela política internacional –e com o tempo o “mundo real” termina por fasciná-los mais do que valores igualitários que se possam aplicar no interior de cada nação.

 

Também podemos dizer que os comunistas “já” eram de direita há muito tempo, desde jovens acostumados a obedecer, a transigir, a aliar-se com o demônio. O trotskista, mantendo sua independência crítica, logo se cansa de ver não apenas os comunistas, mas a esquerda em geral, fazendo um jogo conciliatório –e, por horror à conciliação, acaba aderindo de vez.

 

Hitchens argumenta com grande contundência a favor da intervenção americana no Iraque e da derrubada de Saddam. Mas será que são necessárias tantas páginas, em suas memórias, para nos convencer de que Paul Wolfowitz é um cara legal?

 

Um defeito do livro, aliás, é a quantidade de vezes em que Hitchens cita o nome de algum figurão, antecedendo-o com as palavras “meu amigo”. Há um bocado de “name-dropping” no livro –embora ele tenha, de fato, a religião da amizade. As páginas que escreve sobre seus amigos Martin Amis e James Fenton são memoráveis, e repletas de boas anedotas.

 

Outro problema do polemista/jornalista é que, no fundo, as memórias não são um gênero adequado para esse tipo de mentalidade. Hitchens começa bem o livro, descrevendo sua família, e o supreendente suicídio da mãe. Mas não demora muito para ele se engajar menos nas recordações e mais nos assuntos objetivos que o mobilizaram a cada momento da vida –de sua viagem a Cuba na juventude ao regime de Saddam. Logo sentimos que estamos lendo mais um artigo sobre o Iraque do que as memórias do autor.

 

Seria modéstia, não fosse outra coisa: falta reflexão, experiência e autocrítica no livro. Hitchens raramente para, toma fôlego e tenta analisar por que ele era de um jeito e ficou de outro, em que tudo é igual, em que tudo é diferente. O espírito da época, o que foi casar, ter filhos etc., nada disso merece grande consideração. Ele está no presente sempre, mesmo quando fala do passado.

 

Mas o talento para a graça, para a provocação, para a cacetada “en passant” nunca desaparece. E “Hitch-22” é uma lição para todo jornalista sobre a difícil arte de nunca ser chato.

 

A fumaça do cigarro, prolongando-se à mecha do cabelo, faz da foto uma bela escolha para a capa do livro. Hitchens passa por um tratamento para o câncer. 

Escrito por Marcelo Coelho às 16h42

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voltaire de souza

Algumas crônicas recentemente publicadas no jornal "Agora".

 

 

SEM MAIS DETALHES

 

 

Beleza. Charme. Sedução.

São muitos os encantos da mulher brasileira.

Para Devair, isso era o de menos.

--Qualquer uma serve.

Ele tomava uma cerveja geladinha.

--Depende da hora.

Em tempos de Orgulho Heterossexual, Devair estava na linha de frente.

--Comigo é assim.

Ele olhava no relógio.

--Passo umas seis horas sem mulher, vou logo atacando.

Eram onze da noite. A morena Fabíola entrava no bar.

--Por exemplo. Essa aí.

Nenhuma beleza especial. Dentes protuberantes. O queixo avolumado.

--Deixa que eu monto nessa égua.

No Motel Panelinha, a surpresa. Fabíola era travesti.

A natureza lhe dava todas as condições de ter um grande orgulho hétero.

Devair reavalia seus preconceitos. E argumenta com um velho ditado.

A cavalo dado não se olha o dente.

 

 

 

 

A FASE DO ESPELHO

 

 

Os vereadores aprovaram.

São Paulo terá o Dia do Orgulho Heterossexual.

Tércio era machão convicto.

Depois do banho, ele se olhava no espelho.

--Vinte e um centímetros de orgulho... he he.

A mulher dele se chamava Berenice.

--Quem sabe no Dia do Orgulho Macho você pelo menos me dá um trato.

Tércio se ofendeu.

--O que foi? Não está contente com o maridão?

O casamento deles não passava por uma fase boa.

Aos 50 anos Berenice ainda estava razoavelmente em forma.

--Mas sabe como é... macho que é macho não se contenta com a rotina.

Algumas amantes. Alguns casos esparsos. Tércio vestiu a cueca.

--Bom... hora de trabalhar...

Foi agarrado pela mulher.

--Diz que é macho? Então prova comigo.

Tércio desistiu da mobilização. E já pesquisa os preços do Viagra pela internet.

O orgulho, muitas vezes, não sai da fase do espelho.

 

 

 

CONSUMO POPULAR

 

 

Lixo. Poluição. Os rios da cidade estão doentes.

O barraco de Leonir ficava perto de um córrrego imundo.

--Para mim até que é bom.

Seu olhar se perdia no passado.

--Antes eu pegava peixe aqui.

Ele deu um sorriso.

--Agora, é pneu, colchão... com sorte, eu acho um televisor.

A população renova seus bens de consumo.

E descarta os velhos como bem entende.

--Olha lá. Olha lá.

Uma antiga TV Sanyo Maxicolor repousava às margens da imundície.

--Não sei se funciona. Mas é decorativa.

Leonir tomou algumas cervejas para comemorar.

Misteriosamente, imagens surgiram na tela por volta da meia-noite.

--Leoniiir... veem... soou eeu... a Luuuma...

A bela mulher tinha cabelos verdes. Tipo sereia.

O córrego trazia outra coisa na manhã seguinte. Era o corpo de Leonir.

Mesmo na classe E, por vezes, os apelos do consumo podem ser irresistíveis.

 

 

 

MOMENTOS DECISIVOS

 

 

Dúvidas. Dilemas. Hormônios.

A adolescência é uma idade difícil.

Beto não tinha namorada.

Bom aluno. Gostava de balé e música clássica.

--Será que eu sou gay?

Em certa idade, pode ser bom se decidir.

Os vereadores paulistanos resolveram dar um empurrãozinho.

Foi aprovado o Dia do Orgulho Heterossexual.

--Na Parada Gay eu não fui...

Beto consultava o calendário.

--Será que eu encaro a Parada Hétero?

Futebol. Cerveja. Palavrões.

Beto resolveu caprichar.

A mãe não se cansava de pedir.

--Para de pôr a mão na cueca. E vê se usa desodorante.

A mão do rapaz virou um coice no rosto de dona Alcinda.

--Agora só falta mesmo eu parar de usar as calcinhas dela.

Mesmo para ser macho, o treinamento é essencial.

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 10h50

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Eike no "mundo real"

No meio da crise nas Bolsas, o empresário Eike Batista está confiante.

 

O meu mundo real não parou por causa da disciplina financeira e estou com todo  dinheiro necessário para alcançar a produção esperada até 2015, disse ele à Folha.

 

Acho engraçada a expressão “mundo real”, em oposição ao “mundo financeiro”, dos papéis e das dívidas.

 

De que “mundo real” as pessoas estão falando?

 

No mundo real, o da faxineira de casa, por exemplo, tudo é movido ao crédito nas casas Bahia.

 

O crédito é movido a publicidade, numa ponta, e na expectativa de emprego, na outra ponta.

 

São elementos puramente imaginários do nosso cotidiano.

 

Quando alguém consome sem ter dinheiro na hora para gastar, e sim prometendo que vai pagar as prestações, estamos num mundo nada real.

 

Pior ainda é o caso de Eike Batista, que adicionou um possessivo: “o meu mundo real”.

 

Não parece fala de psicótico?

 

Nem o cabelo dele é real.

Escrito por Marcelo Coelho às 10h07

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gays sem chatice

Acho absurda (ver post anterior) a iniciativa de criar o Dia do Orgulho Hétero. Mas as reações ao projeto talvez estejam indo pelo caminho errado.

Essa coisa de fazer abaixo-assinados, de apelar por um veto do prefeito, me parecem sérias demais.

O bom da Parada Gay é sua leveza, seu espírito de brincadeira.

Se os adversários do Dia Hétero começarem a ficar chatos e sérios, tudo estará perdido.

Sou a favor de um boicote pelo humor.

Pode-se inventar uma série de palavras de ordem cretinas para o evento. Pode-se criar um site só de piadas e charges a respeito.

Pode-se tornar tudo tão ridículo que não valerá a pena para ninguém aderir ao Orgulho Hétero.

Por muito menos do que isso, o movimento do “Cansei”, inventado pela Fiesp, esvaziou-se.

Militância chata, nunca, por favor.

Escrito por Marcelo Coelho às 11h47

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um tucano no quartel

A opinião generalizada sobre a burrice dos militares não foi desmentida por algumas reações à nomeação de Celso Amorim para o Ministério da Defesa.

Leio na Folha de hoje que um oficial incógnito faz o seguinte comentário:

Desde quando diplomata entende de guerra? É como botar médico para cuidar de necrotério. Parece brincadeira.

Deve ter sido o mesmo militar que foi entrevistado pelo “Estadão”, onde as declarações são estas:

É como nomear o flamenguista Márcio Braga para o cargo de presidente do Fluminense ou do Vasco, ou o vascaíno Roberto Dinamite como presidente do Flamengo.

A partir de declarações desse tipo, poderíamos concluir que o interesse dos militares brasileiros é fazer guerra...

E que a única coisa que os impede disso são os diplomatas.

Celso Amorim estaria chegando para (erradamente, na visão do entrevistado) arrefecer o intuito bélico de que estão imbuídos.

A cretinice é sem tamanho.

Na verdade, um diplomata sente na carne, imagino, o quanto pesam, nas negociações internacionais, o potencial militar de seu país.

Não digo isso em defesa de Amorim, mas da ideia em si.

Quanto a Nelson Jobim, que pelo raciocínio do luminar fardado também não convinha ao cargo (desde quando um juiz do Supremo entende de guerra?) não deixará saudade nenhuma.

Bem que ele tentou vestir uma fardinha camuflada e enfrentar (ó bravura), numa foto famosa, uma sucuri em viagem intrépida aos confins da Amazônia.

Será que ele entendia dos assuntos de sua pasta?

Num ponto exclusivamente técnico (técnico? Exclusivamente?) ele meteu os pés pelas mãos, engajando-se na compra de caças franceses quando a Aeronáutica queria os suecos.

Entende mais da França, certamente –de seus vinhos, de sua cultura, de Paris—do que de aviões de combate.

O que Jobim fez foi se aliar aos militares, contra PT e Dilma, na questão da Comissão da Verdade.

Esses dois pontos de conflito –os caças e os caçados—devem ter sido a real causa da demissão do ministro.

Que deu essa camuflagem política burríssima ao episódio, vendida por Lula inclusive, de que cometeu “gafes” e “deselegâncias” com relação a Ideli Salvati e a seu voto em Serra.

E ainda veio com a declaração de que ele “é assim mesmo”: destemido, desbocado, franco...

Apesar de peemedebista, Nelson Jobim era um tucano no ninho, efetivamente. Pela incontrolável vaidade, e pelo fato de ser, como todos eles, eterno aspirante à presidência da República sem nada além do próprio espelho a dizer-lhes que nasceram para o cargo.

Escrito por Marcelo Coelho às 18h48

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Macho por um dia

“Dia do Orgulho Heterossexual”, eis a última da Câmara dos Vereadores de São Paulo.

Isso é ridículo. Heterossexuais nunca sofreram discriminação.

A piada está pronta.

Seja macho por um dia.

Nos outros 364 dias, envergonhe-se de ser preconceituoso, fascista, estuprador, ou simplesmente inseguro e vítima do autopreconceito.

Avisem a turma lá da oficina do caminhão que a gente vai poder desfilar também.

Me segura que eu vou.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h56

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Apoiando Hitler

 
 

Apoiando Hitler

         Saiu em 2001 na Inglaterra, mas só agora aparece a tradução pela editora Record. Apoiando Hitler, de Robert Gellately, tem como subtítulo “Consentimento e Coerção na Alemanha Nazista”, e busca entender por que, afinal, tantos alemães apoiaram o regime de Hitler.

         A pergunta é essencial, mas depende de como é interpretada. Acho interessante investigar, por exemplo, se todos (ou quantos) alemães estavam “fanatizados”; quantos ficaram com medo de expressar alguma oposição; quantos concordavam com algumas coisas do nazismo mas não com todas; em suma, a uniformidade e a intensidade do apoio dado a Hitler. Variava de época para época? De região para região? Do que sabiam? Do que não sabiam

         Claro, o que está em jogo é a culpa dos alemães, ou, se não gostarmos da palavra, sua responsabilidade pelo que aconteceu. Não tanto para acusá-los agora, mas também para saber, afinal, com o que uma “pessoa comum” é capaz de consentir, em determinadas circunstâncias. E o que eu ou você teríamos feito em circunstâncias parecidas.

         Só que estou na página 185 do livro (que tem 500) e, até agora, nada vai por aí. A metodologia de Gellately desmente o título, na maior parte do tempo. Em vez de tentar saber o que pensavam os alemães, Gellately concentra-se em documentos oficiais –e em artigos de imprensa, totalmente censurada e manipulada pelo governo.

         Gasta dezenas e dezenas de páginas mostrando como a polícia se encarregou de prender criminosos, matá-los sem qualquer julgamento, exterminar mendigos e comunistas. Claro que os fatos impressionam –decidiu-se que a polícia (a Gestapo e a Kripo) poderiam rever, para pior, as sentenças de qualquer tribunal. Advogados, nem pensar. Era um esquadrão da morte permanente.

         Gellately conta tudo isso a partir de um pressuposto, o de que a população queria menos crimes e menos mendigos nas ruas.

         Então, esse tipo de terror era apoiado pela população, pelos “cidadãos de bem”.

         Não fica tudo de cabeça para baixo? A questão é saber se, como, e em que momento, “cidadãos de bem” apoiaram entusiasticamente a monstruosidade mais explícita. Não que a monstruosidade era compatível com os hábitos e desejos de cidadãos de bem.

         Uma abordagem mais clássica do problema investigaria, ao contrário, o quanto havia de monstros sob a capa do “cidadão de bem”. E a que instintos mais primitivos e bárbaros, em vez do desejo de lei, ordem e civilização, Hitler estava apelando.

         Essa hipótese parece ser descartada de início por Gellately, em proveito de uma espécie de “nazismo de resultados” e de uma abordagem puramente administrativa, se é que isso é possível, dos procedimentos policiais do nazismo.

Escrito por Marcelo Coelho às 23h41

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xiitas bancários

Ficamos todos chocados, é claro, com a rigidez dos fundamentalistas muçulmanos, que proíbem as mulheres de usar isto ou aquilo, que não admitem homens sem barba de dois metros, etc.

Mas é um bocado assustador ver também o nível de detalhamento que consta de uma circular do banco UBS, com orientações para a vestimenta de seus executivos no contato com os clientes. Trechos da lista, traduzidos do francês, foram divulgados pela revista “Harper’s”.

 

Sob nenhuma circunstância a ponta da gravata deve entrar dentro da calça.

 

O uso de óculos excessivamente descolados [ultra trendy] não é permitido. Assegure-se também de que suas joias combinem com a armação metálica dos óculos.

 

Sendo a pele nosso item primário de vestimenta, recomendamos que você a proteja usando um creme nutriente e refrescante.

 

Nunca massageie uma área onde você tenha aplicado perfume, pois isso pode destruir as moléculas do mesmo.

 

A echarpe deve ser sempre enrolada e amarrada com o nó orientado não para o certo, mas sempre que possível, para o alto e para a esquerda.

 

Em geral, uma blusa deve ser usada com a jaqueta do taier. Quando estiver muito quente e você tiver sido autorizada pelo seu superior, você pode usar a blusa sozinha com a calça ou a saia.

 

Claro que nenhum executivo ou executiva do UBS receberá açoites se infringir as regras, mas ninguém seria louco de não cumpri-las.

 

Claro, também, que a tal da “aparência” ou a conveniência do vestuário não são desprezíveis em nenhuma situação social.

 

O que impressiona é o detalhamento da coisa.

 

E uma espécie de irracionalidade que permeia tudo: um executivo incompetente pode enganar bem seus clientes se estiver “corretamente vestido”. Um pouco como aqueles fundos de investimento que eram arapucas mas tinham ótimas notas nas agências avaliadoras de risco.

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 12h56

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Marcelo Coelho Marcelo Coelho é membro do Conselho Editorial da Folha e escreve semanalmente no caderno "Ilustrada" desde 1990.

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