clássicos nas bancas

 

 

Lembro da primeira coleção de fascículos clássicos a aparecer nas bancas, lá por 1969, 70. Vinha um disco de 10 polegadas, com uma introdução bastante boa, ilustrada em preto e branco. “Mestres da Música”, acho que era esse o nome.

 

O principal defeito da coleção era a qualidade das interpretações, raras vezes de primeira linha (uma exceção era Wolfgang Schneiderhan com o Concerto para Violino de Mendelssohn). Na maior parte eram orquestras, maestros e pianistas de pouco destaque. Em alguns fascículos, como um de Mozart, o disco parecia mais uma colagem de “sobras” de outras gravações.

 

A coleção também era muito conservadora em suas escolhas musicais. A história da música parava em Rimsky-Korsakov, não chegando nem a Debussy, que dizer Stravinsky ou Schoenberg.

 

Anos depois, apareceu nas bancas uma coleção de LPs da Salvat, com Alicia de Larrocha tocando Novelettes de Schumann, por exemplo, e com algumas incursões avançadas no século 20, como Hans-Werner Henze.

 

A boa notícia é que começou a ser lançada, na última sexta-feira, uma coleção de DVDS de música clássica (e ópera) com orquestras e intérpretes excelentes, da Deutsche Grammophon. Algumas coisas podem soar meio antiquadas, como o Bach de Karl Richter. Todas as sinfonias de Beethoven com Karajan podem não ser da preferência do ouvinte mais atualizado, mas são item básico.

 

Por 19,99 reais o primeiro fascículo, você leva as sinfonias 7, 8 e 9 de Beethoven e uma “Madame Butterfly” com Plácido Domingo e Mirella Freni. A montagem da ópera de Puccini é bonita, na verdade mais curiosa que bonita. Fizeram como se fosse um filme, às vezes os cantores nem abrem a boca, a voz deles surge em “off”. A fotografia, em cores verdes de inverno, é de uma suavidade maravilhosa. Plácido Domingo, bem jovem, é um Pinkerton muito bem concebido dramaticamente, entusiástico, bonitão, voluntarioso, meio idealista meio canalha. E é a primeira vez que vejo um cantor de ópera mascando chiclete.