Marcelo Coelho

Cultura e crítica

 

Pizzas e cia.

embalagens antigas

 
 

embalagens antigas

Uma exposição simpática vai começar dia 20 de janeiro, no Museu do Ipiranga. Seu tema: papéis de bala e embalagens de chocolate. São parte de uma coleção de 5266 itens, doada por Egydio Colombo Filho ao museu, em 2003. Alguns exemplos, dos mais clássicos:

 

 

 

 

 

 

 

A exposição fica em cartaz de 20 de janeiro a 20 de março, de terça a domingo, das 9 às 17hs. Mais informações em www.mp.usp.br

 

Escrito por Marcelo Coelho às 23h25

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quente e frio

 
 

quente e frio

Retomando a coleção de cartazes populares de comida, algumas pinturas bem primitivas que fotografei recentemente. Primeiro, este sorvete de copinho:

(a porta ao lado dá a dimensão da coisa)

Bem mais perfeito este sorvete de abacaxi, com forte ilusão de tridimensionalidade, além da cor muito boa do palito (ainda que torto):

Por fim, caldeirões de cozido num fundo de belo verde.

Escrito por Marcelo Coelho às 16h21

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fã clube da pizza

 
 

fã clube da pizza

Não é bem um cartaz popular, como os que de vez em quando publico nesta seção do blog. Trata-se de uma embalagem de pizza a domicílio, que vale pela felicidade geral que pretende transmitir. Foi enviada pelo leitor Thiago, que reclama do caráter excessivamente bissexto das postagens deste tipo.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h15

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cartazes de rua

 
 

cartazes de rua

Estive fora de São Paulo nas férias e consegui tirar algumas fotos de cartazes populares, retomando a série "pizzas e cia." que andava meio descuidada por aqui. Gostei desse hamburger, por exemplo:

A caligrafia é típica das carrocerias de caminhão. O mesmo ilustrador faz esta pintura de churrasco:

Mas o melhor, sem dúvida, é essa tigelinha minimalista:

 

 

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 11h02

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Luciana Mariano

 
 

Luciana Mariano

Para quem gosta, como eu, de arte naïf (mas não de tudo), vale a pena dar uma olhada nas telas de Luciana Mariano, que está com exposição na Galeria Jacques Ardies. Duas amostras:

 

 

Um quadro se chama "A Convidada"; o segundo é "Fazendo Comidinha". Espetacularmente expressivo, eu acho, é o detalhe da cortina balançada ao vento no segundo quadro, revelando a mais esquemática paisagem urbana possível. E que perspectiva...! É como se o apartamento em que se desenrola a cena estivesse num disco voador, de tal modo os prédios vizinhos são vistos de cima.

Gosto da arte "naif" (ingênua) na medida mesma em que sua ingenuidade é artificial. Como não imaginar algum subtexto perverso em "A Convidada"? É como se só o pintor ignorasse o que existe entre os personagens... Veja-se o olhar do marido, no primeiro quadro: ingênuas certamente são as duas mulheres, não ele. Veja-se a metalinguagem do segundo quadro: enquanto a mãe cozinha de verdade, as meninas brincam de cozinhar, em sua "naiveté". Se isso não é arte, me digam o que é.

PS- Quanto mais eu olho, mais detalhes aparecem. Há em "A Convidada" um quadro pendurado na parede, cuja sexualidade parece confessar o que não foi dito entre os personagens. Uma rosa vermelha deixada no chão: outra evidência. No segundo quadro, muito simpático o fato de o menino à esquerda brincar de carrinho, enquanto perto dele se vê, equilibrando a cena, uma rígida vassoura de cabo preto... Que beleza, além disso, as retas samambaias que caem no lado direito do quadro, lembrando o bordado da toalha de "A Convidada"...

 

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 14h50

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ingênuos, mas não tanto

 
 

ingênuos, mas não tanto

Na série de cartazes populares e figurações rústicas, de que tenho descurado há algum tempo, podem-se encontrar verdadeiros tesouros no site da galeria Jacques Ardies, dedicada à arte “naïf”. Certamente, alguns pintores exageram na dose, forçando a nota idílica e pastoral.

 

Gosto mais dos que prentendem retratar a realidade urbana, transfigurando-a com olhos e cores de quem conhece as paisagens do interior. É o caso de Cristiano Sidoti, nascido em 1976, aqui em São Paulo mesmo.

Ele pinta a Barra Funda como se tudo fosse uma quermesse de prédios. Não é preciso abstrair bandeirinhas, como Volpi, para ser interiorano (e crítico) ao retratar a modernidade brasileira.

 

Também paulistana, a pintora Luciana Mariano é ainda mais crítica, e renova com inteligência perversa as tradições da arte “naïf”.

 

Todo pintor naïf, afinal, procura retratar o “humano” das coisas. Se a arte moderna foi, segundo Ortega y Gasset, “a desumanização da arte”, o “naïf” pode ser entendido como uma busca quase desesperada pelo reconhecível, pelo sentimental, pelo imediato na figuração. Pois bem, Luciana Mariano usa a linguagem do naïf para buscar o “desumano”, o “estranho”, na sua pintura.

 

 

Sem dúvida, Magritte apostou no realismo da linguagem para transmitir inquietações no espectador. Luciana Mariano faz um jogo parecido, e talvez, a meu ver, mais inteligente: usa a linguagem do naïf para transmitir uma ausência do sujeito “humano”, sem que lhe seja necessário recorrer aos truques visuais e imaginativos de Magritte.

 

A “humanidade” volta com tudo nos quadros de Zé Cordeiro, nascido em São Paulo em 1942, que expõe prostitutas de rua numa pintura direta e habilíssima. Em “As Meninas do Sodré” vemos três mulheres retratadas de frente, numa calçada.

 

É como se o pintor, mostrando-as assim, imitasse o próprio oferecimento delas ao freguês. Acentua o volume dos joelhos e das coxas; não estamos aqui diante de um pintor tão “naïf” a ponto de reduzir tudo a duas dimensões apenas. Mas a explicitude corporal das três figuras se cerca de sutilezas. O olhar de cada uma, por exemplo: só a aparentemente mais velha das três (vemos pelas olheiras) encara o espectador de frente. Enquanto isso, no fundo do quadro, outras coisas acontecem.

(O senso do “acontecimento”, aliás, é típico do “naïf”, a começar de Brueghel). Um homem está fazendo xixi, do lado esquerdo do quadro. O leão de chácara aparece, de pernas abertas, na entrada da boate.

 

E que ciência de cores vemos no quadro de Zé Cordeiro! Tudo é ao mesmo tempo descombinado e se combina. Na mulher da direita, roxo e verde, azul e branco, o amarelo do cabelo e o vermelho das rosas do estampado, funcionam maravilhosamente, apesar de sua tensão interna, que dirige o olhar do espectador à direita, onde uma figurinha de branco lhe propõe uma espécie de venal alívio. Um pintor como esse é “naïf” (ingênuo) só no nome.

 

Waldomiro Sant’ Anna, nascido em 1952 em Itápolis, e professor em instituições universitárias, joga um jogo mais arriscado. Possui a técnica dos volumes, das profundidades, das luzes –coisa que muitos artistas na galeria Jacques Ardies ignoram, voluntariamente ou não.

 

O espetáculo da prostituição de rua, que víamos tão explícito em Zé Cordeiro, adquire veladuras de boate em Waldomiro Sant’ Anna.

 

 

Como não admirar a graça da curvatura da figura de costas, na extrema direita do quadro? Repare, ao mesmo tempo, nas mãos da mulher de vermelho: uma espécie de agressiva inabilidade está em pauta nas atitudes do pintor. Inteligente a luz azul no canto superior esquerdo do quadro.

 

Seria Waldomiro Sant’Anna um pintor “naïf”? Aí intervém a importância dos rótulos. Se ele se apresentasse como um artista sério e informado, seus quadros seriam desprezíveis, talvez. Como “ingênuo”, ele se torna monumental. Sua geometria lembra Boccioni, sua rigidez lembra Baldus. Reparou no cachorrinho escondido debaixo de um canapé? Também o xadrez geral da pintura alude aos mestres holandeses.

 

Ingênuo, naïf, é a mãe. Esses artistas são de uma inteligência fora do comum.

Escrito por Marcelo Coelho às 16h25

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imagens de Obama

 
 

imagens de Obama

Na linha das pinturas e cartazes populares desta seção do blog, pego do blog de Andrew Sullivan uma pequena série de retratos realmente ruins de Barack Obama:

 

Há maneiras de ser ruim em todos os estilos... mas gosto da gravata desta última pintura. Seria curioso saber a nacionalidade, a raça e o sexo de cada pintor...

Escrito por Marcelo Coelho às 00h53

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batatas vermelhas

batatas vermelhas

Gosto do jogo, puramente cromático, entre o ketchup e a mostarda nesta imagem popular de batata frita:

Escrito por Marcelo Coelho às 01h02

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dupla nostalgia

dupla nostalgia

Os ligados no mundo "fashion" já devem ter ouvido falar do estilista Paul Smith; eu não. Vi apenas que ele tem uma loja em Londres, que nestes dias está pondo à venda os trabalhos artesanais de Boku Matsumoto. São incrivelmente graciosos e delicados. Matsumoto "traduz" em madeira coisas que nunca foram feitas com esse material. Lâmpadas, pregos, máquinas de costura, fornos de microondas... Tiro do site de design e arquitetura dezeen esta foto de uma máquina de escrever. O objeto em si já está relegado aos museus; construído em madeira, renova-se como numa espécie de sonho de brinquedo antigo.

Escrito por Marcelo Coelho às 01h49

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pintura e demolição

pintura e demolição

O artista R. Carvalho nasceu em Luminosa, Minas Gerais, e se dedica a pintar paisagens sobre peças de casas em demolição. Uma exposição com suas obras começa nesta quinta-feira, 7 de agosto, às 19h30, e vai até dia 2 de setembro, no Espaço Cultural do CRC-SP (conselho regional de contabilistas). O endereço é rua Rosa e Silva, 60- Higienópolis. Aqui duas paisagens de Campos do Jordão e arredores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Marcelo Coelho às 23h11

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Lawrence Lowry

Lawrence Lowry

O pintor Lawrence Lowry (1887-1976) é um desses que fazem uma pintura aparentemente “naïf”, mas cheia de sutilezas. As figuras humanas são desenhadas como se pela mão de uma criança, mas dá para ver que não se trata disso, enquanto o fundo, a paisagem, o esquema de cores lembram o pós-impressionismo de Albert Marquet, por exemplo.

No último leilão de arte britânica da Sotheby’s, saíram estes dois lotes, respectivamente por cerca de US$ 500 mil e 80 mil.

 

"Paisagem industrial" (1957), óleo, 30,5 x 40 cm

 

 

"Figuras" (1952), guache e aquarela, 14 x 19,5 cm

Escrito por Marcelo Coelho às 18h09

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pizza do milênio

pizza do milênio

No dia 10 de julho, comemora-se o Dia Nacional da Pizza. Uma empresa, de nome Conicos, envia o release de uma nova modalidade do produto, que permite maior portabilidade em eventos como jogos de futebol, shows de rock e manifestações políticas; afirmam que o novo formato também garante a preservação da temperatura do recheio. Será brincadeira ou existe mesmo? Veja a foto.

Escrito por Marcelo Coelho às 14h03

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O mundo em figuras

O mundo em figuras

Talvez o que mais me atraia nesses cartazes populares que costumo postar por aqui seja o seguinte. Quando um dono de boteco faz um cartaz com as palavras "batata frita", e desenha embaixo, da maneira mais tosca possível, um prato de batatas fritas, o que ele está fazendo é uma espécie de "hiperrepresentação". O mundo abstrato das palavras não o satisfaz. Ele quer representá-las figurativamente também. É como se apresentasse a coisa e a sua legenda, o texto e a sua tradução.

Esse sistema, essa insatisfação com a linguagem, pode aparecer de vários modos. Num blog maravilhoso, dedicado a livros e estampas antigas, encontrei um "mapa figurativo". Ou seja, nesse mapa não basta desenhar abstratamente o contorno dos países, mas desenhar junto aquilo que esses países "representam". Vai aqui um exemplo:

Escrito por Marcelo Coelho às 15h41

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hambúrgueres rechonchudos

hambúrgueres rechonchudos

E, por falar em "gordinhos sinistros", aqui vai o registro de certos sanduíches que fotografei para a coleção de cartazes populares a que este blog se dedica ocasionalmente.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h21

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clínica veterinária

clínica veterinária

Para a coleção de pinturas comerciais populares, algumas imagens de uma clínica veterinária em Moema.

Certa dificuldade em retratar o cachorro de frente, e a falta de naturalidade no gesto da profissional, não tiram o prazer de apreciar como os volumes do seu corpo, ocultos pela roupa branca, foram bem desenhados.

A ênfase, aqui, está mais no jato d'água e nas bolhas... mas a melhor imagem é esta, do veterinário:

 

Gosto da expressão atenta de escuta. Mas não sei onde foi parar uma perna do homem.

Escrito por Marcelo Coelho às 00h21

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Marcelo Coelho Marcelo Coelho é membro do Conselho Editorial da Folha e escreve semanalmente no caderno "Ilustrada" desde 1990.

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