Marcelo Coelho

Cultura e crítica

 

música

partitura animada

 
 

partitura animada

Mesmo quem não sabe ler música pode aproveitar muito essa série de animações no youtube, que traduzem graficamente e em cores o que acontece em peças complicadas de música clássica, como a Grande Fuga op. 133  de Beethoven.

Escrito por Marcelo Coelho às 13h53

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Guiomar Novaes do Brasil

 
 

Guiomar Novaes do Brasil

Luciana Medeiros e João Luiz Sampaio lançaram, domingo passado, um belo livro sobre a maior pianista brasileira. “Guiomar Novaes do Brasil” é o resultado de extensa pesquisa em arquivos americanos, mostrando o entusiasmo com que a crítica recebia seus concertos. A quantidade de fotos, programas de concerto,  reproduções de anúncios e artigos de jornal faz do livro uma preciosidade.

 

A carreira de Guiomar Novaes começou em grande estilo, em 1909, quando a jovem de 15 anos encantou Debussy, Fauré e Moszkowski ao prestar seu exame de ingresso no Conservatório de Paris.

 

Muitas fotos funcionam como um documento da “Belle Époque”. Vemos Guiomar Novaes bem meninota e gorducha, ao lado de uma mãe vestida de preto, com um incrível chapéu ornamentado com uma espécie de pena, flecha ou foguete transversal. Outra foto mostra as alunas de Luigi Chiafarelli, a quem Guiomar Novaes deve a essência sua formação, todas de branco; é quase assustadora em sua antiguidade.

 

Guiomar Novaes não era bonita –o queixo parece excessivamente volumoso e redondo--, mas seus olhos são muito cativantes, negros, doces. Algumas fotos dela mocinha são encantadoras –especialmente as de perfil. Não sabia que seu nariz era tão arrebitado; os autores contam que foi ela o modelo para Monteiro Lobato criar sua Narizinho.

 

A imagem de Guiomar Novaes confirma a ideia que se tem de seu modo de tocar, sempre cantante, redondo, nunca percussivo.

 

Mas a grande atração desse livro está nos dois CDs que o acompanham. Recuperam-se gravações de concertos seus pelo rádio, com a Filarmônica de Nova York.

 

Ela toca Chopin, com Leonard Bernstein regendo, e os concertos de Schumann e Beethoven, com George Szell. Há vários extras para piano solo.

 

O som nem sempre é bom, por vezes o piano submerge na música da orquestra, mas, entre as inúmeras qualidades desses CDs, é possível ver de que modo é falsa a imagem de “suavidade” associada à pianista. Ela pode ser violenta, viril, selvagem e moderna (carregando nas dissonâncias em alguns momentos de “Papillons” de Schumann, por exemplo). E, nas Bachianas Brasileiras no. 4 de Villa-Lobos, é maravilhoso como ela evita o tom solene com que a peça tantas vezes é tocada; tudo é naturalíssimo, sem pompa (o que não exclui um sentido adequado de ênfase quando isso é necessário).

 

O livro foi produzido com auxílio do BNDES, o texto tem versão em inglês, e é sem dúvida um lançamento de interesse mundial na área de música clássica.  

Escrito por Marcelo Coelho às 00h13

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clássicos nas bancas

 
 

clássicos nas bancas

 

 

Lembro da primeira coleção de fascículos clássicos a aparecer nas bancas, lá por 1969, 70. Vinha um disco de 10 polegadas, com uma introdução bastante boa, ilustrada em preto e branco. “Mestres da Música”, acho que era esse o nome.

 

O principal defeito da coleção era a qualidade das interpretações, raras vezes de primeira linha (uma exceção era Wolfgang Schneiderhan com o Concerto para Violino de Mendelssohn). Na maior parte eram orquestras, maestros e pianistas de pouco destaque. Em alguns fascículos, como um de Mozart, o disco parecia mais uma colagem de “sobras” de outras gravações.

 

A coleção também era muito conservadora em suas escolhas musicais. A história da música parava em Rimsky-Korsakov, não chegando nem a Debussy, que dizer Stravinsky ou Schoenberg.

 

Anos depois, apareceu nas bancas uma coleção de LPs da Salvat, com Alicia de Larrocha tocando Novelettes de Schumann, por exemplo, e com algumas incursões avançadas no século 20, como Hans-Werner Henze.

 

A boa notícia é que começou a ser lançada, na última sexta-feira, uma coleção de DVDS de música clássica (e ópera) com orquestras e intérpretes excelentes, da Deutsche Grammophon. Algumas coisas podem soar meio antiquadas, como o Bach de Karl Richter. Todas as sinfonias de Beethoven com Karajan podem não ser da preferência do ouvinte mais atualizado, mas são item básico.

 

Por 19,99 reais o primeiro fascículo, você leva as sinfonias 7, 8 e 9 de Beethoven e uma “Madame Butterfly” com Plácido Domingo e Mirella Freni. A montagem da ópera de Puccini é bonita, na verdade mais curiosa que bonita. Fizeram como se fosse um filme, às vezes os cantores nem abrem a boca, a voz deles surge em “off”. A fotografia, em cores verdes de inverno, é de uma suavidade maravilhosa. Plácido Domingo, bem jovem, é um Pinkerton muito bem concebido dramaticamente, entusiástico, bonitão, voluntarioso, meio idealista meio canalha. E é a primeira vez que vejo um cantor de ópera mascando chiclete.  

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 17h59

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O concurso Tchaikovsky

 
 

O concurso Tchaikovsky

Depois de anos de declínio (ouço dizer que professores de candidatos faziam parte do júri), o concurso Tchaikovsky (prêmios para piano, violino, violoncelo e canto) retomou plena força em 2011, sob a direção do maestro Valery Gergiev. Foi aquele concurso que, em 1958, plena guerra fria, teve Van Cliburn como vencedor.

Uma das medidas para aumentar a transparência e a publicidade do concurso tomadas por Gergiev foi de transmitir tudo pela internet. Está neste link. É só dar o email e fazer uma senha, tudo é grátis.

Em tempo: o vencedor do prêmio de piano foi um russo.

Escrito por Marcelo Coelho às 01h39

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A portuguesa

 
 

A portuguesa

Para quem gosta de Scarlatti e Couperin, há outros compositores de peças para cravo, da mesma época, que mereceriam ser mais conhecidos. Os Forqueray, pai e filho, foram compositores. Jean-Baptiste (1699-1782) publicou arranjos para cravo das composições do pai, Antoine (1671-1745), acrescentando peças escritas por ele próprio.

Como no caso de Scarlatti, mas talvez com ainda maior radicalidade, essas pequenas composições não têm medo de dissonâncias quase selvagens para a época, a que o timbre particular do instrumento dá uma deliciosa (para o meu gosto) adstringência. É como morder uma fruta que "pega" na boca, e ainda assim é gostosa. Ouça "La Portugaise", da suíte no.1, em ré menor. Faz parte de um CD duplo de Michael Borgstede, que recebeu destaque na última edição da revista francesa "Diapason".

 

Escrito por Marcelo Coelho às 23h13

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Cantar ou dançar

 
 

Cantar ou dançar

A grande divisão na música não é aquela, que se geralmente pensa, entre a música clássica e a música popular.

Antes disso, há uma diferença mais básica, que é entre dançar e cantar, dançar e ouvir.

Aprendi isso vendo o volume 9 de uma série de documentários sobre o jazz, que está saindo semanalmente nas bancas pela Duetto Editorial.

Esse volume está dedicado aos anos 1945-1949, e conta os inícios do Be-Bop, com Dizzy Gilllespie e Charlie Parker.

Ao mesmo tempo, mostra o início da popularidade de Frank Sinatra.

No começo, ele era apenas o “crooner” da orquestra de Tommy Dorsey. A saber, uma orquestra que funcionava, em última análise, para embalar bailinhos de casais pelas voltas de 1940.

Repentinamente, a voz do cantor passou a interessar mais do que o som da orquestra. A popularidade de Frank Sinatra significou, por dizer assim, a emancipação da canção popular frente à obrigação orquestral de dar fundo musical à dança.

No sentido oposto, as orquestras de jazz se tornaram mais específicas, tendendo a desistir da dança, e concentrando-se no aspecto puramente instrumental da música para ser ouvida.

Numa palavra, tornaram-se “clássicas”: é o mesmo processo pelo qual a música de dança nos séculos 16 e 17 (gavotas, minuetos, rigaudons) se tornaram música abstrata, apenas a ser ouvida, com Bach e Rameau, no século 18.

A dança, esta uma hipótese apenas, conduziu ao erudito –e não é por acaso a lembrança de que o marco da música moderna no século 20, “A sagração da primavera”, de Stravinsky, foi uma obra de balé.

Enquanto a música cantada, simetricamente, resultou em ópera –a menos erudita das formas tradicionais da música ocidental--, passando daí à opereta, ao musical, ao canção comercial.

Quem dança, ouve. Quem canta, consome.

Voltamos assim à distinção entre música clássica e música erudita.

Não é à toa que, nascendo das orquestras de dança dos anos 1940, a forma mais erudita do jazz surgiu, o be-bop, e daí o cool. Não é possível dançar segundo Charlie Parker, ou segundo Miles Davis. Mas sua carícia instrumental tem raízes na música das bandas feitas para dançar.

Não é à toa que, nascendo das mesmas orquestras de dança dos anos 1940, cantores como Frank Sinatra abriram caminho a Elvis Presley, aos Beatles e aos cantores pop em geral. Impõem, pela letra do que cantam, a escuta, a atitude passiva do ouvinte, em vez da atitude ativa de quem dança.

O paradoxo é que, da atitude passiva do ouvinte, nasceu a mais vigorosa música de dança do século 20.

E que, da atitude ativa da dança, sempre nasceu a mais exigente música do século 20, aquela feita para ser simplesmente ouvida.

Ou seja: ouvir como quem dança, eis a receita da música sofisticada. Dançar sem escutar, eis a receita da música menos sofisticada que conhecemos hoje. Entre as duas, cantar. Cantar como quem ouve, eis o segredo do “lied” erudito, de Schubert a Schumann a Poulenc e Debussy. Cantar como quem dança, eis o segredo de Billie Holliday e Ella Fitzgerald a João Gilberto e Amy Winehouse.

Escrito por Marcelo Coelho às 03h54

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O pianista Stephen Hough

 
 

O pianista Stephen Hough

Neste domingo, na Sala São Paulo, o pianista britânico Stephen Hough dá um recital só de sonatas, começando pela op 27 no. 2 de Beethoven ("Ao Luar") e terminando com a de Liszt, em si menor. Escrevi as notas para esse programa, que reproduzo mais abaixo. Mas o melhor é começar vendo Hough no youtube. Segue o trecho de uma "masterclass" com uma rapsódia húngara de Liszt, e é impressionante ver a diferença entre a facilidade do professor, a liberdade dele, e a aplicação não muito imaginativa da aluna:

Eis o que eu escrevi sobre o recital, que está disponível na revista mensal da Sala São Paulo, distribuída aos frequentadores do lugar.

“Eu vos convoco à vida, ó forças misteriosas!/Mergulhadas nas obscuras profundezas/ Do espírito criador, tímidas/ Sombras de vida, eu vos trago a audácia!”.

        

Estes versos, tirados de seu próprio “Poema do Êxtase”, serviram a Alexander Scriabin de epígrafe para sua Sonata no. 5, uma das peças desta apresentação. Mas poderia ser estendida a todo o recital de Stephen Hough a ideia, expressa com tanta ênfase por Scriabin, de uma passagem da “sombra” para a “audácia”.

        

Na “Sonata Quase uma Fantasia”, op. 27 no. 2, de Beethoven (1801), sempre se procurou algum tipo de “programa”, ou de “narrativa”. O primeiro movimento da peça, que começa ondulante e hipnótico, rendeu-lhe o título célebre –“Sonata ao Luar”. Mas se existe mesmo algo de um balanço de barco em lago noturno no “adagio sostenuto”, como explicar que em seguida apareça um “allegretto” bem brejeiro e matinal?

 

Fiquemos só com a música; por exemplo, o acorde de dó sustenido menor. Ele é gestado misteriosamente nas profundezas do primeiro movimento –e, como se fosse acumulando carga elétrica na memória do ouvinte, dispara relampejante no “presto agitato” final.

 

Do mistério à audácia, do lunar ao alucinado: um Scriabin –grande pianista, aliás— certamente interpretaria assim a sonata de Beethoven.

        

Antes de chegar a Scriabin, entretanto, o recital nos apresenta uma composição curta, também quase programática, do tcheco Leos Janácek. Homenageando um trabalhador morto em 1905, numa manifestação contra o domínio austríaco, esta peça em dois movimentos transpõe parcialmente, para a linguagem pianística, a preocupação presente nas grandes óperas do compositor, como Jenufa. Tratava-se de reproduzir os ritmos e acentos peculiares da linguagem falada nos cafés, nas ruas, nas conversas familiares.

 

É assim que ouvimos algo como uma interjeição rápida (cuidado, perigo!) interrrompendo, com insistência, a cantilena do movimento inicial. Cantilena calma e interjeição “urgente” serão conduzidas das sombras de mi bemol menor para um esperançoso sol maior. Mesmo assim, o primeiro movimento recebe seu título –“premonição”— do grito de alarme inicial, que será retrabalhado demoradamente, numa obsessividade sem saída, no segundo movimento, intitulado apenas –“morte”.

        

Já as duas sonatas de Scriabin não poderiam se movimentar de modo mais eufórico, diríamos mesmo maníaco. Na sonata no. 4, de 1903, uma ascensão rumo às estrelas é representada no “prestíssimo volando” do segundo e último movimento. “Giubiloso”, “con stravanganza”, “tumultuoso esaltato”, “con una ebbrezza fantastica”: as indicações do compositor pululam nas páginas das duas sonatas, altamente virtuosísticas em seus motivos alucinatórios. Mas na Sonata no. 5, de 1907, é como se o entusiasmo terminasse por faíscas e choques dolorosos. Composta num único movimento, a peça de Scriabin parece fraturar-se de alegria –e se os temas, que se alternam obsessivamente, atingem uma síntese, esta já parece se situar em outra dimensão, a do silêncio.

        

O jogo com o silêncio, a forma  “cíclica”, a obsessividade no uso de motivos curtos, retransformados como se estivessem dentro de um caleidoscópio descomunal, constituem algumas das originalidades da Sonata em si menor, de Liszt, de 1853. Mais uma vez, a forma clássica da sonata é aqui reinterpretada, traída e traduzida para um espírito romântico e quase programático. Dos graves e meditativos desenhos dos compassos iniciais, à súbita aparição do motivo principal da obra (que lembra, curiosamente, o gracioso tema do Allegretto do op. 27, só que cortado a faca, sulfuroso, desafiador) também vemos a gestação de um processo que vai do satânico ao luminoso, da profundeza à luz.

        

As cintilações estelares de Scriabin, o luar beethoveniano, os revérberos urbanos de Janacek convergem no clarão, por vezes teatral, de Liszt. Mas sua sonata, com justiça considerada um dos cumes da literatura pianística, aparece aqui como uma espécie de grande construção unificando as indicações, os presságios e os ardores das demais sonatas do recital, que se combinam e recortam a mais de um século de distância.  

 

Escrito por Marcelo Coelho às 23h49

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você é musical?

 
 

você é musical?

A estação de música clássica da BBC propõe um teste aos internautas, para medir sua musicalidade. É um pouco demorado, mas em alguns momentos bastante divertido de fazer.

Você tem de dizer, por exemplo, se a batida do compasso está certa numa série de exemplos musicais. Já sabia que ia me dar mal nesse item. Outro teste é ouvir uma melodia, e depois ouvir uma outra versão, dizendo se as notas são as mesmas ou se alguma coisa foi alterada. A rigor, foi a única coisa em que me saí bem.

Outras questões são genéricas demais: "você ouve música todo dia? Você toca algum instrumento? Já chorou ouvindo música?" Eles querem medir com isso não apenas a sua capacidade auditiva, mas o seu entusiasmo pela coisa. Nesse ponto, o teste é suspeito: pode ser que estejam medindo apenas a sua personalidade --se é emotiva e entusiasta, ou se é reticente e moderada. Como a pesquisa é conduzida por acadêmicos, talvez exista um objetivo secreto no teste: saber se há relação entre o seu pendor musical e o gosto que você tenha pela música. Um sujeito pouco talentoso pode achar a música essencial na sua vida --tanto quanto alguém que percebe na hora a falha de um baterista. Será?

Seja como for, senti-me injustiçado pelos resultados --os exemplos eram na maioria tirados da música popular, o que desnorteia o ouvinte de uma rádio clássica. E minha tendência era responder às perguntas gerais sem grandes efusões: não "adoro" todo tipo de música, não vou a shows, etc. Adoraria, entretanto, fazer mais testes "técnicos" que pudessem treinar mais o meu senso de ritmo e o ouvido para pequenas diferenças na harmonia de uma música.

Quem quiser tentar, pode clicar aqui

Escrito por Marcelo Coelho às 16h29

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Clássicos na TV Cultura

 
 

Clássicos na TV Cultura

Durante muitos anos, toda vez que se queria transmitir filmes estrangeiros de música clássica na TV brasileira o programa era o mesmo. Pegava-se uma antiga (e excelente) coleção da qual faziam parte Karajan regendo a Nona Sinfonia de Beethoven, Rubinstein num concerto de Brahms (de bis um intermezzo), e naturalmente um daqueles concertos de Ano Novo em Viena, com valsas a mais não poder.

Depois de algumas semanas, o estoque se esgotava. Foi assim, se bem me lembro, com uma série da Globo que tinha Isaac Karabtchevsky como apresentador, mais ou menos repetida anos depois na Manchete com Salomão Schwartzmann, e reciclada não faz muito tempo, já não sei em que canal.

É verdade que a produção de DVDs de música clássica aumentou muito nos últimos anos, possibilitando bem maior variação de orquestras e de repertório.

A TV Cultura começa agora uma nova série, que foge muito do ramerrão: um documentário sobre Darius Milhaud ou Aarvo Pärt não se vê todo dia, por exemplo.

 Como é padrão na emissora, os horários são estranhos: sábado e domingo às 4 da tarde. Bem, será  que haverá transmissão direta dos concertos da Osesp, que são nesse horário? Seja como for, recebi a programação dos próximos meses, sujeita a alterações, e vou tentar adequar a minha agenda para ver o máximo possível.

Aqui vai.

                                                          

MAIO 

Sábado, 7/5, 16h: a Orquestra do Concertgebouw de Amsterdam. Maris Jansons, regente. Gustav Mahler / Sinfonia nr 2 “Ressureição”

Domingo, 8/5, 16h: O padre vermelho - documentário sobre A. Vivaldi. Produção ORF 

Sábado, 14/5, 16h: Camerata L’Arte Del Mondo - Divertimentos e Concertos de Mozart

Domingo, 15/5, 16h: Tchaikovsky: A Sinfonia Patética – documentário. Produção ARTE

Sábado, 21/5, 16h: Orquestra do Iluminismo (Orchestra of the Age of Enlightenment).Vladimir Jurowski, regente. Beethoven: Sinfonias nºs 4 e 7 e Abertura Coriolano

 Domingo, 22/5, 16h: Bolero, uma paixão - documentário sobre Ravel. Produção ARTE

Sábado, 28/5, 16h: Osesp - Richard Armstrong, regente, Stephen Hough, piano. Obras de Liszt e  Wagner

Domingo, 29/5, 16h: Filarmônica de Rotterdam, Valery Gergiev, regente. Mussorgsky / Ravel: Quadros de uma exposição. Ravel: Alborada Del Gracioso e La Valse

JUNHO

Sábado, 4/6, 16h: Reger não me cansa - documentário sobre a atividade do regente Valery Gergiev frente à Orquestra Filarmônica de Rotterdam

 Domingo, 5/6, 16h: O sistema - documentário sobre o ensino de música na Venezuela. Produção EuroArts

Sábado, 11/6, 16h: Orquestra Simon Bolivar. Claudio Abbado, regente. Anna Prohaska, soprano. Prokofiev / Suite Scitia op. 20 - Berg / Suite de ‘Lulu’. Tchaikovsky / Sinfonia no.6

 Domingo, 12/6, 16h: Darius Milhaud e sua música - Produção ARTE           

Sábado, 18/6, 16h: Osesp - Osmo Vanska, regente. Jaako Kuusisto, solista. Sibelius, Rautavaara,Tchaikovsky

Domingo, 19/6, 16h: Hector Berlioz: Sinfonia Fantástica - documentário realizado pelo maestro Michael Tilson Thomas e a Sinfônica de San Francisco. Produção APT

 Sábado, 25/6, 16h: 24 prelúdios para a fuga - documentário sobre Aarvo Pärt. Produção EUROARTS

Domingo, 26/6, 16h: Sinfônica de San Francisco. Michael Tilson Thomas, regente. Hector Berlioz: Sinfonia Fantástica

 

 

A soprano Anna Prohaska

Escrito por Marcelo Coelho às 00h31

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gravações russas

 
 

gravações russas

 

Ainda sobre Stravinsky. É tão raro um lançamento de música clássica no Brasil, que qualquer um mereceria elogios. Mas vai bem além disso o que fez o selo Biscoito Fino, com a caixa intitulada Acervo Russo.

São quatro CDs de música de Stravinsky, com gravações recuperadas da GostelRadio de Moscou. Muita coisa foge do conhecido:

In memoriam T.S. Eliot, com o Coro de Câmara da URSS, boa gravação ao vivo de 1974, direção de Gennady Rozhdestvensky.

Mouvements, para piano e orquestra, com Sviatoslav Richter, gravação excelente, em estéreo.

Quatro canções camponesas russas, coro feminino e trompas sob a direção de Rozhdestvensky.

Duas suítes para pequena orquestra (?)

E também Petrushka, com regência de Mravinsky,

Além de muito mais coisa.

Escrito por Marcelo Coelho às 05h08

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Stravinsky fala de Rachmaninov

 
 

Stravinsky fala de Rachmaninov

Stravinsky, em suas “Conversas” de 1959, lembra-se de Rachmaninov.

 

A última vez em que eu vi aquele homem assustador, ele apareceu na minha casa em Hollywood trazendo de presente para mim um pote de mel. Eu não era especialmente amigo de Rachmaninov naquele tempo; ninguém era, eu acho: relações sociais com um homem do temperamento de Rachmaninov exigem mais perseverança do que sou capaz: ele só estava me trazendo mel.

... Algumas pessoas adquirem um tipo de imortalidade simplesmente graças à  completude com que possuem ou deixam de possuir alguma qualidade ou característica. A totalidade imortalizadora de Rachmaninov era seu mau humor. Ele era um mau humor de um metro e noventa de altura.

Suponho que minhas conversas com ele, ou melhor, com a mulher dele, pois ele ficava sempre em silêncio, eram típicas:

Sra. Rachmaninov: Qual é a primeira coisa que o senhor faz quando acorda de manhã? [Isso poderia ter sido indiscreto, mas não se você visse a maneira com que ela perguntava]

Eu: Durante quinze minutos eu faço exercícios que um ginasta húngaro me ensinou, ou melhor, eu fazia até saber que o húngaro morreu muito moço, e muito de repente, e depois eu tomo uma ducha.

Sra. Rachmaninov: Está vendo, Serge, Stravinsky toma ducha. Que extraordinário. Você continua dizendo que tem medo de tomar ducha? E você ouviu ele dizer que faz exercício? O que é que você acha disso? Que vergonha, você nem faz uma caminhada.

Rachmaninov: (Silêncio)

 

...Quando eu penso nele, acho que o seu silêncio surge como um contraste nobre em comparação com os auto-elogios que são o único assunto dos intérpretes e da maioria dos outros músicos. E ele era o único pianista que eu vi que não fazia caretas. É uma grande coisa.

Escrito por Marcelo Coelho às 04h29

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elitismo é isso aí

 
 

elitismo é isso aí

Eis o que um compositor escreveu a seu patrocinador, um banqueiro que era também príncipe:

 

[louvemos] os tempos mais belos, e infelizmente passados, em que um príncipe aparecia como protetor de um artista, mostrando à plebe que a arte, um assunto de príncipes, está além do julgamento do povo comum.

 

Trata-se de uma carta de Arnold Schoenberg, escrita em 1924, para o príncipe Egon von Furstenberg, que dava dinheiro para um festival de música contemporânea.

 

O mesmo Schoenberg entusiasmara-se com o início da Guerra de 1914, que serviria, no seu entender, para impor uma lição aos entusiastas de Bizet, de Stravinsky e de Ravel:

 

Reduziremos, agora, esses defensores do kitsch à escravidão e lhes ensinaremos a venerar o espírito germânico e o Deus alemão.

 

A primeira citação eu tiro da monumental História da Música Ocidental, de Richard Taruskin, e a segunda de O Resto é Ruído, de Alex Ross.

 

Claro que as opiniões políticas de um compositor não validam ou invalidam a qualidade de sua música. Mas então seria o caso de não condenar –como se faz alegremente nos meios “avançados”—a música de Carl Orff ou a maneira de reger de Herbert von Karajan.

 

O fato é que o “progressista” Schoenberg, sempre adorado pela esquerda nos passos do que escreveu Theodor Adorno, sai-se um bocado mal nesses dois livros, que refletem um grande esforço “revisionista” no que diz respeito à história musical do século 20.

 

Não se trata mais, como se fazia até os anos 1970, de defender um progresso linear na música, privilegiando sempre quem representasse a vanguarda mais radical. Quanto mais “modernistista”, mais de vanguarda, melhor –o critério de qualidade se tornava fácil de seguir, inclusive para quem não fosse músico ou para quem fosse totalmente surdo; é o que, em matéria de poesia, se viu na influência dos concretistas –que também davam suas opiniões sobre “Música radical”, “música de invenção”, etc. Leonard Bernstein, um esquerdista, era assim “de direita” porque ainda escrevia alguma coisa tonal. Felizmente esse patrulhamento vai sumindo.

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 22h42

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uma noite de verão

 
 

uma noite de verão

Falei na semana passada de uma música de Samuel Barber, "Knoxville 1915". Vai aqui o link para sua interpretação com Barbara Hendricks, com a vantagem de ter a letra junto.

Escrito por Marcelo Coelho às 19h58

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Casamento e morte de Hugues Cuénod

 
 

Casamento e morte de Hugues Cuénod

Na área das "mélodies", isto é, das canções eruditas francesas (Fauré, Debussy), os cantores mais conhecidos são Gérard Souzay, Charles Panzéra, Gabriel Bacquier.

Mas o tenor suíço Hugues Cuénod teve grande importância, estreando obras de Stravinsky na década de 50, fazendo uma das primeiras gravações de Monteverdi, ainda na década de 30, e deixando vários discos de "mélodies", como estas, no op. 58 de Fauré:

Nascido em 1902, Hugues Cuenod teve a sorte de manter a voz praticamente intacta até a velhice bem avançada.

O tenor morreu neste 3 de dezembro, aos 108 anos.

Graças a uma recente lei suíça permitindo o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, Cuenod pôde casar-se com seu companheiro Alfred Augustin, aos 104 anos. 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 06h44

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Eric Whitacre

 
 

Eric Whitacre

Depois de muitos meses com a orquestra de André Rieu no número 1 dos CDs mais vendidos de música clássica --valsas e polcas de Ano Novo--, o fenômeno de vendas na Inglaterra agora é um compositor de obras corais, Eric Whitacre. Ele é um rapagão nascido em Nevada, que estudou na Juilliard School of Music com John Corigliano. Achei bonito, dentro de uma tradição que (não sei se estou certo) está em algum lugar entre os compositores sacros ingleses do século 20 e o estilo de Samuel Barber. Para quem gosta, e ao mesmo tempo enjoou um bocado, do célebre "adagio para cordas" deste último, vale a pena experimentar isto:

 

Escrito por Marcelo Coelho às 00h38

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Marcelo Coelho Marcelo Coelho é membro do Conselho Editorial da Folha e escreve semanalmente no caderno "Ilustrada" desde 1990.

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